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DOS LÁBIOS DE MEL

à musa Edilene

 

Fui preso com os tentáculos dos seus braços

fiquei enlaçado de maneira envolvente

doutras mulheres sei que foste diferente

seu jeito de amar me levou pelos espaços!

E, por onde eu passava percebia seus traços

em cada lugar tinha uma história da gente

tinha na minha roupa o perfume abrangente

como tintas frescas das telas de Picasso!

Teus lábios tão doces como eram de Iracema

que são lábios da boca dos beijos de mel

não vale que eu faça só um... mas dez mil poemas!

Morena da terra onde canta o sabiá

te conquistei aqui... mas eu tive que ir lá

também amar você debaixo do teu céu!

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Poemas

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DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR



 

DENILSON MARQUES, pseudônimo Dante Negro, natural do Rio de Janeiro,  escritor, poeta, ensaísta, artista plástico e Design Gráfico pela Control C, Servidor Público, Formado na área de Ciências Humanas (Filosofia/UERJ e Teologia/ IBADERJ), Psicanálise e Pós-graduação em Psicanálise pela SETEAD. participou das antologias Poesias e Contos Grandes Talentos pela Litteris Editora/93, Devaneios e Mutações/94 pela Taba Cultural Editora, Menção Honrosa  no Livro de Poesias, Crônicas e Contos dos Servidores Públicos pela Fesp/95 e Ceperj/10.

 Participou da Coletânea das 30 melhores poesias do ano de 2005, patrocinado pelo Jornal Koisas do Rio. No ano de 1999, divulgou a 2ª edição do Livro Canções dos Jogos do Amor e Outros Poemas e participou de 02 (duas) Exposições de Artes do Clube Naval em 2006 e 2007 e Antologia Poética do Grupo Meriti Fazendo Arte (2005) e do Prêmio de Poesia do Sesc/Tijuca (2005). 

Publicou seu primeiro livro de poesia CANÇÕES DOS JOGOS DO AMOR, em Outubro / 98 e a 2ª Edição no ano de 1999, em seguida os livros: AS DESATENÇÕES DO AMOR E DA VIDA (Maio/2013 – 1ª Edição), pela Letras e Versos Editora e A CELEBRAÇÃO DA AMADA (Nov/2013 – 1ª Edição e Dez/2014 - 2ª Edição), pela Editora Multifoco; SONETOS DA MATURIDADE (Abril/2016) pela Letras e Versos Editora, DRUMMONDIAR, A ARTE DE PENEIRAR COISAS NO TEMPO (Nov/2018), A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 1 (Nov/2018 - 1ª Edição) e (Maio/2019 – 2ª Edição), pela Editora Autografia. O ESPINHO NÃO FERE A ROSA, Fontenele Edições, Dez/19 e SONETOS DA ILHA DO AMOR E MATURIDADE e A SIMBOLOGIA DA SOBERBA HUMANA – volume 2, Editora Autografia, ano 2020. Atualmente dedica-se a escrever e a pintar, transpondo também a poesia para suas telas.

 

 

37

INTRODUÇÃO AO LIVRO SONETOS DA ILHA DO AMOR

Ao tratar do tema Sonetos da Ilha do amor, me vem a felicidade de haver realizado mais uma obra magnífica e especificamente, nesta posso homenagear uma terra tropical e de eterna magia, conhecida como a Ilha do amor e Atenas brasileira, ou seja, São Luís do Maranhão que é Patrimônio Cultural da Humanidade, nos encanta com suas casas entalhadas pela tradicionalidade portuguesa, trazendo o que  há de moderno na cidade, parecendo contrastar  com o que vemos nas construções, de uma beleza exuberante e clássica, no registro das marcas significantes em sua arquitetura pelas nuances da arte barroca; ver os designes dos azulejos que vigoram e os entalhes das pedras portuguesas, muito nos encanta, com sua exuberante paisagem e belos desenhos arquitetônicos, a cidade também conhecida como a do Reggae, nossa Jamaica brasileira. Esta terra tem tantos encantos, que apesar de haver este poeta se apaixonado por tantos lugares paradisíacos, como a encantadora cidade do interior Barreirinhas, onde nos dá acesso para ir aos Lençóis Maranhenses, lugar de uma visão espetacular e imperdível, formado por lagoas de águas cristalinas, que brota da própria terra e das águas da chuva. Além de lugares de belos rios e praias como Santo Amaro, Atins, Caburé, Mandacaru, onde visitamos o seu farol, e outros lugares que conhecemos de carro de tração 4 x 4, bugres, barcos, lanchas numa tremenda aventura por caminhos e trilhas emocionantes, na expectativa de chegar, e vislumbrar tão bela natureza feita por Deus.   Sim! Poderia eu me alongar para falar de São Luís e seus encantos, deveras me desculpe a licença poética, de ser eu o carioca mais maranhense, que se autonomeia apaixonado por aquela região, e por ter uma amada que bem representa pela beleza nativa que tem e costumo dizer ser a minha Gabriela, como assim em seu romance a citou Jorge Amado, eu neste livro exalto a ancestralidade indígena da minha amada Edilene,  esposa que me inspira e contribui para combinar duas potência incríveis que há no lugar donde ela nasceu, o que ela simboliza e o que São luís do Maranhão representa para todos nós brasileiros, como tantos outros Estados do Nordeste, que amo de paixão. E, como não podia deixar de ser, além de pegar carona com a descrição brilhante da eloquente jornalista que falou das belezas naturais e tradicionais desse lugar espetacular, não poderia deixar de citar aqui na integra o poeta maranhense Gonçalves Dias (da fase romântica), o poema CANÇÃO DO EXÍLIO:

 
Minha terra tem palmeiras,

 Onde Canta o Sabiá; 

As aves, que aqui gorjeiam, 

Não gorjeiam como lá. 

