PEDAÇOS
Foi num desses dias em que o tédio domina o ser mais insignificante, que aprendi a viver. Sinceramente, não me interessava as consequências do futuro porque talvez não tivesse um pela frente.
Conheci a vida tarde, mas de uma forma intensa. Drogas e aventuras embalaram minha entrada na vida adulta.
Hoje sinto uma dor tão incrivelmente forte que chega a sufocar o que restou de mim. Quem sou eu? Eu existo?
As viagens sóbreas da vida são mais alucinógenas do que uma balinha.Será que um dia a humanidade será mais receptiva e acolhedora?
Os homens são os animais mais complexos que já vi! Talvez queria estar onde estive com pessoas que já vivi.
A dor de um viciado em sonhos é maior que sua jornada social. Por que o mundo insiste em ignorar ou desprezar o diferente? Nós existimos! Grito novamente: Nós existimos!!!
Preciso de um buraco para ficar e encontrar-me de verdade. Não consigo respirar nesse turbilhão de compromissos impostos desde que nascemos.
Meus amigos estão por aí, ligados num mundo externo. Estou presa, sozinha. Sair da escória e voltar para a história? O sentido está se perdendo novamente e eu estou me desfazendo. Me perdoe!
Sábado, aquele sábado! Estive lá no momento certo e na hora certa, apenas não fui a pessoa certa. Estou aqui, hoje, aguentando os resultados dessa sólida viagem.
Do lado de fora está o medo de correr os mesmos riscos. Talvez eu já esteja caída numa dessas armadilhas factuais e sem volta.
Meu corpo está fora da casca, mas meu coração está protegido pelo meu temido eu. Como é difícil ser alguém!
Espero encontrar o verdadeiro caminho. Continuar andando...
ANO: 1995
MIL E UMA NOITES DE MENINICE
Alberto, o certo,
fundador do deserto,
do ego, do elo
e hoje estão tão perto
(o ciclo vicioso da vida)
Serginho, meiguinho,
tão pequenininho!
Voou no perigo
e ficou esquecido
(um amigo)
Alceu, foi o seu
trampolim pra perdição
da antiga e tão nova
passada geração
Miguel, de véu
o velhinho volante
vestia vontade
de ser flutuante
(que tédio!)
Carlão, o doidão,
cabelos longos, ilusão!
Na noite de barulho
foi meu rei de confusão
(louco, louco...)
Marcelo, que tédio!
E quanta encenação!
A amiga dormia cedo
e nós na multidão
(foi uma traição)
Luiz, morava ao lado
ao fato, à precisão
tão fofo e tão pacato
e amigo de coração
(fui inocentemente seduzida)
Manu, foi engraçado,
foi bom, foi safado,
foi tudo apenas um dia
e fugiu com minha amiga
(a vida é uma comédia)
Fábio, ferrujinha
tinha cara tão fofinha!
fomos rezar e descansar
mas o destino nos fez beijar
Flávio, foi meu amigo
e tão bonito, o Don Juan
da adolescência, da nostalgia
viciei-me no seu afã
Adriano, o maluquinho,
no carnaval, meu pierrot
me tocou profundamente
foi-se embora e não voltou
(eu sou colombina e você meu pierrot)
Eduardo, loiro tarado
era mais velho e sensual
foi interessante estar ao seu lado
alucinante seu ritual
(se seu fusca falasse...)
Fabiano, doentio
o problmático e sem amor
tenho nada à lhe dizer
indiferença ao seu sabor
(hipócrita!)
Giovane, meu cabeludo
Gigio, sabe-tudo
senti demais quando você
não quis mais me aquecer
(Gigio, Gigio...)
