Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.
Uma boca junto à outra, Silêncio no recinto, Só se ouve o sentimento, Num beijo atrevido.
Línguas loucas se encontram, E se acariciam, Aqui fora dois corpos Bailam em sintonia.
Mãos passeiam pelos cabelos, Afagam com suavidade o beijo, Que no seu silêncio diz tudo, Muito mais do que sentimentos.
E as línguas procuram espaços, Numa luta sensual. Dentes mordem devagar, Um arrepio sem igual.
E os corpos entrelaçados, Eriçados de tesão, Buscam desesperados, Uma grande explosão...
100
CAMINHANTE DO AMOR
Por você caminhei Por um longo trecho, Enfrentei tempestades, Subi picos imensos.
Fui aonde ninguém foi, Nada tinha para carregar, Eu levava só o amor, Para dele me alimentar.
E não desisti em nenhum momento, Nem quando me feri, Estanquei o sangramento, Com cuidado eu parti.
Você estava longe, Tão distante que não te via, Mas meu inconsciente sabia Que eu ia te encontrar.
Determinado, segui o caminho, Por vezes tive que o abrir, Fiz o trabalho com carinho, Porque era preciso seguir.
Andei por muito tempo, Não me preocupei em contar. Cada dia caminhando, Me fazia crer que estava para chegar.
Eu sabia a direção, Quem indicava a rota Era meu coração, Não acreditei em ideia torta.
E o sol que me queimava, Era o mesmo que iluminava, A chuva que me molhava, Era a mesma que a sede matava.
Caminhando por aí, Dei várias voltas em tudo, Quando te vi, era tão bela, Valeu minha volta pelo mundo.
98
MULHER VENENOSA
Veneno. É isso que você tem! Ele corre em suas veias, E em tudo que de você vem, Ele não mata, pior, incendeia.
Uma vez inoculado, Fica difícil resistir, Somos levados A suas artimanhas sucumbir.
Tem veneno nas palavras, Que parecem ser tão ternas, Pois são ditas com ternura, Mas são puros feitiços.
Não há nenhum remédio, Nem antídoto eficaz, Seu veneno é singular, Transformações ele faz.
Nem dor ele causa, Apesar de fazer muito mal, Ficamos imobilizados, De forma radical.
Escravos da mentira, Sujeitos a toda trama, Seu veneno causa euforia, E nos joga na sua cama.
E ao fim de uma noite, Voltamos para a masmorra, Sofremos todo açoite, Mas não há quem corra.
Venenosa como ninguém, Com seu doce olhar, Faz nossa alma refém, E quem nos vem salvar?
69
A TERRA É PLANA
A Terra é plana, De bordas infinitas, O horizonte sempre curvo, É o ponto de partida.
As montanhas, ilusões, O Globo não gira, Lá no fim há uma cachoeira, E a água toda expira.
Cai no espaço a danada, Depois vem outra chuva, É a água que se forma, Em meio à via turva.
Que bobagem, meu irmão, Acorda para a vida, Essa coisa de Terra plana, É pura invenção.
O horizonte nunca chega Porque ele é infinito, Quanto mais você progride Mais longe ele fica.
E a água do Oceano, Que reflete o azul do céu, Não termina em cascata, O que seria bem cruel. Vem do rio que lá deságua, Depois de descer o morro. E a chuva que se forma, É por sua evaporação.
É coisa de gente tola, Acreditar que a Terra é plana, Uma grande criação De uma gente que te engana...
127
FILTRO DE BARRO
Filtro para mim é de barro, O resto nao vale nada, Adoro o gosto de terra, Lembra a infância acabada.
A água fresca, Que sai da torneirinha, Refresca o corpo E a alma caipirinha.
Á gua boa é a de filtro, Mas tem que ser barro, Outra água até bebo, Mas como fico bravo!
83
ATÉ ONTEM, DEPOIS JAMAIS...
Como tudo muda, Meu mundo ruiu, O chão, fino, afunda, Meu coração partiu.
Ontem tudo estava bem, Hoje nada mais em pé, Gira o globo para além, Faz bagunça na maré.
Depois, será? Jamais... Sem condição! Quer mais? Acho que está bom!
89
NOITE FELIZ
Que noite aquela! Não devia acabar, Estava tão bom, Eu queria continuar.
Ver o seu sorriso, Me pedindo mais um pouco, Querendo me agarrar, Me deixando louco.
Chato, muito chato, Ter fim toda aquela beleza. Foi bom satisfazer seus desejos, O fiz com muita delicadeza.
Fomos felizes, sem dúvida, Uma noite sensacional, Ficou na minha boca o seu gosto, Um sabor original...
Que noite feliz! Ah, se todas fossem assim! A vida que eu sempre quis. Vem viver junto de mim!
Espero que não se esqueça De tudo o que lhe falei, Se quiser, apareça, A porta, depois, jamais tranquei...
131
SEM SAÍDA
Entrei por uma porta, Que se fechou. Caminho por uma rua torta, Que ainda não acabou.
Sem poder voltar, Ando para a frente, Está tudo escuro, Oh, minha gente!
Encontrei alguma coisa, Era uma parede, Rua sem saída, Tropeço numa rede.
Volto, o caminho é outro, Tateando pelo chão, Não encontro nada, Nem consolo e nem pão.
A porta, não existe mais, Foi toda concretada, Estou aqui preso, Entrei numa enrascada...
100
ERRAM MEU NOME
Erraram o meu nome, Que é muito simples, Celso, cinco letras, Todas elas conhecidas.
Se eu tivesse outro nome, Um daqueles cheios de consoantes, Ainda aceitava o erro, Mas sendo simples, não aceito!
Pô, que coisa chata, Ter que soletrar C-E-L-S-O, E depois C-I-A-M-P-I, Quando faço um cadastro. Dá vontade de fugir!
Mas fazer o quê? Nesse mundo nada é perfeito, É assim que vai ser Até quando não tiver mais jeito...
97
ONTEM JÁ SE FOI
De ontem já não me lembro, Tenho lembranças de outro dia, Um dia lindo, lá no parque, Onde só tinha alegria.
Para que lembrar de ontem? Dia de muitas nuvens, O que aconteceu foi terrível, Uma verdadeira tragédia.
Ontem já se foi, Nem devia ter vindo, Hoje quero te ver, Olhar nos seus olhos lindos. Te pedir perdão, Mesmo sem procurar pela culpa, Entrar novamente em seu coração. Eu te desculpo! Me desculpa?
Olhar para a frente, Ver novos caminhos, Decidir o que a gente, Jogará fora com jeitinho.
E então, ontem se apaga, Um dia que não existiu, Como uma comida amarga, Que o corpo não curtiu.