DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR
DENILSON MARQUES, pseudônimo Dante Negro, natural do Rio de Janeiro, escritor, poeta, ensaísta, artista plástico e Design Gráfico pela Control C, Servidor Público, Formado na área de Ciências Humanas (Filosofia/UERJ e Teologia/ IBADERJ), Psicanálise e Pós-graduação em Psicanálise pela SETEAD. participou das antologias Poesias e Contos Grandes Talentos pela Litteris Editora/93, Devaneios e Mutações/94 pela Taba Cultural Editora, Menção Honrosa no Livro de Poesias, Crônicas e Contos dos Servidores Públicos pela Fesp/95 e Ceperj/10.
Participou da Coletânea das 30 melhores poesias do ano de 2005, patrocinado pelo Jornal Koisas do Rio. No ano de 1999, divulgou a 2ª edição do Livro Canções dos Jogos do Amor e Outros Poemas e participou de 02 (duas) Exposições de Artes do Clube Naval em 2006 e 2007 e Antologia Poética do Grupo Meriti Fazendo Arte (2005) e do Prêmio de Poesia do Sesc/Tijuca (2005).
Publicou seu primeiro livro de poesia CANÇÕES DOS JOGOS DO AMOR, em Outubro / 98 e a 2ª Edição no ano de 1999, em seguida os livros: AS DESATENÇÕES DO AMOR E DA VIDA (Maio/2013 – 1ª Edição), pela Letras e Versos Editora e A CELEBRAÇÃO DA AMADA (Nov/2013 – 1ª Edição e Dez/2014 - 2ª Edição), pela Editora Multifoco; SONETOS DA MATURIDADE (Abril/2016) pela Letras e Versos Editora, DRUMMONDIAR, A ARTE DE PENEIRAR COISAS NO TEMPO (Nov/2018), A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 1 (Nov/2018 - 1ª Edição) e (Maio/2019 – 2ª Edição), pela Editora Autografia. O ESPINHO NÃO FERE A ROSA, Fontenele Edições, Dez/19 e SONETOS DA ILHA DO AMOR E MATURIDADE e A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 2, Editora Autografia, ano 2020. Atualmente dedica-se a escrever e a pintar, transpondo também a poesia para suas telas.
INTRODUÇÃO AO LIVRO SONETOS DA ILHA DO AMOR
Ao tratar do tema Sonetos da Ilha do amor, me vem a felicidade de haver realizado mais uma obra magnífica e especificamente, nesta posso homenagear uma terra tropical e de eterna magia, conhecida como a Ilha do amor e Atenas brasileira, ou seja, São Luís do Maranhão que é Patrimônio Cultural da Humanidade, nos encanta com suas casas entalhadas pela tradicionalidade portuguesa, trazendo o que há de moderno na cidade, parecendo contrastar com o que vemos nas construções, de uma beleza exuberante e clássica, no registro das marcas significantes em sua arquitetura pelas nuances da arte barroca; ver os designes dos azulejos que vigoram e os entalhes das pedras portuguesas, muito nos encanta, com sua exuberante paisagem e belos desenhos arquitetônicos, a cidade também conhecida como a do Reggae, nossa Jamaica brasileira. Esta terra tem tantos encantos, que apesar de haver este poeta se apaixonado por tantos lugares paradisíacos, como a encantadora cidade do interior Barreirinhas, onde nos dá acesso para ir aos Lençóis Maranhenses, lugar de uma visão espetacular e imperdível, formado por lagoas de águas cristalinas, que brota da própria terra e das águas da chuva. Além de lugares de belos rios e praias como Santo Amaro, Atins, Caburé, Mandacaru, onde visitamos o seu farol, e outros lugares que conhecemos de carro de tração 4 x 4, bugres, barcos, lanchas numa tremenda aventura por caminhos e trilhas emocionantes, na expectativa de chegar, e vislumbrar tão bela natureza feita por Deus. Sim! Poderia eu me alongar para falar de São Luís e seus encantos, deveras me desculpe a licença poética, de ser eu o carioca mais maranhense, que se autonomeia apaixonado por aquela região, e por ter uma amada que bem representa pela beleza nativa que tem e costumo dizer ser a minha Gabriela, como assim em seu romance a citou Jorge Amado, eu neste livro exalto a ancestralidade indígena da minha amada Edilene, esposa que me inspira e contribui para combinar duas potência incríveis que há no lugar donde ela nasceu, o que ela simboliza e o que São luís do Maranhão representa para todos nós brasileiros, como tantos outros Estados do Nordeste, que amo de paixão. E, como não podia deixar de ser, além de pegar carona com a descrição brilhante da eloquente jornalista que falou das belezas naturais e tradicionais desse lugar espetacular, não poderia deixar de citar aqui na integra o poeta maranhense Gonçalves Dias (da fase romântica), o poema CANÇÃO DO EXÍLIO:
Minha terra tem palmeiras,
Onde Canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite.
