Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
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Poemas

227

SOMENTE UM PASSO

     Já cansada de toda essa luta em vão, a velha jovem senhorita caminhou de olhos vendados, segura de estar no caminho certo. Subiu até o ponto mais alto e esperou que as nuvens negras passassem.
     Como pássaros, elas iam e voltavem, fazendo malabarismos celestiais ao redor daquela figura mirrada, mal compreendida pela ignrância.
     Sentiu seus cabelos baterem contra aquele vento amargo, indo de encontro com as coisas que já tinha visto, com o passado.
     Em voz alta, começou a vomitar todos os seus sonhos, que fediam e se espalhavam na terra molhada pelas suas lágrimas.
     Quanta saudade de um dia em que foi humana! Saudade da personalidade que o tempo levou e deixou perdido na lembrança de alguém, talvez.
     Lembrou-se de pessoas especiais que cruzaram seu caminho. Gente que a fez sorrir, que a deixou ansiosa, feliz e a fez chorar, mostrando a verdadeira face da realidade sombria que persegue cada ponto móvel, insignificante, chamado homem.
     Perdida em suas lembranças, sentiu o vento em seu rosto mais uma vez.
     Um suspiro a fez sentir viva. Percebeu que já estava terminando.
     Então, tirou o pano que tapava seus sonhadores olhos castanhos. Olhou para o outro lado daquele abismo e viu as rochas enormes sugadas pela selvageria da água doce que alimenta e mata.
     Com toda a coragem e, talvez, satisfação, deu um simples e delicado passo em direção do, talvez (novamente), eterno final.
     As nuvens negras choraram, despencando toda a tristeza em forma de gotas, manchando e marcando aquele momento.
     O vento soprou com mais força.
     O sol se escondeu atrás de nuvens, não querendo testemunhar aquele fúnebre episódio.
     As garças, habitantes do local, voaram em bando, à procura de abrigo seguro, fugindo da ânsia de destruição daquela tarde.
     A natureza entristeceu e descarregou suas forças por meio de raios ferozes.
     Enquanto esse espetáculo se mostrava, ela caia levemente, por deixar seus pecados no passado.
     Encontrou-se com seu destino e, já inanimada, era simplesmente carregada por aquele rio. Era mais uma flor que enfeitava aquelas águas silenciosas.
     Dessa forma a cortina se fechou e essa cena terminou na calmaria do equilíbrio das coisas vivas ao redor de um cadáver.
     Então, tudo calou-se para sempre, caíndo no esquecimento de pessoas que estão sempre a procura de novidades.


ANO: 1999
913

TEMPO QUE ME SUFOCA

Estou perdida
entre rostos sombrios
enquanto anjos caem do céu
A dor aumenta,
escadas indicam caminhos opostos
e a cor some
na sombra da névoa do medo
Estou com frio
e quero colo
quero só mais um agrado
Meu corpo treme
e as vozes falam
mas não dizem nada
Me abrace,
me segure,
estou perdida
no abismo que construí
Sinto sua falta
desde criança
Quero colo,
quero uma canção para dormir
quero que leia uma história
quero carinho
Por favor!
Não vá embora,
a cada partida 
é um buraco negro
Só quero abraço
e a certeza de que vai ficar...


ANO: 2000
937

AS AVES

As aves aprenderam a voar
para ver o mundo
de longe
e não enxergar a realidade
e os vermes
que habitam a terra


ANO: 1998
799

HOMO

Quase um ser
primata
de gravata
Quase um ser
débil
fértil
Quase um ser
pequeno
veneno
Quase um ser
estranho
Humano...


ANO: 2004
703

FOME

Se eu não fosse uma atriz, 
uma jovem meretriz,
aqui iria viver
só pra ter o prazer 
de ver em você
a vontade de me ter
meter, me-ter, me ter...
e depois de um dia
uma velha agonia
e a amiga nostalgia...
...vou devorar você!!!


ANO: 2003
709

ENCONTRO

Encontrei eu, outro dia, 
com meu eu
que vinha
todo contente
sempre em mente
uma canção

Olhei p´ra mim
e que susto ao ver
que o bicho sorria
e eu que me via
sem saber
que esse eu tão doentio
tão estranho, tão sombrio
era só... eu

Mas eu brigou comigo
e num gesto hostil
me deu um tapa
com palavra amarga,
fel, brasa,
então saí correndo
e onde ia
o eu me perseguia

Fiquei assustada
com medo de (me) ver de novo
aquele bicho horroroso
que me sufocava,
me aterrorizava,
me fazia
ver o que eu não via
e foi só então
que entendi:
não adianta fugir,
o escroto do esgoto
que vive dentro de mim
é o meu eu
que não quer ficar calado,
já foi violentado,
que me assusta 
e me mata,
maltrata,
é o que nunca foi visto
pelos olhos que não quer ver,
a vontade de entender
que o eu que eu fugia
era o que me perseguia,
o verme do escremento, 
o eu subjetivo,
o eu nojento.


ANO: 2000

775

BATALHAS

Gladiadores oculares
buscam um coração
um lugar adormecido
na cauda de um dragão
Fazem fogos, fazem almas
voam alto na batalha
veem a alua,
um uivo agudo,
um gemido
ou uma espada
ou um castelo
Torre alta
bem singela,
magos profundos,
verdades ocultas
ao lado, no adro,
no lago assombrado.
Voe alto
na imensidão
busque um buquê 
na lua, na selva de egos,
na imagem do dragão
Nasce outro homem,
uma vida em vão...

ANO:2000
786

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.