SÃO OS PORCOS...
São os porcos Que estão ao meu lado, Chafurdando na lama, Me deixando atordoado. Me arrastam para o barro, Tentam me afundar, São tão simpáticos, Mas querem me derrubar. Quanto mais eu me afasto, Mais eles vêm me perturbar, São podres, falsos, Fazem de tudo para roubar. Comem lavagem em seus cochos, Arrotam champanhe e caviar. Parecem tão puros, São imundos ao se juntar. Seu sorriso é escárnio Sua boca cheira mal, Um hálito podre, Coisa sem igual. Fingem ser o que não são, Prometem fazer o que não fazem. Vendedores de ilusão, Usam Deus como camuflagem.
SEM INTERESSE
Não me interesso Pelo que pensa de mim, Desde já vou embora, Termino tudo assim. Não me interesso Por suas decisões, Faça tudo o que quiser, Machuque outros corações. Não me interesso Se você chora ou não, Sei que é tudo falso, Uma bufa encenação. Não me interesso Nada mesmo por você, Que tanto me enganou E me fez sofrer...
COMO PODE?
Me faz de besta o tempo todo, Esconde toda a verdade, Beija outro pelos cantos, Depois me sorri com falsidade. Anda pelos bares dessa vida, Procurando o prazer, Depois vem para mim, Quando se sente perdida. Como pode agir assim? Vive como louca, Um poço sem fundo, Onde cai sem perceber. Eu, com todo carinho, Te recebo, cuido de suas feridas, Em meus braços te faço um ninho, Mas, quando melhora, some. Eu, sozinho, choro, Porque sou um tolo, Acredito que um dia Acabo com essa loucura. Mas ela já não se acaba, É minha também. Somos dois loucos, Não amamos ninguém...
PISA EM MIM!
Pisa, com esses pés delicados, Nesse corpo que é seu. Ele já está dilacerado, Por tudo que não me deu. Mas pisa com toda força, Esmaga com vontade, Não deixe sobrar nada, Me deixe em liberdade. Faz um sapateado, Pule em cima do resto. Faça de mim um bolo deformado, Bastante indigesto. Depois jogue tudo fora, Me coloque no esgoto, Onde nem os ratos vão querer Sentir o meu gosto.
MIL DEFEITOS
Sei que tenho mil defeitos, Foi o que consegui contar, Mas todos eles eu aceito, Não tento escamotear. Sou falho, admito, Às vezes estourado, Dizem que sou teimoso, E também desleixado. Eu tento ser diferente, Um cara melhorado, Mas essa vida da gente, Me bagunça um bocado. Fico fulo nas tamancas, Quando me dizem vagabundo, Escrever é coisa séria, A coisa que mais amo nesse mundo. Abandonei o perfeccionismo, Desse mal eu me livrei, Hoje sou menos chato, Pois assim vivo bem. Mas eu não fico nessa coisa De remoer tais defeitos, Eles estão todos aí, Compõem o meu jeito.
VOU BERRAR UM PALAVRÃO!
Vou berrar um palavrão, Mas aqui não dá para ser, Então mantenho o padrão Para não te aborrecer. É que hoje está difícil, O computador está lento, Parace que movido a manivela, Um enorme tormento...
CANSADO...
Estou cansado de tanto lamentar, Acho que agora preciso, É me movimentar, Ser mais ativo. Não gosto mais de ouvir lamentos, Nem de quem eu amo, Muito menos de quem odeio, Vão embora, seus lazarentos! A vida não é assim, Muito menos é assada. Se tá ruim para mim, Também está para a moçada. Então luta, que vale a pena, Deixa de lado essa choradeira, Se ficar muito tempo deitado, Pode crer que empena. Estou cansado, mesmo, De agora em diante vou descansar. Procuro me distrair um pouco Tentando trabalhar. E se nada der certo, Nem posso reclamar, O tanto que esperei, Dei sorte em não me findar.
AI QUE COISA TOSCA!
Eu não me conformo! Impossível acreditar, Como pode uma pessoa Assim se sujar? Por quase nada fez estrago, Foi mentirosa demais, Espalhou tanta bobagem, Afundou-se na sua própria lama. Fez todo mundo de otário, Foi cara de pau, Disse que seria diferente, Mas fez tudo como o normal. E agora quer confiança? Pode ficar querendo! De minha parte não terá nada, Estarei me defendendo. Nem aparece por aqui, Me cansei de ser um trouxa, Minha vida está se acabando, Posso ter algum enrosco. Age sem nenhum amor, É vazia de sentimentos, Oca da cabeça aos pés, Quer impor seus pensamentos.
DESCONTROLE
Quase me perdi, Querendo te encontrar, Quando encontrei, Que vontade de chorar. Você estava linda, Vestida como uma deusa, Vi que era feliz, Voltei, com certeza. Casada com outro, Como isso me doeu! Caí do meu cavalo, Chorei, meu amor se perdeu. Descontrolado, me entreguei, Desci ao fundo de um poço, Desolado lá fiquei, Doído, quase morto. Seu amor me faz falta, Sei que pode ser loucura, Será a melhor delas, pois, Somente ele me cura.
EU, COMIGO E MAIS NINGUÉM
Eu estou só, mas não totalmente, Tenho boa companhia, A melhor e mais prudente, Ando comigo, meu melhor amigo. Sei do que eu gosto, Também sei que tenho falhas, Me protejo dos males, Fechando minha boca. Já tive muitos amigos, Quase todos eram falsos, Quando deles precisei, Sumiram, nem abraços. Aprendi que a amizade Deve ser coisa bem sincera, O amigo de verdade Tem palavra bem honesta. Por isso ando só, Com meus pensamentos, Eu acho bem melhor Do que com maus elementos.