Celso Mendes

Celso Mendes

n. 1958 BR BR

n. 1958-01-11, Itapira

Perfil
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Entropia

falo num idioma que entende noites
e dialoga com estrelas

meu dizer não é meu, é do universo
pois não sou de mim ou de ninguém
fui gerado para romper fronteiras
e só agora me descobri

busco a magia escondida em cumes
e a essência do átomo

semeio e me desfaço lentamente

o risco na pele é um sinal
eu sinto
mudo a cada segundo

(Celso Mendes)
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Poemas

2

FUMAÇA

arrasto comigo uma sede

de cenas que não vivi

de barcos que já partiram

de peles que não senti

arrasto uma linha pendendo

pras bandas do fim do mundo

que escorre a cada segundo

nas brechas por onde adentro

e levo dois milhões de olhares

mil bocas que não beijei

imagens que guardo lá dentro

e um rastro que não deixei


(Celso Mendes)

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Acalanto para abstinências e vazios

é a falta e a lacuna quem cria

                                              (Paul Valéry)


é para agasalhar ausências que teço este poema

fantasmas não dormem

anseios me esperam


o que urge além do lábio e da palavra

é o mesmo que me trinca o esmalte dos dentes

vindo da lacuna que ocorre no rastro do voo

de cada pássaro que ousei ser

neste não sentir talhado nos ossos

feito rios secos a riscar-me a pele

álveos calcinados 

onde escorrem congelados

a doçura e a tortura

de vozes e olhares idos ou perseguidos

dentro de um pretérito que me bate à cara

ou em um porvir que se me escancara


é para agasalhar ausências que teço este poema

de vazios e de abstinências

e me permito à lagrima

tanto quanto ao riso


(Celso Mendes)


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