Coração magoado
amei-te numa completa entrega
amei-te numa loucura eterna
amei-te e vou amar-te
enquanto acreditar
que tu mereces
eu te amar
e o teu coração me aceitar
coração magoado, que não me deixa entrar
diz-me amor,
quando vais voltar a conseguir amar
voltar a confiar
a te entregar
serei eu capaz de te modificar
terei eu no teu coração algum lugar?
Serei eu capaz de te conquistar, coração partido
serei eu capaz de te tratar
serei eu capaz das tuas mágoas apagar
serei eu capaz de te voltar a fazer amar
Deixa que eu te cure,deixa de odiar
Deixa-te levar
Volta a acreditar
Deixa-te amar coração magoado
Deixa que eu te ame coração despedaçado
Mil pedaços de um só Eu
Mil pedaços de um só eu
Um pedaço de raiva calada,
abafada
Mil vezes num grito contida
fecundada em mim pelas injúrias da vida
UM pedaço de luxúria com um grande pedaço de ternura
Receita certa para manter viva a eterna doçura
Um pedaço de hipocrisia e de falsidade,
a que ninguém escapa com a idade.
Um pedaço de criança
essencial para se manter a esperança
Um pedaço de inocência e de sonhadora
para fazer de mim uma vencedora
Um pedaço de amor e paixão
para a vida não perder a sua ilusão
Um pedaço de ave de asas cortadas
Já incapaz de sonhar fábulas encantadas
Um pedaço de desilusão
que sangra do meu coração
Assim sou eu, mil pedaços de um só ser
Que num único poema não posso descrever
Resta ainda o pedaço que quer morrer
Aquele que já se cansou de tanto sofrer
África
Ó Terra árida
queimada
desolada
recôndito da minha alma
Ó Terra perdida
fugida
mas, tantas vezes conquistada
Ó Terra maldita
nua
insípida
manchada e desejada
Ó Terra magoada
desalmada
traída
e mal tratada
Ó Terra com que me confundo
das tuas entranhas
parida
já não sei
se sou um ser profundo
ou
um ser sem conteúdo
Terra chorada
Terra chorada,
magoada , dorida,
dentro das tuas fronteiras nem um cêntimo
vale uma vida.
Nas noites negras de profundo silêncio
soam terríveis gritos arrepiantes
suplicas de perdão
irmão espanca irmão
derramando seu sangue pelo chão
esta barbárie sem sentido
é a punição por furtar um vestido
Olho por olho
Dente por dente
Nesta terra sem lei ninguém é inocente
Já te chamaram pérola do Índico
hoje não comparas a um mero brinco
Nesta Terra sangrenta
Só consegue viver nela
quem aguenta estar rodeado
de tanta violência.
Nesta terra maldita para sempre se perde
qualquer réstia de inocência
Janela aberta
Deixei uma janela aberta.....
e tu, como brisa do entardecer,
entraste de mansinho sem te dares a conhecer.
Tua alma talhada no mais precioso diamante
resistente, iluminada e sempre desafiante.
Teu coração esculpido no mais delicado cristal,
terno, doce, para sempre imortal.
Teus olhos cansados de uma vida ver
sorriem matreiros sem nada perder.
Da tua boca pequena e delicadamente traçada,
brotam histórias de uma vida encantada,
que distraem a minha alma jovem, mas já cansada,
Sei que existes para me alegrar.
mesmo quando sei que um dia vais me deixar
Percorrestes todos os cantos do meu ser,
Enfeitiçando-me com a tua força de viver.
Contigo aprendi as virtudes que muitos pensam ter.
Contigo finalmente entendi o que significa a verdadeira nobreza do ser
Hoje choro lágrimas de pesar
Hoje já cá não estás para me encantar
Queria
Queria ser uma flor perfumada.
Queria ser a tua deusa enamorada.
Queria ser uma brisa leve na tua cara.
Queria ser um poema para alegrar a tua alma.
Queria ser o raio de sol da tua madrugada.
