Beto B.

Beto B.

n. 1976

Sou sozinho com a poesia.

n. 1976 , Brasil

Perfil
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O Poeta das Extinções Recentes

N. 550

No vapor... o contraste pelos 
Lados e por baixo da pele dos 
Olhos narradores... esperando 
Perto do filtro de barro... o 
Lugar manuscrito na cozinha e 
No fim da linha dos versos...



[Beto B.. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 124.]

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Biografia
Eu era o José Alberto Brandão Pires.

Poemas

41

O Poeta das Extinções Recentes

N. 615

Os objetos têm vidas acordadas... não ligam
Para os sonhos que eles e elas sonham...
Sonham que são animais ganhando dinheiro... 
Não se importam com seus sonhos e pesadelos
Só servem às vidas... não são indiferentes... 
Sonham que vivem 365 vidas maravilhosas
De sonhos e de animais que se importam



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 137.]

5

O Poeta das Extinções Recentes

N. 216

O relógio da parede começa a 
Tocar o pedaço da sua música.

Certo instante, de tempo em tempo
Permanece na extinção, ainda existe
Depois de um tempo, em outro lugar.

O sino da torre da Igreja começou...



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 155.]

6

O Poeta das Extinções Recentes

N. 365 

Xinavane sentiu, bem ferida (esfinge)
Sem alívio, pesada, bonita, dolorosa
Contaminada, destruída, imortal, severa 
E madura (bananeira). Chamberlaim viveu
De coração partido, partido! Partido e 
Frio (tapete voador rasgado). Xinavane 
Era linda, dolorida (rosária) bem suja
Rasgada (sonhadora) magoada (cantando).



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 142.]

8

O Poeta das Extinções Recentes

N. 86

Outro, um convidado antigo, Ubiratam
Fez da outra alma, Suyani, um sorriso contido...
Contou que o pequeno pai, Toriba, morrera
Chorou, lá na Projeção de Mollweide...
Passo a passo, foi possível ouvir 
Os regozijos acumulados no topo 
E as ervas e as plantas secas...
Morreu, estava escrito, lei para esquecer
Esquecer igual a perda de um passarinho...
Peixinhos, lâmpadas, teias de aranha.



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 141.]

8

O Poeta das Extinções Recentes

N. 657

Eles e elas esperavam (gestos obulares com 
As mãos) que a vida não fosse só um sonho, já 
Que achavam que os sonhos (presentes esmolares
Ovais gratuitos) estavam errados: acordariam. 
Elas e eles sonhavam (mãos tributolares 
Generosas, arbitrárias) sonhando sins e nãos.
Eles e elas escreviam versos brancos, versos
Pretos e versos alaranjados para um para-sempre.
Elas e eles escreviam as alegrias em monólogos
Lilases, com nomes exóticos, desejavam realidades
De óbolos, com algum sonho para escreverem. 
Eles e elas pensavam nas verdades e quase morriam 
Sonhando com uma criação genial visível. 
Elas e eles queriam despertar uma realidade
Inimaginada e outras coisas de verdade da vida... 
E, quando eles e elas pensavam na extinção
Elas e eles ficavam querendo ser eternais.



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 148.]

8

O Poeta das Extinções Recentes

N. 551

Eles e elas podem sobreviver no futuro
Com o espírito do despertador de corda...

Podem criar a frequência cardíaca de 
Uma máquina fotográfica da marca Love.



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 167.]

11

O Poeta das Extinções Recentes

N. 282

Um milagre, mesmo que não (nem em uma mão).

O sonho é grande e deve ser especial
Funciona aqui e ali, é um mensageiro
Sem saber se as linhas estão mal erradas
Se movendo, não na alma, em uma estrela.



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 158.]

6

O Poeta das Extinções Recentes

N. 540

Nota de rodapé: viveram.

Respeitaram apenas o solo.

Anotaram os momentos principais
Fizeram dos seus sonhos, uma realidade no papel.

Escolheram amar e, deitadas
Puderam ver, no fim do mundo, a racha de uma semente.



[Beto B.. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 176.]

9

O Poeta das Extinções Recentes

N. 398

Mindinho: fragrância adormecida secreta.
Seu-vizinho: cheiro secreto de sono.
Maior-de-todos: o cheiro do sono secreto.
Fura-bolo: pílulas secretas para dormir.
Mata-piolho: o segredo: não acorde.



[B., Beto. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 109.]

6

O Poeta das Extinções Recentes

N. 248

O poder de entender a alma
(O coração e a carne) e de
Comer a mentira, o carinho
E a exigência sim da morte.



[Beto B.. O Poeta das Extinções Recentes. Clube de Autores, 2021, p. 83.]

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