Cleberson Eduardo da Costa

Cleberson Eduardo da Costa

n. 1975 BR BR

Cleberson Eduardo da Costa (mais de 100 livros publicados, muitos deles traduzidos para outros idiomas), natural do Rio de Janeiro, é Graduado em Pedagogia (UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro/1995-1998), Pós-graduado em educação (UCAM – Universidade Candido Mendes).

n. 1975-07-28, Rio de Janeiro

Perfil
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JUIZ MORO OU NIETZSCHE?

1- Para Aristóteles, filósofo da antiguidade grega, "A VERDADE É A ADEQUAÇÃO DO PENSAMENTO À COISA REAL";

2- Para o juiz Moro, contrariando Aristóteles, "A VERDADE É A CONVICÇÃO" ;

3- Para Nietzsche, contrariando o juiz Moro, "AS CONVICÇÕES SÃO MAIS INIMIGAS DA VERDADE DO QUE AS MENTIRAS...".
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Biografia
CLEBERSON Eduardo da Costa (mais de 100 livros publicados, muitos deles traduzidos para outros idiomas) é natural do Rio de Janeiro, formado pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro/1995-1998), Pós-graduado em educação, Pós-graduando em Filosofia e Direitos Humanos, Pesquisador, Professor universitário, Especialista em metodologia do ensino superior, Pedagogo, Livre-pensador, Licenciado em Fundamentos, Sociologia, Psicologia e Filosofia da educação, Didática, EJA (educação de Jovens e adultos), etc.
Além disso, foi aluno Especial do Mestrado em Educação (1999-2001/PROPED/UERJ), matriculado, após aprovação em concurso, nas disciplinas [seminários de pesquisa] “ESTATUTO FILOSÓFICO” (ministrado e coordenado pela professora Drª Lilian do Vale); e “POLÍTICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL E NA AMÉRICA LATINA” (ministrado e coordenado pelo professor Dr. Pablo Gentili).
Estudou também no curso de MBA em Gestão Empresarial pela FUNCEFET/RJ/Região dos Lagos (2003-2005); no curso de Pós-Graduação em Administração e Planejamento da Educação pela UERJ (1999-2000); e realizou vários cursos livres e/ou de aperfeiçoamento nas áreas da filosofia e da psicanálise por instituições diversas, entre elas a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a SBPI (sociedade brasileira de psicanálise integrada).
De 1998 a 2008, atuou como professor de ensino superior (Instituto Superior de Educação da UCAM/universidade Cândido Mendes) nos campos universitários de Niterói, Nova Friburgo, Araruama, Rio de Janeiro, Teresópolis, Rio das Ostras, etc. Participou (em sua trajetória profissional e/ou intelectual acadêmica) de diversas pesquisas, como, por exemplo, o projeto UERJ-DEGASE, relativo à (EJA) e também em pesquisas centradas em problemáticas políticas, filosóficas e pedagógicas com professores renomados, como Pablo Gentili (UERJ/CLACSO), Cleonice Puggian (UNIGRANRIO), Carla Imenes (UEPG), Cristiane silva Albuquerque (UERJ), entre muitos outros.
Atualmente dedica-se à docência universitária; a pesquisas em educação; a consultorias relativas à educação, no sentido do aprimoramento, da superação e do desenvolvimento humano; à realização de palestras acadêmicas e multiorganizacionais e à produção de obras nos mais diversos campos do saber.

Poemas

23

O OPOSTO DO AMOR

O oposto do amor
Não é a indiferença,
Nem tampouco o ódio,
Como muitos pensam ou dizem.
Mas o poder.

Quanto mais poder
Você quiser exercer
Sobre quem diz que ama,
Menos essa pessoa irá te amar:
1-    Suportar-te não é amar-te;
2-    Depender de ti não é amar-te;
3-    Vender-se a ti não é amar-te;
4-    Subordinar-se a ti não é amar-te;
5-    Ter gratidão a ti não é amar-te...

O amor precisa de liberdade.
O amor só dura em liberdade.
O amor é e sempre será livre.
O amor é livraria.
O amor liberta e não aprisiona.
O amor emancipa.

Sem liberdade no amor,
Sem livrarias,
Os livros raros não podem ser lidos...
E muito menos compartilhados...

