Instante
Num colapso, desatino frente
O instante perdido, a doce garoa
Vem das nuvens ferozes
Assim como a compreenção
Minutos desatenta no chão frio
Em devaneios soluveis
Não irei estragar-me com razão
Tendo em mente que nada sei
Entendo apenas que me perdi.
Amarro
Nunca fui boa com nóz
Sejam no cadarço, na corda
Até a nóz moscada
Quem dirá no coração
Sou boa com palavras
Em dizer, sem dizer
Talvez por isso
Jamais
desatarei nóz com maestria
Como poderei?
desfazer o nó sem tocá-lo?
Mas sinto que... talvez;
Não seja de toda verdade
Pois acabei de o fazer
O nó em meu peito
Desprendi com poesia.
Olhar embriagado
Vi
Uma mulher
Bela e
Formosa
Pena que a danada
Não foi
com a minha prosa
Tentei me aproximar
Tropecei
que nem senti
Só ouvi quando berrou
Bebo fedido sai daqui
Cai bem do seu lado
Babando afobado
Eita
que arrogância
Eu só queria um trocado.
Conforto
E quando a doce razão morre
No orizonte, só, na névoa do ar
Tudo que sou foge na brisa
E algo maior vem despertar
Como uma esperança funebre
Em um suspiro de gozo dor
Vem a leveza da vida
De um conforto amador
E de súbito tudo se pontua
A um fato pior
O mesmo cálice que cura
Perpetua uma dor maior.
Lembrete
Sou uma coisa
Que fizeram
Depois moldaram
E mais a frente descobriu algo
Que era viva
E que era para ser
Não poderia mas ser eles
Teria de ser eu
Então acreditou em coisas
Que lhe contarão e que inventou
E por mais que esqueça nos dias corridos e despropósitos
Que é uma coisa
Jamais poderá esquecer que é viva
Enquanto for.
Estranho depoimento
Estranho é quem é capaz de se estranha
Porque de final oque importa
Tudo é uma série de estranhesas despropósitas
E muito bem articulada
A vida é uma estranhes da morte.
Passarinho
Passarinho apareceu empolgado me contou
Disse que viu cobra transformar-se em uma flor
Que da água mais pura provara o frescor
Num lugar de grama céu azul, frutas, na companhia de um anjo
Mas é claro que aquela paz vinha de um manto
Suas assas foram cortadas para o meu espanto
Não podia mas voar, isolado resistia
Por não saber onde estava achou que era o paraíso
Mas pobre passarinho
Estava a beira de um abismo.
Sanguinária verdade
Sinônimo de desgraça
De dor, mocidade, amor
E ainda, fonte de vida
Me preenchendo por completo
Por mas que dircurso a paz
Não a como negar
Sou o sangue todo mês
Sou o sangue quente de raiva
Sou o sangue paralisado de dor
Sou o sangue que me faz viva
Sou demais o sangue
Para fingir que o desprezo.
Quem é o morto
E pela primeira vez
Não a diferenças
Entre o pobre e o doutor
A morte é a única justa
Quem morre é quem ficou
Porque morrer é para os vivos
Por isso se morre por quem
A morte levou.
Mãe Deus
Qual o motivo que me leva a acreditar
Ser íntima do mundo?
A pergunta me persegue atônita
Tão bruta cuspindo em minha cara o fato
Que não sou nada, totalmente abestada
Um animal fútil
Preso em superstições com um destino atado
Se achando acima de tudo por usar um sapato
Igualmente fútil e abestado
Que direito eu tenho?
De não só me satisfazer no seio do mundo
Como reconhece-lo como mãe
Depois de tudo que fiz, que quis!
De me sentir amada e acolhida
De oferecer meu tão pouco
Pela imensidão que me é oferecida
Será que é um amor recíproco?
Sou uma boba iludida?
Não pode ser; o carinho que sinto
É real. Tem de ser
Se não, nada ne importa
Pois então, rezo, dou
Todo minha alma na tentativa incerta
De retribuir, apenas
Assim como faço do mundo meu altar
Me prontifico a ele
Minha morada
Eu que nele
Hábito.