Claudio de Jesus

Claudio de Jesus

n. 1971 BR BR

n. 1971-06-24, Novo Hamburgo

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Fantasia de uma noite de verão

 

Eu hoje, às vezes, me pergunto como era:

Um pesadelo, algum boato ou se existia

Nos dias antes do brotar da primavera,

Só solidão, longo fastio, tarde sombria?

 

O sol chegou já revogando o que houvera

Com um gesto quente acalentou a noite fria 

Lambeu da terra sua geada mais severa

E a fecundou com mil sementes de alegria

 

E hoje há dálias, há alecrins e há violetas

A brisa morna é a terna mão que acaricia

Nesse jardim canta um coral de borboletas:

A dor da noite converteu-se em ardor do dia!

 

Eu beijo cores, toco cheiros, bebo flores 

E que me lembre sempre foi essa harmonia:

A noite avança em serenata de cantores

E o dia escorre em galopante sinfonia

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Poemas

3

As nuvens de agosto


Lambi a nuvem

pendida

fofa inocente no céu

Quem diria

nada doce

nenhum gostinho 

de mel:

 

Nuvens pairam no horizonte

como espumas do passado

quem provou da sua fonte

sabe o que é sabor salgado

 

O meu amor

me dizia

Nuvem é qual

algodão doce...

 

Bem desconfiei que não fosse!

Que era branquinha

é de sal

 

Pois a nuvem, sim senhor

nuvem é feita de vapor

não de mar, de rio, de lago

mas de lágrimas de dor:

 

...chuva chora

lava o rosto

cai ao chão

e se evapora...

 

E lá se vai todo desgosto

flutuando céu afora

formar as nuvens de agosto

com nossos prantos de agora

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As nuvens de agosto

 

Lambi a nuvem

pendida

fofa inocente no céu

quem diria

nada doce

nenhum gostinho 

de mel:

 

Nuvens pairam no horizonte

qual espumas do passado

quem provou de sua fonte

sabe o que é sabor salgado

 

O meu amor

me dizia

Nuvem é como

algodão doce...

 

Bem desconfiei que não fosse!

Que era branquinha

é de sal

 

Pois a nuvem, sim senhor

nuvem é feita de vapor

não de mar, de rio, de lago

mas de lágrimas de dor:

 

...chuva chora

lava o rosto

cai ao chão

e se evapora...

 

E lá se vai todo desgosto

flutuando céu afora

formar as nuvens de agosto

com nossos prantos de agora

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Fantasia de uma noite de verão

 

Eu hoje, às vezes, me pergunto como era:

Um pesadelo, algum boato ou se existia

Nos dias antes do brotar da primavera,

Só solidão, longo fastio, tarde sombria?

 

O sol chegou já revogando o que houvera

Com um gesto quente acalentou a noite fria 

Lambeu da terra sua geada mais severa

E a fecundou com mil sementes de alegria

 

E hoje há dálias, há alecrins e há violetas

A brisa morna é a terna mão que acaricia

Nesse jardim canta um coral de borboletas:

A dor da noite converteu-se em ardor do dia!

 

Eu beijo cores, toco cheiros, bebo flores 

E que me lembre sempre foi essa harmonia:

A noite avança em serenata de cantores

E o dia escorre em galopante sinfonia

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