Não apeguem-se aos livros que,
Muitas vezes apenas pela metade,
Vocês leem, e muitos menos ainda aqueles
Que vocês só escolhem pelas capas.

Doem-se. Doem-se como livros!
O amor é uma dádiva!!!
O amor precisa ser compartilhado.
653

DERRADEIRA

No amor,
Doce como Jiló;
No trabalho,
Produtiva feito um bicho preguiça;
Na família,
Amada como uma barata;
Entre amigos,
Adorada como os falsos e interesseiros...

Um dia, por conselho de uma amiga,
Resolveu ir à igreja.
Na igreja, depois de algum tempo,
Passou a ser adorada feito o diabo.

Certo dia, antes de dormir,
Odiando a si mesma, peguntou a Deus:
- Deus, por que me fizestes tão derradeira assim?
Deus imediatamente respondeu:
- Eu criei a mulher, e não o que fizestes de ti. Por favor, derradeira, não ponhas a culpa em mim!!!
605

PESSOAS MADURAS ENSINAM APRENDENDO A AMAR

Se o desejo ou a libido é o que move a vida, e se só desejamos o que não temos, então o amor não é “completude”, como muitos acreditam, mas “falta”: uma busca constante.
E por dois motivos:
1- Na juventude, ainda que existam exceções, buscamos a beleza física;
2- Quando amadurecemos, muito além dela, buscamos também a beleza da alma.
Ou seja, se os jovens amam, eles amam porque desejam amar; e se as pessoas maduras amam, elas amam porque ensinam aprendendo a amar.
617

O VERDADEIRO AMOR

Quem sempre vive em dúvidas entre dois ou mais amores não ama nenhum deles (se amasse não viveria em dúvidas). O verdadeiro amor te abduz de todos os outros ditos possíveis amores: ele te torna visionário para a felicidade e, sendo assim, cega-te e mortifica-te para os encantos de qualquer outra pessoa; ele despreza tudo o que não seja o objeto do seu desejo.

O verdadeiro amor é fiel não por uma mera questão de caráter, ética ou moral, mas porque é da sua própria natureza sê-lo. Dizem que a gente só ama de verdade uma ou duas vezes na vida – e isso tem lá o seu fundo de verdade. Dizem que o verdadeiro amor é eterno – e muitos acreditam nisso.

Penso diferente: o verdadeiro amor acontece sempre, e em vários momentos durante a nossa vida: é quando você, ainda que por pouco tempo, quando está com alguém sensacional, muito além de especial, simplesmente não lembra ou não quer mais saber de ninguém.
 
667

A VIDA SEM ARTES OU ARTISTAS É UM ERRO

A pessoa não precisa necessariamente amar a outra. Só atuar bem. Ser uma excelente atriz ou ator. Ser digna de concorrer ao Oscar. O problema é que às vezes um casal feliz de bons atores se apaixona, ou seja, quer ser feliz na vida real como na ficção. Aí muitas vezes não dá certo.

Amar e ser amado é algo quase da ordem do milagre. Vai acontecer no máximo duas ou três vezes na vida. Portanto, quer viver o menos triste possível? Não perca nunca a esperança de algum dia encontrar um amor recíproco. Todavia, enquanto ele não chega, seja o melhor ator ou atriz que você puder. A vida às vezes imita a arte. A arte é o melhor caminho para se construir novas possibilidades de vida. Seja artista. Arte é vida. A vida sem Artistas ou arte é um erro. Artistas não são pessoas falsas ou dissimuladas. A loucura deles não é doença, mas saúde interior.
704

SEXO BOM NÃO É AMOR!

Seja à primeira, à segunda ou mesmo a partir da 99ª vista, desejo, vontade, excitação ou paixão se confundem com amor e, se o sexo for bom, a gente é capaz de jurar – mais de mil vezes e para quem quiser ouvir – que é amor.
Mais:
1- A gente é capaz de querer casar em dias, semanas ou meses;
2- A gente é capaz inclusive de – cegos de paixão, viciados em sexo bom – sermos fiéis a pessoas promíscuas e poligâmicas, ainda que elas nunca tenham prometido nem exigido de nós fidelidade alguma;
3- A gente é capaz de se tornar cativo (por insanidade própria) de pessoas sem caráter e sem o mínimo de humanidade e respeito por nós;
4- A gente é capaz até mesmo de inverter a realidade:
A - De sofrermos pensando que estamos felizes;
B - De sermos usados pensando que estamos sendo amados.