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores.
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Bom! Chegar até aqui já seria o suficiente, mas não poderia deixar de registrar acerca do soneto de abertura deste livro que é o Cafofinho da Tia Dica, resolvi também homenagear o restaurante dela, que é uma das referências do Bairro Reviver, a poucos metros do Teatro Odylo Costa Filho, outro poeta de minha predileção, dentre tantos, que conheço por livros como Nauro Machado, Salgado Maranhão, José Chagas, Bandeira Tribuzzi, Luis Augusto Cassas e outros, que inclusive fazem parte do meu acervo literário, são muitos deles, meus mestres na poesia e na vida rsrsrsrs.
Falar de tia Dica é falar de sua história, sua forma acolhedora e reveladora de ser gente do povo, grande anfitriã, de minha esposa não é prima, é uma irmã que supera inclusive a relação de muitas irmãs de sangue, sim! Sangue nas veias, da força da mulher nordestina, mulher guerreira.
No restaurante, que fica no Reviver, cujo nome já diz tudo, e nos leva no tempo das coisas boas a provar uma culinária maravilhosa, que todas às vezes que vou lá, prepara o fabuloso “arroz do mar”, regado a posta de peixe e camarões, suspeito sou de dizer que é uma das iguarias fabulosas, ainda por cima lembra de servir a este poeta e sua amada, um musse de bacuri, por conta da casa rsrsrs. Se aqui depois de tudo não fizesse tal menção, se não registrasse tudo isso, eu não seria menos admirado por Dica e seu povo, mas ficaria faltando alguma coisa, como falar de uma rosa sem as pétalas.
O Cafofinho da Tia Dica, não é só um estabelecimento comercial, mas um local de refúgio para os enamorados e um jardim das delícias para quem é um eterno sonhador. Deveras, pode ter no mesmo local, outros estabelecimentos, até mais sofisticados, mas não quero! Quero o que há de simples e acolhedor, daquele cheiro bom de comida caseira, que nos conduz pelo aroma gostoso a ir flutuando como nos desenhos animados, a chegar nesse lugar que é um porto seguro da boa comida maranhense, pelo cuidado e limpeza do ambiente, e como não podia deixar de ser simpatia e bom atendimento, que faz o diferencial do meu e nosso Estado do Maranhão.
Certamente, que para finalizar e para coroar esta relação, com tudo que foi dito até aqui, falar também de uma pessoa muito especial, a musa maranhense, de tanta coisa que falei... nela se resume numa expressão de amor, numa expressão de vida, a mulher que me conquistou e me apresentou a terra do amor e dos prazeres, a sua Ilha
do Amor, minha amazona, por ser guerreira, como ela só é, e representa nos versos que componho ao longo dos anos de inspiração, cada mulher desse imenso Brasil.
Embora tenha sido escolhida por Deus, reinar com sua beleza natural em São Luís do Maranhão. Nela, a terra, o sol, o mar e o luar são ingredientes de luz, amor e poesia, equivalência de força e sensibilidade, naturalidade e frescor que vem das dunas dos lençóis maranhenses, no limite de minha inspiração, no marco da minha paixão, por ser tão caprichosa e gentil. Edilene Damasceno Cabral da Silva, tem a pele cor de jambo, olhos da imensidão da noite, com detalhes do brilho do luar e o seu riso, demonstra os dentes da brancura das dunas de lá, embora não seja nem branca nem morena, diria ser castanha na cor, a trato carinhosamente de “minha preta”, conforme a poesia que subscrevo.
Sim, reúne a miscigenação das três belas raças em si, a negra, a branca e a índia, não necessariamente nessa ordem, se José de Alencar elegeu Iracema, Jorge Amado, a Gabriela, eu fecho o meu discurso com uma poesia em sua homenagem, como referência de mulher nordestina, e representante real de sua classe e sua raça:
MINHA PRETA
A preta
que eu tenho é a coisa mais linda
e a chama do meu amor arde por ela
parece a namoradeira numa janela
traz no olhar esperança
que não finda!
Esta preta
que gosta do balanço
da rede desse seu doce viver...
meu Deus fico feliz só de ver
a delícia do ritmo do seu descanso.
Ela tem os atributos das belas mulatas
quando desfila na sala só para mim
sou jardineiro do seu florido jardim!
