Chorão

Chorão

n. 1998 -- --

Estudante de medicina e amante do conhecimento.

n. 1998-02-20, Caetité

Perfil
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Existência capitalista

Vejo,
Desejo,
Compro,
Sou.

Amo,
Esqueço,
Deixo,
Sofro.

Luto,
Estudo,
Trabalho,
Adoeço.

Vivo,
Resisto,
Entristeço,
Morte.
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Poemas

4

Soneto de um quase ateu

Imbuído nas águas profundas e dubiosas da clareza,
Com os cardimiócitos fadigados pela inconstância da existência,
Minha fidúcia pela crédula transcendência
Se esvaiu diante da realidade lancinante da natureza.

Natureza na qual tudo destrói e tudo cultiva,
Apresenta-se indiferente ate ao mais afável sujeito
Como admitir a onipresença de um ser benevolente e perfeito?
Se o infortúnio é a causa mais expressante de sua devolutiva?

A clemente carne nume, assim, mostra-se apenas na abastância,
E todos aqueles que creem ou não na divina pragnância,
Estarão submetidos aos absurdos dos acasos da vida.

Libertei-me, portanto, da mendacidade religiosa,
Que, desde os primórdios, esfola
Os espíritos livres desta terra faminta.
315

Existência capitalista

Vejo,
Desejo,
Compro,
Sou.

Amo,
Esqueço,
Deixo,
Sofro.

Luto,
Estudo,
Trabalho,
Adoeço.

Vivo,
Resisto,
Entristeço,
Morte.
386

Velho amigo

Acalma-te, velho amigo,
A noite já foi embora,
Aproveitas a breve aurora,
Antes que a tristeza faças abrigo

Esqueças a natureza efêmera
E coloques um sorriso em teu rosto,
Mesmo que o gozo seja pouco
Não deixes que a luz esmaecera

Sei o quanto é difícil viver
Mas do que adiantas morrer
Sem antes enfrentar o sepulcro da vida?

E, assim, talvez, algum dia, encontras a paz que desejas
Porém, até lá, sejas
O máximo de luz que conseguires ser.
332

O desconhecido

Não sei quem sou, nem quem eu era e, tão pouco, quem serei.
 
  Diariamente, vou me desconstruindo e me reconstruindo incessantemente, mas, assim como a água, não possuo uma forma definida.

  Há tantas coisas ocultas dentro de mim,
tantas emoções desconhecidas, tantos sentimentos velados, tantos pensamentos inexplorados, que fazem com que o meu ser seja exterior à minha limitada consciência.

  Eu não sou quem eu pensei quem fosse e nunca serei quem eu quero ser.
Afinal, para que querer ser alguma coisa se eu próprio me desconheço? Como chegarei a algum lugar se nem sei onde estou?

  O meu eu está a anos luz de mim, em uma outra galáxia misteriosa, incrustado nas mais inóspitas estrelas do meu inconsciente. Nunca o encontrarei, nem chegarei perto disso, porém nunca deixarei de buscá-lo.
349

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