Moral: se você é “humano, demasiado humano” (Nietzsche/1844-1900), não despreze o sexo bom, porque sexo é vida. Entretanto, lembre-se: morte é viciar-se nele; morte é confundi-lo ou querer colocá-lo no lugar do amor.
 

610

MULHERES TRAÍDAS E SOLITÁRIAS

Vai-se a primeira mulher traída e solitária...

Vai-se outra... mais outra... Enfim centenas

De mulheres vão-se das tristezas dos lares...

– Apenas calam-se sigilosas suas moradas...

 

À noite, quando voltam das ritualísticas noitadas...,

Os machistas encontram-nas serenas, plenas,

Belas adormecidas, felizes açucenas violadas...

Por outros voluptuosamente bem regadas...

 

Também dos desejos onde desabotoam, ecoam...

Os afetos e corpos das mulheres sedentas voam...

Como pombas que, saciadas, voltam aos pombais...

 

Os homens que as traem mentem que as amam...

Elas, porém, quando entregam-se a outros sonham...

Porque aos tais já não amam mais...

850

A FENOMENOLOGIA DO AMOR

O que existe, de tudo o que dito existe,
É somente o que revela a nossa intenção...
Seja ela a do corpo, do espírito, do espanto,
Da intuição, da curiosidade ou da razão...
 
O que persiste, de tudo o que dito existe,
É somente o que revela a nossa vontade...
Seja ela a da alma, da paixão, do encanto,
Do beijo, do coração ou da necessidade...
 
Toda consciência é consciência “de”.
Só amamos, odiamos, ouvimos, vemos,
Aprendemos, tocamos, percebemos...
O que tem sentido para nós de ser...
 
O significativo é o que cativa e abduz...
A nossa alma, corpo e consciência...
E todo o resto para nós não existe...
É desprezo, inclusive, a tudo o que insiste:
É ausência, displicência, indiferença...

570

O QUE É NECESSÁRIO PARA SER UM FILÓSOFO?

De tempos em tempos, no meio acadêmico ou fora dele, nas situações cotidianas mais corriqueiras ou inusitadas, muitas vezes também na sala de aula, tenho ouvido a seguinte pergunta:

1 - O que é necessário para alguém considerar-se ou ser considerado um filósofo?
Em outras palavras:
2 - Qualquer pessoa, independentemente se possui estudos e/ou formação adequada, pode ser considerada um filósofo?
 
 I – RESPOSTAS NA VISÃO DO SENSO COMUM
 
Na visão do senso comum, diz-se, por exemplo, embora não seja do consenso de todos, que:  
1 - Qualquer pessoa pode ser um filósofo, conquanto que possua suas faculdades intelectuais plenamente em funcionamento, pois se a racionalidade é a primeira exigência para que alguém se torne filósofo, e se todos os homens possuem racionalidade, logo todo ser humano pode tornar-se filósofo.
No que se refere à questão sobre se há a necessidade de uma formação em filosofia para ser considerado e/ou considerar-se filósofo, diz ainda o senso comum que:
2 - Não é necessário possuir um conhecimento formal em filosofia, nem construir um sistema, nem tampouco ter o aval da instituição que confere o título de  filósofo. Isto é:
3 - Que, tal qual um dia defendeu  Aristóteles, a filosofia nasce de um sentimento, não de uma formação acadêmica ou de um título conferido por homens.
Por esta via, segundo os defensores desse discurso, o sentimento necessário para nascer o filósofo em nós é o espanto: o espanto diante da realidade, o qual nos deve impulsionar a indagarmos.
 
 II – RESPOSTAS NA VISÃO CRÍTICA
 
 Os argumentos acima, estruturados sob silogismos, envolvem-nos em princípios lógicos que, como talvez desconheçam muitos, tentam-nos convencer do seu status de veracidade e/ou de verdade. Entretanto, em oposição férrea aos defensores de tais disparates, afirma-se e reitera-se: lógica nem sempre é sinônimo de verdade; lógica nem sempre é sinônimo de veracidade.
A fim de elucidar o que se diz, tomemos um simples exemplo de argumentos lógicos, mas que são falsos dentro do quesito veracidade e/ou verdade, a saber:
 
1- O senso comum diz que o amor é cego; 
2 - O senso comum também diz que Deus é amor. 
Logo, por uma ordem lógica, poderíamos absurdamente concluir:
3 - Que, todos os cegos, além de trazerem o amor em si, são deuses.
 
