Cianeto

Cianeto

n. 2000 -- --

sinto e escrevo maus ou bons, se tornam o que são, isso que estás ai.

n. 2000-06-20, penedo - al

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Dose dela




Percebi que o copo estava vazio
Suas laterais estavam sujas
Também percebi que ela bebia
Tomava do gole que não possuía essência
Se saciava da falta que o cheio trazia
Mas ela não via
O copo imundo
A água que ali não tinha
E que a sede que tanto sentia
Era saudade dela mesma.
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Poemas

2

tempo - finita ampulheta

me pergunto do tempo que passa por minhas células e as deixam enrugadas
me pergunto do tempo que vivi estando no mundo da lua
me pergunto do tempo que passei pensando em você, que nenhum tempo gastou pensando em mim
me pergunto do tempo que existi calada, sem um ar sair, sem uma palavra entrar
pergunto-me do tic tac do relógio que pulsava sem parar a vida
no tic que fazia quando eu chorava
e no tac que soava quando eu dormia
as batidas do tempo, que nos une e que nos afasta
que faz de mim outro ser que não mais existe
me pergunto do tempo que não compreendia a infinidade das palavras, dos sentimentos, do eu
me pergunto da velha que gastava seus últimos anos tricotando a toalha de mesa pra neta que iria casar-se
me pergunto do tempo que contei esperando você chegar, e do tempo que você não contou para não me ver partir
me pergunto do tempo que leva pra chegar ao outro lado do mundo
pergunto-me o que fazia quando não me perguntava sobre o tempo
e dos segundos que contei até ve-lo passar
invisivelmente por meu corpo, visivelmente na tela do celular
e do tempo que não passou na escola
e do tempo que voou quando aconcheguei-me em seus braços
o tempo que vem, que passa,
que muda, que transforma,
que faz-nos amar e conhecer,
chorar, crescer e principalmente ser
e que por fim, depois da estrada, nos deixa.
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balão furado

os sonhos foram retirados de mim naquela hora
eu vi um futuro, que não existia
fechei os olhos, mas, a dor não passou
lamentei pela criança que morava em mim
que via balões levantando casas
e curava o mundo com doces
os sonhos foram retirados de mim
porque me achei vencida
porque não achei possível
porque não era suficiente
eu vi o mundo, em blackout
e desfiz-me do diário velho
morri de dentro pra fora
virei a carapuça de pesadelo
deite-me de bruços e envelhi por 80 anos
o cálcio, a amnésia e a diabetes
eram as receitas de remédios que eu tomava
todos os dias ao dormi
retirava o tumor que tinha em meu coração:
um pedaço de sonho, o único que havia sobrado.
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