charlesburck

charlesburck

n. 1950 BR BR

Heterônimo de Wilson Costa - Escritor, autor dos livros, O anjo do dia, Olhos ferinos, Compêndio de coisas guardadas, Alma, Oxigênio, Falsas impressões, Causos por acausos, Causos complicados, Ensaios de uma vida toda,

n. 1950-03-18, Salvador

Perfil
13 804 Visualizações

Velhas e novas primaveras

O amor é como a jovem que quer a virgindade eterna
mas que dorme nua
A eternidade exposta, entregue aos argumentos do tempo
Não existe pureza absoluta, nem pecado mortal
As floradas vingam como mato entre as pernas esquecidas das velhas senhoras
O diabo mora na estação ao lado
Precavenho-me e salto antes,
A Moça virgem salta uma estação depois
Deus é parceiro e o diabo aventureiro,
A moça geme a primavera recém-chegada
A canção lamentosa exposta na janela, por onde o amor passou
Das velhas senhoras que o cantam, agoniadas
Quanto poetas saltaram na estação errada
E são vistos a vaguearem pelos vales colhendo flores mortas
Fazendo poemas dizendo do que nunca praticaram
 
 
Charles Burck
 
Ler poema completo

Poemas

4

“Não sei”

Por que a minha voz se recusa a crescer e passeia entre os campos dos ventos de longe e a impressão dos teus olhos
E alguma flor que comece a crescer antes do nascer do sol,
Por que desnudei-me no centro da praça, sem bens algum
Se a noção do tempo,
Numa pobreza revestida de luz opaca e mãos mais vazias do nada
Há mais de cem anos de solidão nos meus poemas,
E essa busca constante é o único bem que possuo
Semanas após semanas o que hei de ter, perguntou-me o homem ilhado
E eu respondi sem lhe olhar nos olhos 
“Não sei”

 Charles Burck 
60

As borboletas


E se eu e ela tivéssemos vidas como as borboletas eu voaria com ela, por sobre os mares que cantamos em poemas,
e se eu pudesse escolher, abriria mão dos ventos, para viver eternidades pousado no peito dela
E borboleta não seria mais, porque as minhas asas atrofiariam,

e se pudesse escolher ainda mais onde morrer, abrira mão do mar, porque deitado sobre ela eu teria os mares todos,
e as vidas todas para ouvi-la marear os mares que deixei

E seria eu apenas felicidade a formar redemoinhos, mansos à volta dela

E se as borboletas soubessem de nós viriam também abrir mãos dos voos,
E pousariam sobre o peito dela
E saberiam todas como é, estando sobre o amor, amar

 

 CHARLES BURCK
73

Um único mar

Apenas se atreva a sorrir de novo, a
Solução salina articulando o amor
Você me ouviu nascer, e eu a fiz dizível,
Um adoçado sal, um azul no campo
Um tanto de lápis de cores conjurando
Azul beirando azul
Um único mar

 Charles Burck
29

As mesmas faces

As mulheres pareciam ter os mesmos rostos,
Todas irmãs de um poema,
As mãos dispostas num aceno e o sentido de que tudo é comum,
Mas comum é a ausência medida sob a pele
A falta que faz um epilogo a adiar o término
Redemoinho sem vento, ilações que as emoções nasceram agora
Mas faz tempo que observo os rostos,
Os elementos do tempo dispostos em teus olhos
Como se tudo estivesse parado, à espera do choro

 Charles Burck 

66

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.