Ou seja, como defendera Aristóteles, o argumento lógico só traz um teor de veracidade ou de verdade (só pode ser válido) quando existe nele uma adequada correspondência do pensamento a coisa real.
Esclarecidos esses pontos, vamos agora então à questão sobre "O que é preciso para alguém poder ser e/ou ser chamado de filósofo?". 
II
 O simples fato de ser-se homo sapiens e estar em plenas faculdades mentais não dá a ninguém as condições para ser um filósofo.
Os homens, diferentemente de todos os outros seres, não nasceram pré-determinados para nada, muito menos para o exercício pleno da razão. 
O homem nasceu, diferentemente de todos os outros seres, com um "que-fazer" humano, ou seja, com uma abertura para “ser” ou “não ser”: alguns homens se educam (não se confunda o educar-se com o meramente socializar-se ou adquirir cultura), se humanizam (no sentido de se emancipar intelectualmente), e outros se animalizam, no sentido pejorativo e minimizado da palavra. 
Em outras palavras, nascer homem, homo sapiens, não dá a esse ser o status de humanização. Leia-se Kant, em sua obra “Sobre Pedagogia”, que diz: "Os homens precisam de cuidados e de formação"; "o homem é aquilo que a educação dele faz".
Isto é, filósofos não nascem filósofos simplesmente porque – enquanto seres humanos –pertencem à espécie homo sapiens e/ou gozam de boas faculdades mentais.
Se ainda resta alguma dúvida, atente-se para a teoria Aristotélica sobre o ATO e a POTÊNCIA. O Ato é aquilo que se é; e a Potência é aquilo que se traz em si, mas que ainda não se é, que no Ser ainda não se realizou. 
Para a passagem do Ato para a Potência é preciso a intervenção de um Agente Transformador, ou seja, para Aristóteles, o homem é um ser social e um animal político.
Nesse sentido, filósofo não é aquele que cria ou constrói algo do nada: o único ser que faz isso, seja lá quem ele for, acredite quem quiser, é Deus. Isto é, sem fundamentos, fundamentações, ainda que em grupo, ainda que de maneira dialógica e coletiva, não se filosofa, não se constrói conhecimentos, mas apenas se socializa a ignorância.
III
Com esse discurso, todavia, não se está dizendo que somente aqueles que passam pelos sistemas acadêmicos é que podem ser chamados de filósofos. Hoje, com o avanço das novas tecnologias da informação, os espaços de aprendizagem se tornaram mais amplos. Ainda assim, o problema permanece: a falta de autonomia intelectual.
Autonomia intelectual não é somente ser capaz de raciocinar com argumentos lógicos, mesmo porque, como já dito no início, mas que aqui ainda vale redizer, lógica nem sempre é verdade, lógica nem sempre é veracidade. 
Um homem, pensa-se aqui, para ser filósofo de fato, tenha ele formação acadêmica ou não, precisa ser dotado de inteligência.
Alguns, nessa hora, talvez se perguntem: mas o que é inteligência? E mais: Todos os homens, simplesmente por pertencerem à espécie humana, por serem homo sapiens, já não são inteligentes?
Muito além do sentido vulgar que  tem sido dado ao termo “inteligência”, que a identifica com as meras capacidades de aprendizagem, Nietzsche responde: "A inteligência é a vida que clarifica a própria vida".
Nietzsche diz-nos mais: "O filósofo é o homem do amanhã; é aquele que cultiva a utopia; é aquele que recusa o ideal do dia”.
Sendo assim, para aqueles que acreditam que qualquer ser humano, simplesmente por pertencer à espécie homo sapiens, é por isso também dotado de inteligência, perguntamos-lhes: 
 
1- Quantos de nós temos diuturnamente lutado para clarificarmos as nossas próprias vidas? 
2- Quantos de nós temos recusado o ideal do dia? 
3- Quantos de nós temos cultivado a utopia?
 
