Cristina Miranda

Cristina Miranda

n. 1962 PT PT

n. 1962-01-03, Braga

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Ponta da língua




Desenha-mo-nos
lentamente
percorrendo flancos
lambendo o desejo
que corre pela pele.

Desejo-te!
Arrepio-te a vontade
de me teres agora
toda.

Deseja-me!
Arrepias-me vontade
de te ter agora
todo.

Bebo-te!
Bebe-me!

Cresce a ânsia
de te desenhar
de me desenhares
com lápis de cera de lua.
As bocas são o palco
onde as línguas vão dançando
ao nosso sabor
sem critério...

Esboçam
o abrir das minhas pernas
o afastar das tuas
e as línguas
percorrem-nos
bailam em nós
ávidas!

Cai amor pelo chão
enquanto nos tocamos.
Néctar!
Pingam gestos
estalactites
na gruta onde nos escondemos.
É de pó
de cumplicidade
esta delícia que bebemos
celebrando as festas
das danças dos corpos
desenhados pelas nossas línguas.

À flor da pele
da minha
semeias arrepios.
À entrada da pele
da tua
deponho este frio
moldado
soprado a quente.

Amaciamos o silêncio
num jogo de luzes
de olhares.

Recolhe-te em mim.
Vem passear-te
sulca o trilho
percorre-me
deixa que eu use e abuse
que de todo me lambuze
te levante cada pedaço de pele
pousando neles
meus olhos nocturnos
te percorra os silêncios
com os meus gemidos
me derrame
me desnude
mas
no instante em que nos despirmos
vamos vestir-nos

tu
eu
tanto
de nós!
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Poemas

22

Não te digo que te amo


Ponho entre lábios essa vontade
serpenteio aromas de hortelã
a curva das nossas bocas.
Chovo em bagos rubros no nimbo
onde cabe o pensamento
que tal como um olhar
desagua
ansioso
pelo desejo.

Mostro-te como nos respiramos
afastando os dias mornos
enquanto percorro as ruas
que desembocam na clareira da nossa pele.
Biso em nós toda a chuva
tomo forma de ventos
voando pela malha das ruas que teci
sobre lençóis que amanhecem em vagas de espuma alva.

Vou dar voz às mãos
ouvir cada gesto
sob véus que dançam
formando nuvens róseas
onde o sol se deleita num céu
leito de deuses.

Quando voltarmos a amanhecer
nos nossos corpos adormecidos
sem nos darmos conta que o tempo acordou
conta-me o segredo de um beijo
desvenda-te num abraço
e repetir-te-ei
eternamente
num sussurro
que não vou dizer que te amo.
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Tisana

"- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum"
Eugénio de Andrade

" - Eu vi a terra limpa no teu rosto..."


e ao olhar
tomei dele o gosto
em pequenos goles
como uma tisana
que me aqueceu
por dentro...

" - Eu vi a terra limpa no teu rosto..."

fechei os olhos...
quão perto
ficaste de mim

Cristina Miranda
jan 2011
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Comentários (2)

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joaoeuzebio

Desejo te de te ter agora neste poemas belissimos viajei feito um passaro neste poema lindo Parabéns um abraço

Alberto de Castro

Cristina, me deparei com seus poemas e fiquei em estado de extâse, você tem muita sensibilidade e talento. Pretento ler todos os seus poemas e poesias, desgustando-as pouco a pouco. Parabéns