Mas o amor desta preta inda me mata
na rede ou fora dela sabe tanto gozar
a vida muito além de sentir só prazer...
que arte é vê-la toda se derreter
sabendo amor receber
da mesma forma que sabe
amar!
Esta preta
se faz todinha dengosa
tão faceira e feliz me enche de luz
sem mesmo perceber o quanto seduz
dos pés a cabeça é natural ser gostosa
uma preta assim eu a vi primeiro;
agora se fez a dona do meu coração
sendo eterno tema de uma canção
por me conquistar de janeiro
a janeiro!
Minha preta
meu Deus tem uma cor
que se destaca entre todas as cores
se no buquê é a mais linda das flores
além de ser perita na arte
do amor.
Denilson Marques - Rj, em 17 nov 19
SONETOS DAS DESVENTURAS DO AMOR
I
Senhora, sabe que tanto vos quero
do quanto que desejo vosso amor
do tanto que vos causa desfavor
devido a minha angústia quanto espero!
Mas vale a pena se aguardar vos possa
pois um segundo contigo parece
eternidade que amando acontece
que tanto mais vossa alma se remoça!
Se prometida minha, vós não seja,
sofrendo mais minha alma que deseja,
a tendo perto embora estando longe!
Amar assim é amargo sentimento
devido a situação que vos constrange
proibido amor vale consentimento?!
II
Senhora, ainda posso vos querer,
certeza não tenho e presumo apenas,
nem sei se o sacrifício vale a pena
arriscar pra terdes como puder!
Só peço-vos, que se não me sentencie
devido as esperanças que mantenho,
feito gado desordeiro que ordenho,
mordaça na boca que me silencie.
Ah! Senhora, vos peço, na hora extrema
que de consentimento venha ter...
sem que vos sinta comigo entre algemas!
Sendo natural o que acontecer
Senhora, afasta de mim se puder,
do contrário seja eu clara, e vós gema!
III
Minha Senhora, quero vossa paz,
e sei que estás comigo por vontade,
mesmo além de quaisquer fatalidade,
sentimento de culpa que vos traz...
À mente o que se nos vai martelando,
tal tique-taque no passar das horas
distante sofro, e vós sofreis, penhora,
enquanto o tempo vai nos afastando!
Vós sois a lua, quando anoitecendo,
eu sol, perante o dia vou crescendo,
no breve eclipse para se abrasar!
Minha Senhora, vos peço paciência
sei que Deus pode não nos perdoar,
suplico a Ele somente tal clemência!
IV
Outro hás de vos querer e vos amar
Senhora, serás dele certamente,
pois vosso coração ainda é crente
neste amor que deixamos de apostar...
À distância alimentará saudade
do que vivemos mas virou história,
que alimentamos dentro da memória
e passa tal quem age por vontade?!
Se vós deveis partir minha Senhora,
saberei inconformado, ser preciso!
Sofreria mais com vossa demora...
Se tiverdes que partir de verdade,
prefiro gerir dor duma saudade,
mesmo a saber que aos poucos me devora!
V
Senhora, se me conformar não possa
pela chama do amor que me domina
ante a dor que me causa e contamina
a ocasionar triste saudade vossa!
De tais dificuldades me mantenho
que devido a estar preso por vontade
sofrendo então deveras de saudade
sabendo do amor que a dizer não tenho!
Senhora minha quero por justiça
livrar-me do desejo que enfeitiça
por só guardar agora sofrimento?!
Se de vós nenhum beijo me consola
quiçá poder verdes de camisola
ficando meu querer só de momento!
VI
Há de valer se apenas consentisse
de tudo que de vós me proporciona
caso fosse deleite que ambiciona
e não só porque querendo exigisse
me vale vos querer ainda agora
somente para vos ter pertencida
tendo vossa consciência dividida
ante a chama do amor que vos devora?!
Não sei amor qual motivo apresenta
ou nem como a vontade se sustenta
diante do sentimento sem futuro
que por vós fico nutrindo, Senhora,
tal uma plantação que nem vigora!
Querendo ser amado não me curo.
VII
Mentiria ao dizer que não vos quero
que passou o sentimento que tenho
que guardado no meu peito mantenho,
a tal chance que não devia... e espero!
Em vós, encontro o bem de que desejo
mas, desistir eu sei ser bom alvitre,
querer ter algo bom, quem há que evite?!
E eu resisto, contra a ordem de despejo...
Mas quando a mão de Deus me pesa mais,
não posso relutar nem sou capaz,
cuja ânsia de perder-vos me devora!
Pois que eu fique, cá triste vos querendo,
a dor aumenta, por dentro eu morrendo,
e em versos vos despeço triste agora!