Não sejamos ingênuos! Frise-se: o que Aristóteles chamou de Espanto, Heidegger chamou de Angústia e Sartre de Náusea.
Quando Aristóteles disse que do “espanto” faz-se nascer o filósofo, ele não quis dizer que o espanto é o estado de ou do filosofar.
O espanto é apenas a semente. Isto é, todo ser humano, simplesmente por ser jogado no mundo sem saber a razão e nem o porquê, é provocado para o filosofar, mas, somente poucos, a partir daí, filosofam e/ou buscam filosofar de fato.
Após o espanto, o processo é, na maioria das vezes, trágico. Ou seja, depois do “espanto” diante do mundo, embora não saibam muitos, só resta ao Ser três possibilidades:
  1. A) Tentar voltar a ser ele mesmo: fingir que nada lhe ocorreu; querer esquecer o “espanto” ocorrido e voltar à vida dita “normal” o mais depressa possível;
  2. B) Não conseguir superar “o espanto”: não conseguir refazer-se, isto é, enlouquecer, ter o seu eu destruído e/ou dissolvido na massa humana (segundo Heidegger, essas são duas outras possibilidades trágicas que ocorrem com os homens ditos comuns, que não se superam, transcendem e/ou reafirmam as suas identidades);
Ou, num outro viés profícuo, transcender, ou seja:
  1. C) Filosofar, isto é, questionar o porquê do seu espanto, tentando superá-lo, seja com ações pró-ativas, seja emitindo um juízo crítico e avaliativo de valor sobre o mesmo.
Filosofar, nesse sentido, como se pode perceber, é, além de se espantar, ser capaz de transcender, ou seja, de atribuir sentido à vida e/ou ao próprio ser que nela fora jogado sem ter pedido e/ou sem saber a razão e nem por quê.
IV
Dentro desse contexto, as indagações agora seriam outras, e cada qual responda-se se puder, isto é, Já que o espanto, a náusea e/ou a angústia fazem parte da vida de qualquer ser humano, a questão é:
 
Sem o acesso a uma educação de qualidade, fundamentada (ainda que essa não seja uma regra), quantos de nós logramos, temos logrado ou supostamente lograríamos de fato algum êxito diante deles? (dos espantos, náuseas e/ou angústias da vida).
 
Em outras palavras:
 
Diante dos espantos, náuseas e/ou angústias cotidianas, na maioria das vezes, por falta de uma formação, temos quase sempre tentado voltar à vida dita normal, enlouquecido um pouco a cada dia, ou, num outro cenário, que por sinal tem sido o de poucos, de fato transcendido, ou seja, nos transmutado em filósofos?
 
O que se evidencia é que, hoje, os verdadeiros filósofos são aqueles que, fundamentados, são capazes de avaliar e dizer o contrário, de pensar diferente.
Nenhum filósofo é deficiente mental, mas, quase sempre, em virtude dessa capacidade de transcender, ele é também quase sempre, pelo senso comum, chamado de louco.  Isto é, ser chamado de louco é um dos primeiros espantos, náuseas e/ou angústias que se direcionam a todo aquele que, onde muitos não problematizam, decide filosofar e/ou pensar diferente.
Segue-se então a mesma problemática:
 
1- muitos, diante da incapacidade de superarem seus estados de espantos, náuseas e/ou angústias, desistem de buscar filosofar e voltam a comungar dos mesmos valores e “verdades” do senso comum que regem o bom senso;
2- outros, não suportando à pressão de serem chamados de loucos, de diferentes, tornam-se loucos ou deficientes mentais de fato;
3 – poucos, como Nietzsche, mesmo ao serem chamados de loucos, apenas filosofam, transcendem, e explanam respondendo-lhes: “O que dizem em mim ser loucura chamo-a apenas de saúde interior”.
 
Ou seja, para ser filósofo, além de nascer-se homo sapiens, é preciso também fazer-se capaz de transcender, de avaliar e de atribuir sentido à própria vida e ao mundo em que se vive, buscando respectivamente transformá-la e transformá-lo sempre que se fizer necessário.
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ODE AOS INIMIGOS I

Obrigado,
Por me conduzires enganado,
Seduzido,
Alienado,
Bem-tratado,
Apaixonado...
À beira do abismo... (e de lá me empurrar...).

O que não sabias,
E hoje sabes,
É que Deus tem o poder de ressuscitar...

De tanto o inimigo me fazer cair...
E Deus me levantar,
Aprendi a nele sempre confiar
E, hoje, pela fé,
Sou até capaz de levitar...
 
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