vestes de sentir
E sentes, onde estás
E sabes quando vás
aonde te perdeste
E sabes assim, sem mais
Quais os locais
Mais enamorados
Quais os jardins
Onde os prados
Que te podem dar
Essa paz velada
Esse trilho perdido
depois dessa estrada
A entrar
Por ti a dentro
A ir e voltar
Aonde tua flor silvestre
Se veste de sentimento…
Lugares velados
Nesses lugares fechados
Onde deixas sonhos trancados
Nesse bem-querer sem mais
Onde todos os dias se fazem reais
Nesse algo tão almejado
Querer sem deixar de amar
E nessa estar em verdade
que vai onde voga à vontade
Ai se perfazem os beirais
Destas ruas tais
que se desfazem
em marés de verde azulado
Quando trilho e caminho
São contigo lado a lado
E quem caminha
E assim se avizinha
É ainda teu amigo velado
Encontro e Abraço
Qual encontrar humanidade
Comunidade de vida e verdade
Qual viver sereno,
calmo simples ameno
Qual ver acontecer
Esta vida de novo a reviver
Qual em cada esquina
Uma nova cena,
uma palavra de poema,
uma cor mais garrida…
Qual voltar a sonhar
A crer e ver acontecer
neste lugar
Odes de sinfonia,
sons de melodia,
alguém que nos guia
Mais perto
Se estivesses mais perto
Nesse espaço mais certo
Se sonhasses comigo
E dançasses destino
Se aconchegasses
O que escrevo e mimo
Se ainda voltasses
Onde te deixei qual amigo
Florestas
Nessa floresta imensa
Passa o que não pensa
A ouvir seus passos no ar
Entre a ramagem
Suavidade e fina aragem
Desse sentir teu respirar
E nas sombras iluminadas
Vitrais dessas antigas moradas
Voltar a ser qual coração a palpitar
E em teu redor
Devagar
Descobrir essa transparência
De se saber sem pensar
E descobrir
Que o tempo a seguir
É o que já está assim a voltar
E em cada gota
Que se foi escoando
Folha a folha
Limpando
Até te poder assim tocar
Esse céu escondido
Recôndito e garrido
Vejas ali outra vez
Orla que assim se fez
Voltar a se iluminar
Aeroportos
Nestes horizontes
Onde a luz é sempre a mudar
Onde as gentes chegam
e não param de chegar;
E ao se abeirar,
alguém poderia estar à espera
Depois de tudo se ter de largar
Um tal abraço a alegrar
Esses que agora se nega
Que nos recebam devagar… sem duvidar
De que chegámos, que voltamos a estar
Em casa – qual suavidade
Entre o campo o rio – cidade
Nesse velho casario – de frio
Esse lugar de brio - no estio
Palavra traduzida em verdade
E nesse acolher, rosto familiar a se ver
E nesse voltar, a abrir portas e sonhar
Ao sair desse algo que nos estava a levar
Ver veredas ainda inexploradas
Gentes quais portas abertas jamais fechadas
Avenidas de luz e de cor, desse algo de amor
O que se leva por dentro
Para doar e se partilhar…
Se planta um pouco
entre quem e aonde
ainda se achega ao passar…
Melodia da poesia
Nessa melodia
Que se entretece
E se passa
Nessa cadencia
Que nos envolve
E abraça
Partilha serena
Qual suave pena
Na pele a poisar
Ponte de suavidade
Fina e sem idade…
Que une em verde
Sem deixar definir
Tempo a se prolongar
Frase sem se findar…
Sentido do sentimento
Que ora lembramos
Ora levamos por dentro
Saltitar nas letras
E ver assim passar
Estradas estreladas
Pontos de luz e alvoradas
Nesse teu céu interior…
E sentir renascer
Esse voltar a crer
Por devoção
Por amor
Por simples dar
Sem esperar
Receber
Mais que a atenção
Assim sendo dispersa
Em gotas desse calor
Em claridade desperta
Celebrar sem estar em festa
Assim qual o se reencontrar
Quem junto a nós se apresta
Entregar simples e sem mais
Deixar fluir essas melodias iguais…
E transformar fantasias em sonhos
Reais melodias em cantos risonhos
E entre esses íntimos espaços
Ecos de vida num puro abraço
Dar, e dar de si sempre…
Num poema, qual novo tema
Assim ecoando entre a gente
cerne de poesia
Mergulhar
Hino profundo
Nesse confim
Entre a verdade
e o mundo
Estender
Pontes de vida, coragem
Reconhecer
Qual na brisa
o tempo em passagem
e saber
Voltar
Em estrofes de sonho
o contar
A pairar
trazer,
devagar
À tona
Dessa nova consciência
Essa tal cadência que se procurava
Essa melodia que não se encontrava
Essa suavidade frágil e subtil,
Essa idoneidade de ser dúctil
Entre seres assim a se assumir
Humanos e irmanados
pelo tema desse algo a surgir;
Voar na asa do tempo
Quando o tempo não passa
Não traz nada novo na asa
Poder voltar a voar e vogar
Nesse nosso ser à vontade
nesse amplo mar sem idade
essa balançar de suavidade
Que leva mais além
nos traz a bem
veredas novas, inexploradas
Ilhas a beira mar varadas…
A espera da primeira pisada
Nessa areia nossa, molhada
A que nos sabe e nos ama…
Salgada melancolia sagrada
Quando ai poisamos o ser…
E repousamos
Nesses belos recantos de anos
Sem saber esquecer
E voltamos
Assim por bem querer
Ora dar e partilhar
Ora reconhecer nosso lugar
Abrir frestas entre janelas fechadas
entrar por portas que estavam deixadas…
Por acaso, no coração ao lado, esperando
Uma nova primavera, uma outra janela
Para se abrir de par em par, sorriso amigo
Abraço sempre prometido
Pontes de vida e verdade
Nesse algo entre o inspirado e a sobriedade
Essa força que ainda chamamos humanidade
Mais além ainda encontrar alguém
Trilhos dessa nossa amenidade
por entre o coração da cidade,
Lugares capitais,
interesses reais...
E nesse confluir devagar
Sangue vital a brotar
passar a ser-se igual
Para tomar seu lugar
Ali onde a vida permanece
Aonde o ser humano
jamais se esquece
Desse calor sempre sagrado...
À rotina do dia a dia profano