Queria ser o luar que ilumina a tua noite apaixonada.
Queria ser o oceano e envolver-te nas minhas águas.
Queria ser o sonho que te faz esquecer as tuas mágoas.
Queria ser uma tempestade e abalar as tuas certezas.
Queria ser um castelo onde pudesses esconder as tuas fraquezas.
Queria ser uma núvem onde pudesses descansar.
Queria ser o espelho que te vê chorar.
Queria ser apenas uma lágrima do teu amar.
Madrugada
Olho o céu
negro,
desolado,
imagem de mau agouro,
de uma vida sem sentido
nele me revejo,
rejeito-o!
Derrama-se a sua mágoa,
sobre mim.
Na minha face sinto a frescura,
cristalina,
tão pura,
sem pecado.
Não são gotas de chuva,
são lágrimas derramadas,
já sem dor,
sem sentimentos.
São vazias,
como eu!
Procuro em vão,
nesse céu,
uma réstia de um sol perdido.
Não é nele que procuro,
é nas vísceras do meu ser.
Vasculho a minha alma,
tão negra
como o meu céu,
desolada,
imagem de mau agouro,
de uma vida sem sentido!
Encontro,
o nada,
tão gélido como esta madrugada!
Magia do presente
Correm gélidas,
enegrecidas,
estagnadas,
doridas e cansadas,
as águas do teu rio.
Olhas o Douro,
percorrendo o seu caminho.
alheio à tua dor,
corre ligeiro
cumprindo com o seu destino.
O teu olhar prende-se no infinito,
sobrevoa as águas,
amarguradas,
revoltadas,
impotentes.
Tu e o rio, o rio e tu,
unidos pela mesma dor,
uma vida com um só destino,
um só destino de uma vida só.
Sopra fugaz uma brisa terna,
como uma voz que te sussurra
...vem, vem,... vem voar comigo.
Batem ligeiras,
atarefadas,irrequietas
as asas de uma borboleta,
que te sussurram,...vem, vem,...vem voar comigo
Acordas do teu sono inebriado,
da tua vida sem destino,
assustado,maravilhado.
Voas sobre o rio da tua angústia,
sobre as águas enegrecidas,
doidas, desesperançadas,
que percorrem o seu caminho.
Porque agora tens asas.
Porque agora sabes.
Que a magia do presente,
....é não ter medo do futuro!
Dança das Feiticeiras
Corpos molhados, nus e resplandecentes.
Silhuetas eróticas do teu coração.
Dançam frenéticas, alheias
e esbeltas,
as feiticeiras da tua imaginação.
Derrama-se o luar,
sobre os seus corpos,
realçam-se os seios
e as ancas desnudas.
Uivam os lobos,
olhos de fogo,
labaredas de sangue,
de almas mudas.
Dançam frenéticos os corpos nus, molhados
e quentes,
magias escondidas
de sonhos ardentes.
Esvoaça um corvo,
uma alma perdida,
negro como a noite
mas doce como a vida.
E dançam frenéticas, alheias
e esbeltas
as feiticeiras do teu olhar,
partilhando contigo
a indispensabilidade de amar
perco-me em ti
Perco-me nos teus olhos, profundos , doces,
com sabor a pecado.
Encontro-te nos meus sonhos,
num prazer antecipado.
Sonhos proibidos, incendiados,
desejos ardentes e enclausurados.
Perco-me no teu corpo
esculpido em marfim,
nas tuas promessas,
de um amor sem fim.
Perco-me na tua juventude
escaldante e inconsequente.
Relembro a minha
com saudade crescente.
és o meu Anjo de asas negras,
exploras as minhas fraquezas
De um céu caído
despertas em mim algo há muito perdido
és o meu fruto apetecido,
o meu desejo na alma contido.
Perco-me em ti,
num deleitoso perder.
Perco-me em ti,
num êxtase de prazer.
Perco-me em ti,
lutando para não me perder.
Perco me em ti,
porque simplesmente me quero perder.