Rick, meu ideal
meu platonista sentimental
o que era fundo e eterno
evaporou-se num cemitério
Marcel, o meu céu
Primeiro homem a aventurar
na mulher que ia nascer
naquela noite de surpresa e prazer
(história forte)
Jiani, era uma vez,
num verão perfeito à beira mar
sol, areia, água
e sua língua a me amar
(milhões de gritos de prazer)
Jorge, me desculpe,
nunca quis te magoar,
mergulhou tão profundo
e não consegui te amar
(desculpe)
Rafael, o baixinho
foi legal ter teu colinho
foi num tempo inocente
e você foi um presente
George, tão inglês,
poderia ser árabe ou japonês,
o seu modo intelectual
me seduziu, sensacional!
(glasses and blue eyes)
Renato, sinto muito,
mas não pude ser assim
nada fiz pra ter você
só queria ser meretriz
(desculpe)
Thomas, meu alemão,
seus olhos cor do sem fim
uma viagem ao teu país
e nos lençóis de cetim
(voltar pra Berlim)
Cleber, foi tão bonzinho
meu menino, meu querido
desculpe se te magooei
queria amar, juro, tentei
Alex, foi sem querer
nunca quis magoar você
simplesmente não teve "um quê"
desculpe todo o auê
Carlos, o sem vergonha
foi tão bom ter sido assim,
uma noite saborosa,
mas foi tudo o que estava afim
(loirinho)
Flávio, não me leve a mal
não estava no humor correto
você foi muito legal
mas não consegui fazer o certo
Paulinho, de um carnaval,
o pigmeu e sensual
foi uma noite tão musical
mas...quem é você afinal/
Rodrigo, lindo sorriso
nada sei sobre os fatos
apenas lembro que no seu carro
registrei o seu retrato
Júlio, de São João
olhos azuis da imensidão
foi tão legal tê-lo ao meu lado
mas nada sei do seu coração
Daniel, não foi por mal
não quis te namorar
muito menos te magoar
apenas quis me deleitar
(desculpe)
Joaquim, meu pequenino
gostei de ti, meu safadinho
não esqueci os teus olhinhos
e de todos, foi o mais novinho
André, fui muito errada
sei que fui safada
mas não tive outra opção
porque viver era minha solução
Carlo, meu italiano,
quanto deleite na sua cama
a Itália foi o local do mundo
mais quente e mais em chama
Rafael, o meu bedel
intelecto e sensual
por tras daqueles óculos
tinha um homem genial
(disciplina era seu nome e o meu era bagunça)
Ricardo, foi lá na praia
na cobertura, toda molhada
aquela chuva nos atiçava
eu eu, mulher, te desejava
Mário lá de Brasília
loirinho e tão meiguinho
nos teus braços adormeci
a noite foi de tão carinho
Paulo foi o primeiro
da família dos três irmãos
impiedoso e forasteiro
me beijou com decisão
Luís foi o segundo
da família dos três irmãos
era mais novo e mais risonho
e não tocou meu coração
Alexandre, o grande
da família dos três irmãos
era fogo e muita brasa
me queimou a separação
Marcelo, o meu doutor
mais velho, me enfeitiçou
me seduziu como ninguém
e como veio, me deixou
André, meu grande amigo
foi de repente, sem refletir
que na noite fomos amantes
inesquecível foi te sentir
E assim muitos se foram
e muitos ainda virão
acho que chego aos 40
pra escolher um coração
ANO: 2000
METRÓPOLE
Toda noite há uma lembrança
no meio do nada que restou
Faço parte do tudo,
onde vozes gritam com o vento
Só o silêncio pode dizer
as vezes que ri,
as vezes que chorei,
quando gozei,
quando menti,
quando gritei
Sou um todo envolto ao nada
sou lembrança que nunca apaga
Diga-me onde fica nosso novo canto?
Nosso encanto, nosso pranto?
Estou aqui, ao seu lado
pensando quieta, chorando
quero o amor
quero o orgasmo
quero a vida
e você só me trouxe partidas
Sou assim,
preciso que você cante,
no silêncio da noite,
junto comigo
a loucura que ninguém viverá por mim
Segure-se nos meus lábios,
nos meus sonhos
só eles dizem a verdade
ANO: 1996
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.