Celso Ciampi

Celso Ciampi

n. 1971 BR BR

Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.

n. 1971-12-16, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Perfil
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CORAÇÃO VAZIO

No momento está vago
O meu pobre coração.
Não está ocupado,
Sem nenhuma paixão.

Mas está bom assim,
Precisa fazer uma faxina,
Limpar as dores que ficaram,
Para procurar gente fina.

Agora nem adianta,
Que ninguém vai entrar,
Ele está concentrado,
Em se aprumar.

Ainda bate com tristeza,
Pois está cheio de entulho.
Eu te peço por fineza,
Não vem atrapalhar.

O tempo que ele precisa,
Está correndo bem,
Não queira que se apresse,
Tenha calma você também!

Ele precisa de reforma,
De uma nova pintura,
Daqui a pouco estará em forma,
Pronto, mas não para aventura.
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Poemas

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TROPEÇOS

De tropeços eu entendo,
Já dei muita topada,
Umas vezes eu caí,
De outras tive só a unha arrancada.

Nem chorei nesses momentos,
Eu até achei muito bom,
Talvez fosse para melhoramentos,
Podia estar fora do tom.

Quando vejo obstáculos,
Tento deles me desvencilhar,
Não deixo vácuos
A me incomodar.

Sigo em frente,
Nem olho para trás,
Vivo bem contente,
Não reclamo mais...
69

SAIBAM TODOS!

A quem interessar possa,
Comunico desde agora,
Que vou para a roça,
Da cidade vou embora.

Lá serei mais feliz,
Vou viver em liberdade,
Respirar ar fresco,
Comer alimento de verdade.

Vou ter meu cantinho
Só para ver o sol nascer,
E bem à tadezinha
Corro a vê-lo se pôr.

Meu fogão será a lenha,
A televisão minha janela,
O meu mundo todo o mato,
Onde conhecerei linda dozela.

E quando tiver cansado,
No açude vou pescar,
Passar meu tempo deitado,
Esperando um peixe fisgar.

E assim viverei muito bem,
Sem na cidade eu voltar,
Quem quiser me ver,
Vai ter que ir lá.
113

ESTADO DE NERVOS

Hoje acordei cedo
Com os nervos à flor da pele,
Não sei o que houve,
Simplesmente é assim.

Nada me dá alento,
Por mais que eu faça.
Nem escrevendo,
Essa situação passa.

Ainda mais que o computador
Cismou de ficar lento,
Daí me dá aquela dor,
Vontade de jogar tudo ao vento.

Fico me segurando,
Tentando me acalmar,
Mas vou me irritando,
Não dá para controlar.

Já tomei um calmante,
Mas ele não faz efeito,
Uma sensação petrificante,
É triste ficar desse jeito.
124

QUEM DIRIA?

Quem diria um dia
Qualquer de uma semana
Um tanto fria
Que você descobriria que me ama?

Tudo era possível,
E até o impossível,
Virou possível,
Assim fico impossível!

Mas vá lá,
Que essa coisa de me amar,
Não dá para complicar,
É só aqui perto chegar.

Mas quem diria?
Eu disse certo dia,
Que tudo mudaria
E você me procuraria.

E foi assim,
Uma bela tarde,
Você veio para mim,
Sorrindo à vontade.

Aconteceu, quem diria?
Nós dois juntos,
Passeando na Bahia
A de Todos os Santos...
E a gente em folia.
107

PENSAMENTO TORTO

Tenho um pensamento,
Que não é muito certo,
Dizem que é torto,
Não é muito correto.

Passa aqui em minha cabeça
Coisas loucas com você,
Mas não queira nem saber,
Eu me esforço para esquecer.

Mas eu sinto que você
Até ia gostar.
Pois pelo que lê,
Pelo menos quer provar.

Fico meio constrangido,
De te propor tais coisas,
Um dia, quem sabe?,
Perco a vergonha e te laço.
53

ACABOU!

Cansado. Acabou a semana!
Será que descanso,
Ou caio na farra?
Dúvida cruel que me encana.

Não tem mais jeito,
Nada mais acontece,
Agora penso no bar,
Na cerveja que me merece.

Nessa mesa de escritório,
Já me sinto no boteco,
Conversando com amigos,
Papo bom e furado.

E depois de trabalhar,
De bater o meu ponto,
Quero mais é voar,
Fazer nada e pronto!

Amanhã acordo tarde,
O relógio não vai despertar,
Tomara que ele durma
Até o fim de semana acabar!

Mas que coisa feia!
Já pensar no domingo.
É depois do Fantástico
Que a angústia vai bater,
Pois já é quase segunda-feira,
Tenho tanta coisa a fazer...
93

TENHO MEDO...

Tenho medo de fazer tudo errado,
E continuar fazendo...
De ser simplesmente abandonado,
De morrer vivendo.

Tenho medo de ir em frente,
De não ter como voltar,
De caminhar longo trecho,
Sem ter onde chegar...

Tenho medo do meu medo,
De nem conseguir sair do lugar,
De me deitar na cama,
E nunca mais levantar.

Tenho medo do mundo,
Do que ele carrega.
Das pessoas que nele vivem,
De minha pouca entrega...

Tenho medo da vida,
De suas voltas loucas,
De estar em cima e embaixo,
De fazer coisa pouca.

Tenho medo, nada mais,
Alimento esse sentimento,
Todo dia quando levanto,
Me dá arrependimento.
113

SEM PENA DE VOCÊ

Não lhe tenho mais sentimentos,
Pelo menos os bons,
Eu vou te deixar agora,
Sem pena de você.

O que fez me magoou,
Deixou-me infeliz,
Sua atitude estragou
Todo o amor que te fiz.

Foi injusta,
Foi cruel,
Por muita custa,
Descobri ser infiel.

E não tem mais salvação,
Tudo foi de caso pensado,
Foi por acaso, não.
Eu fui desonrado,
Não mereci consideração.
82

JÁ DISSE TANTO...

Que não tenho mais o que dizer,
Calado, por não ter palavras,
Agora eu só posso fazer
Coisas que te amarram
A meu viver.

E não te quero cativa,
Você é livre para voar,
Viva sua vida,
Que te espero voltar.
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ME DÁ UM TEMPO

Sentimento que senti,
Muita coisa a dizer,
Só porque não morri,
Não fiquei a sofrer.

Ainda ontem eu chorei,
Assim, meio que do nada,
Eu estava numa ruim,
Senti falta da amada.

Você me pediu gritando:
"Me dá um tempo!"
Eu me segurando,
Para não te dar um beijo.

Então saí daquele lugar,
Estava muito perdido,
Na certeza de você me amar,
Mas eu estava todo errado.

Esse tempo não acaba,
O relógio deu muitas voltas,
Ainda hoje te procuro,
Isso muito me importa.

E se não for para ser,
Que não seja nunca mais,
Eu preciso viver,
Sair desses jogos mortais.
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.