cristina

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n. 1965 PT PT

n. 1965-01-23, montijo

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perco-me em ti

Perco-me nos teus olhos, profundos , doces,
com sabor a pecado.
Encontro-te nos meus sonhos,
num prazer antecipado.
Sonhos proibidos, incendiados,
desejos ardentes e enclausurados.
Perco-me no teu corpo
esculpido em marfim,
nas tuas promessas,
de um amor sem fim.
Perco-me na tua juventude
escaldante e inconsequente.
Relembro a minha
com saudade crescente.
és o meu Anjo de asas negras,
exploras as minhas fraquezas
De um céu caído
despertas em mim algo há muito perdido
és o meu fruto apetecido,
o meu desejo na alma contido.
Perco-me em ti,
num deleitoso perder.
Perco-me em ti,
num êxtase de prazer.
Perco-me em ti,
lutando para não me perder.
Perco me em ti,
porque simplesmente me quero perder.

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Poemas

12

Madrugada

Olho o céu
negro,
desolado,
imagem de mau agouro,
de uma vida sem sentido
nele me revejo,
rejeito-o!
Derrama-se a sua mágoa,
sobre mim.
Na minha face sinto a frescura,
cristalina,
tão pura,
sem pecado.
Não são gotas de chuva,
são lágrimas derramadas,
já sem dor,
sem sentimentos.
São vazias,
como eu!
Procuro em vão,
nesse céu,
uma réstia de um sol perdido.
Não é nele que procuro,
é nas vísceras do meu ser.
Vasculho a minha alma,
tão negra
como o meu céu,
desolada,
imagem de mau agouro,
de uma vida sem sentido!
Encontro,
o nada,
tão gélido como esta madrugada!
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Dança das Feiticeiras

Corpos molhados, nus e resplandecentes.
Silhuetas eróticas do teu coração.
Dançam frenéticas, alheias
e esbeltas,
as feiticeiras da tua imaginação.
Derrama-se o luar,
sobre os seus corpos,
realçam-se os seios
e as ancas desnudas.
Uivam os lobos,
olhos de fogo,
labaredas de sangue,
de almas mudas.
Dançam frenéticos os corpos nus, molhados
e quentes,
magias escondidas
de sonhos ardentes.
Esvoaça um corvo,
uma alma perdida,
negro como a noite
mas doce como a vida.
E dançam frenéticas, alheias
e esbeltas
as feiticeiras do teu olhar,
partilhando contigo
a indispensabilidade de amar
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isabel Lopes
isabel Lopes

Beijos ....