Anônimo desejo
O coração derrete
O libido pulsa
Somos Afrodite e Hera
Inocente luxúria
Faça-me te amar loucamente
arfar docemente
Viciar em seu aperto forte
Se te viver for pecado
Quero pecar até a morte.
O óbvio é o asco
Eu que de tudo sou imensurável
Que para a matéria me perco
E o invisível sou hábil
E de tudo que vejo carrego o fardo
De fingir que não vi
Pior
Não senti
Minha dor está em saber
Totalmente consciente
Que meu dever no mundo é
Sofrer
Por saber demais da minha mesquinhez
De saber do meu monstruoso orgulho
E dessa minha percepção
Me orgulhar
Me fazendo assim oque mais temo
Oque vejo.
Aninha
E ai, Ana ficou mocinha
Passa batom, mancha a calcinha
Cala a boca, vai pra cozinha
Fecha as pernas, e só abre de véu e grinalda
Não chame atenção, não seja deslechada
Mas que difícil ser mulher. Que nada
Não pensa de mais, mulher sabida é cilada
É vagabunda e mal amada
Agora bem crescida
O povo fofoca quando anda
Olhar firme, batom vermelho, pouca roupa
Satisfeita bem morada
Sim, ela é a vagabunda mal amada.
Poesia platônica
Me faço de música
Mas você não me ouve
Me faço de quadro
Mas você não me olha
Me faço de cola
Mas você não se junta
Me faço de vento
Mas você não me sente
Me faço de poema
Mas você não me lê
E mesmo não me fazendo de chão
Você só me pisa.
Peixe sem nome
Certa vez
Tal peixe doente
Miserável deficiente
Vagava no mar eminente
Com sua nadadeira dormente
A danada nascera quebrada
O coitado remexia e nada
Se arrastava em meio a lama encolhido
Não sei porque Deus o fez tão sofrido
Viverá apenas e unicamente
Para minha agonia de contar sua história
Pois toda história merece ser contada
Até a do peixe sem rosto, sem cor
E sem vida.
Sentir
Escrevo a ti como nem sou eu
Sem drama sem trama sem manha
A verdade da minha banalidade
Sublimimente rente a mente
Contente me sinto carente
A dádiva da dor, do fátidico amor
Desatino, desmancho por inteira
Chorando e rindo de meu desespero
Sentir é uma regalia
Viver oque se sente é poesia.
Amei
Comparam a mim um dia
O amor a um cálculo matemático. Quem ousa dizer
Que meus amores não passam de paixões banais!
Querendo convencer-me que amor só é amor reverente, partindo de fórmulas fundamentais
Bem, amo assim, com fim, em um momento que se eterniza em mim.
Amo despreocupada vivendo de puro amor inocente
E amo tanto amar sem ser carente, amar algo como que se vive dele.
Eu vivo do meu amor.
Meu futuro amor
Querida vida
Tudo que lhe peço é um amor
Exijo apenas que seja sincero
Despido de vaidade
Que seja de verdade
Singelo, carregado de Espontaneidade
Quero de um jeito que nunca vi
Mas anseio por sentir
Não desejo tal
Para tampar vazios
Isso é tarefa para mim mesma
Mas que meu amor
Seja minha fortaleza
Ternura em riqueza isso é beleza
Não exijo que fique comigo
Quero viver em zona de perigo
Dizem que amor é fogo... bem
Que me queime
Por cada átomo do corpo
Enfim poderei me tranquilizar
Ter algo por zelar
Meu segredo profundo
Vou amar até ser defunto
Que seja por acaso
Saberei por um simples esmo
Porque sou boa em sentir
Se não fosse ai de mim
Então não irei me preucupar
Minha hora vai chegar
Me resta apenas esperar.
Sufoco
Viver é tão desconcertante
Casca que inflama
Lágrima que não derrama
Estamos bem piores que antes
Piores que vampiros
Matando sem retirar o sangue.
Assasinato da flor
Flores sempre bonitas
Sejam Margaridas ou tulipas
Flores morrendo a toda hora
Rosas brancas ou rosas
Em sua romântica morte
Pobre girassól sem sorte
Arrancado do galho
Como prova de amor
Esquecido de vez
Num jarro sem cor.