Poemas
3As nuvens de agosto
Lambi a nuvem
pendida
fofa inocente no céu
Quem diria
nada doce
nenhum gostinho
de mel:
Nuvens pairam no horizonte
como espumas do passado
quem provou da sua fonte
sabe o que é sabor salgado
O meu amor
me dizia
Nuvem é qual
algodão doce...
Bem desconfiei que não fosse!
Que era branquinha
é de sal
Pois a nuvem, sim senhor
nuvem é feita de vapor
não de mar, de rio, de lago
mas de lágrimas de dor:
...chuva chora
lava o rosto
cai ao chão
e se evapora...
E lá se vai todo desgosto
flutuando céu afora
formar as nuvens de agosto
com nossos prantos de agora
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As nuvens de agosto
Lambi a nuvem
pendida
fofa inocente no céu
quem diria
nada doce
nenhum gostinho
de mel:
Nuvens pairam no horizonte
qual espumas do passado
quem provou de sua fonte
sabe o que é sabor salgado
O meu amor
me dizia
Nuvem é como
algodão doce...
Bem desconfiei que não fosse!
Que era branquinha
é de sal
Pois a nuvem, sim senhor
nuvem é feita de vapor
não de mar, de rio, de lago
mas de lágrimas de dor:
...chuva chora
lava o rosto
cai ao chão
e se evapora...
E lá se vai todo desgosto
flutuando céu afora
formar as nuvens de agosto
com nossos prantos de agora
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Fantasia de uma noite de verão
Eu hoje, às vezes, me pergunto como era:
Um pesadelo, algum boato ou se existia
Nos dias antes do brotar da primavera,
Só solidão, longo fastio, tarde sombria?
O sol chegou já revogando o que houvera
Com um gesto quente acalentou a noite fria
Lambeu da terra sua geada mais severa
E a fecundou com mil sementes de alegria
E hoje há dálias, há alecrins e há violetas
A brisa morna é a terna mão que acaricia
Nesse jardim canta um coral de borboletas:
A dor da noite converteu-se em ardor do dia!
Eu beijo cores, toco cheiros, bebo flores
E que me lembre sempre foi essa harmonia:
A noite avança em serenata de cantores
E o dia escorre em galopante sinfonia
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