Desenha-mo-nos lentamente percorrendo flancos lambendo o desejo que corre pela pele.
Desejo-te! Arrepio-te a vontade de me teres agora toda.
Deseja-me! Arrepias-me vontade de te ter agora todo.
Bebo-te! Bebe-me!
Cresce a ânsia de te desenhar de me desenhares com lápis de cera de lua. As bocas são o palco onde as línguas vão dançando ao nosso sabor sem critério...
Esboçam o abrir das minhas pernas o afastar das tuas e as línguas percorrem-nos bailam em nós ávidas!
Cai amor pelo chão enquanto nos tocamos. Néctar! Pingam gestos estalactites na gruta onde nos escondemos. É de pó de cumplicidade esta delícia que bebemos celebrando as festas das danças dos corpos desenhados pelas nossas línguas.
À flor da pele da minha semeias arrepios. À entrada da pele da tua deponho este frio moldado soprado a quente.
Amaciamos o silêncio num jogo de luzes de olhares.
Recolhe-te em mim. Vem passear-te sulca o trilho percorre-me deixa que eu use e abuse que de todo me lambuze te levante cada pedaço de pele pousando neles meus olhos nocturnos te percorra os silêncios com os meus gemidos me derrame me desnude mas no instante em que nos despirmos vamos vestir-nos
Serena a montanha quando acorda Com ela acordam cheiros fragrâncias que se espreguiçam como risos azuis buscando o dia
Despertam árvores estendendo ramos
Renasço paulatinamente no respirar do teu corpo descansado
Deixa que me deite no leito da tua pele para que te sussurre: Espalha o teu sonho pelo meu avesso.
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Borboleta
Leve o sentir da asa por dentro... onde me aconteces.
Antecipo tudo o que vou sentir cada vez que te penso, como se fizesse um rol do que devo guardar, por me ser tão raro o horizonte do teu rosto, o reflexo no meu.
Apetece-me entrar pela janela do teu corpo. Apetece-me parar em cada um dos teus lugares. Apetece-me até que te demores para que me apeteça ainda mais dizer-te como me apetece tanto a pressa que tenho de ti.
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Sentados num muro
Interrompo o desfiar do corpo pelos chãos verdes, testemunhos que são de passeios leves.
Neles se estendem agora folhas brancas, nuvens, colocadas ali com todo o cuidado por deuses, nos seus interlúdios merecidos, prenhes da resposta à pergunta que um poeta faz, tão mais absorto está que as divindades.
Deleito-me ante aquelas sombras, a tua, a deles...
Olho-as e já as vejo tornadas corpos cintilantes pingando do céu como que esvoaçando pelas noites cerúleas.
[Pareço divagar, parece que nada do que digo faz sentido, mas espera... Apodero-me do que pensas, procuro responder, imaginando que são para mim as perguntas, todas as que não fazes, que adivinho. Espera então, porque já sou eu que me questiono que descaradamente inverto os papéis.
Deixa-me continuar este devaneio, retomar o fio por em ordem o que penso, o que te quero dizer, fazer sentir.]
Vão ser lavradas, sulcadas por pensamentos, aradas, as nuvens. Vão alagar-se de suspiros que choverão dos teus dedos entrelaçados ludicamente nos meus... Tornar-se-ão regadios que nos encherão, tornando-nos campo exuberante.
Mas mesmo assim, continuarão brancas, enquanto, incólumes, nascerão de nós dias róseos, nascerão de nós mais histórias, onde correremos descalços. Silenciar-se-ão por fim, aquietar-se-ão, aconchegar-se-ão até adormecerem, deixando-se apenas deslizar pela pergunta, margem de um rio que não cruzamos com medo de nos afastarmos do quanto nos queremos.
Se olharmos bem, estarão dois vultos que se passeiam na outra margem.
Se olharmos bem, cruzaram o rio, o receio ficou ancorado do lado de lá.
Se olharmos bem, conseguiremos, até, vislumbrar uma cidade, espécie de lugar onde ficaram as espadas...
E já é um jardim aquela margem, um canteiro de cravos e de rosas, e, mais ao fundo, um muro de pedra...
[Alonguei-me, perdoa, mas valeu a pena.]
Se olhares bem, pousada no muro está a resposta, está um lugar onde já estou sentada, onde também já estás e um outro lugar bem no nosso meio, um espaço que espera, ansioso, pela frase guardada.
Enchamos então o silêncio, Meu Amor, porque é nosso, por direito, o momento.
Vamos ver como um canteiro pleno de cravos e rosas vai ficar então completo com o que nos diremos: Quem somos na nossa memória? Duas margens que se encontraram num rio.
Afinal, foi sempre parte integrante de nós.
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Por de Poema
Aparto-me do corpo Abandonando a voz num grácil descanso. Sou o teu silêncio. Sente, Devagar, Como me enleio pela tua imaginação, Como se de ti, fizesse parte. Dela, Não te separarias por nada! E porque a saberias fina, Delicada, Qual folha de papel de arroz, Apartar-te-ias do corpo, Abandonando a voz num não menos dócil emudecimento.
E assim, Incorpóreos, Existiríamos! Seríamos de quando em vez Movimento, De quando em vez Tacteio leve...
Era assim que nos víamos, Quando no céu deste lugar Nos contámos do que iríamos fazer, Quando por fim nos encontrássemos!
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Estamos juntos... Acendamos a magia deste momento E sob a luz doce que dela emana, Vamos emocionar-nos, Vamos tocar-nos sem nos tocar, Causando com que a pergunta que nos fizemos, Se deite, E adormeça, feliz.
Vamos ser a certeza de nos termos, Deitando fora a distancia, Saboreando o prazer de ver a resposta acordar Espalhando-se por nós, Tornando-se na nossa pele, Tal como este por de sol que vem aquecer-nos, Depondo no parapeito do desejo A certeza de que o amanhã é agora: Tão certo, Tão vivo, Tão quente, Tão só nosso.
Cristina, me deparei com seus poemas e fiquei em estado de extâse, você tem muita sensibilidade e talento. Pretento ler todos os seus poemas e poesias, desgustando-as pouco a pouco. Parabéns
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