Nosso céu tem mais estrelas, 

Nossas várzeas têm mais flores,

 Nossos bosques têm mais vida,

 Nossa vida mais amores.

 Em cismar, sozinho, à noite, 

Mais prazer encontro eu lá; 

Minha terra tem palmeiras, 

Onde canta o Sabiá. 

Minha terra tem primores, 

Que tais não encontro eu cá;

 Em cismar - sozinho, à noite.

Mais prazer encontro eu lá; 

Minha terra tem palmeiras, 

Onde canta o Sabiá.

 Não permita Deus que eu morra,

 Sem que eu volte para lá; 

Sem que desfrute os primores.

 Que não encontro por cá; 

Sem qu'inda aviste as palmeiras, 

Onde canta o Sabiá.

                 Bom! Chegar até aqui já seria o suficiente, mas não poderia deixar de registrar acerca do soneto de abertura deste livro que é o Cafofinho da Tia Dica,  resolvi também  homenagear o restaurante dela, que é uma das referências do Bairro Reviver, a poucos metros do Teatro Odylo Costa Filho, outro poeta de minha predileção, dentre tantos, que conheço por livros como Nauro Machado, Salgado Maranhão, José Chagas, Bandeira Tribuzzi, Luis Augusto Cassas e outros, que inclusive fazem parte do meu acervo literário, são muitos deles, meus mestres na poesia e na vida rsrsrsrs.

Falar de tia Dica é falar de sua história, sua forma acolhedora e reveladora de ser gente do povo, grande anfitriã, de minha esposa não é prima, é uma irmã que supera inclusive a relação de muitas irmãs de sangue, sim! Sangue nas veias, da força da mulher nordestina, mulher guerreira. 

              No restaurante, que fica no Reviver, cujo nome já diz tudo, e nos leva no tempo das coisas boas a provar uma culinária maravilhosa, que todas às vezes que vou lá, prepara o fabuloso “arroz do mar”, regado a posta de peixe e camarões, suspeito sou de dizer que é uma das iguarias fabulosas, ainda por cima lembra de servir a este poeta e sua amada, um musse de bacuri, por conta da casa rsrsrs. Se aqui depois de tudo não fizesse tal menção, se não registrasse tudo isso, eu não seria menos admirado por Dica e seu povo, mas ficaria faltando alguma coisa, como falar de uma rosa sem as pétalas. 
 

             O Cafofinho da Tia Dica, não é só um estabelecimento comercial, mas um local de refúgio para os enamorados e um jardim das delícias para quem é um eterno sonhador. Deveras, pode ter no mesmo local, outros estabelecimentos, até mais sofisticados, mas não quero! Quero o que há de simples e acolhedor, daquele cheiro bom de comida caseira, que nos conduz pelo aroma gostoso a ir flutuando como nos desenhos animados, a chegar nesse lugar que é um porto seguro da boa comida maranhense, pelo cuidado e  limpeza do ambiente, e como não podia deixar de ser simpatia e bom atendimento, que faz o diferencial  do meu e nosso Estado do Maranhão.

Certamente, que para finalizar e para coroar esta relação, com tudo que foi dito até aqui, falar também de uma pessoa muito especial, a musa maranhense, de tanta coisa que falei... nela se resume numa expressão de amor, numa expressão de vida, a mulher que me conquistou e me apresentou a terra do amor e dos prazeres, a sua Ilha 

do Amor, minha amazona, por ser guerreira, como ela só é, e representa nos versos que componho ao longo dos anos de inspiração, cada mulher desse imenso Brasil. 

Embora tenha sido escolhida por Deus, reinar com sua beleza natural em São Luís do Maranhão. Nela, a terra, o sol, o mar e o luar são ingredientes de luz, amor e poesia, equivalência de força e sensibilidade, naturalidade e frescor que vem das dunas dos lençóis maranhenses, no limite de minha inspiração, no marco da minha paixão, por ser tão caprichosa e gentil. Edilene Damasceno Cabral da Silva, tem a pele cor de jambo, olhos da imensidão da noite, com detalhes do brilho do luar e o seu riso, demonstra os dentes da brancura das dunas de lá, embora não seja nem branca nem morena, diria ser castanha na cor, a trato carinhosamente de “minha preta”, conforme a poesia que subscrevo.

 Sim, reúne a miscigenação das três belas raças em si, a negra, a branca e  a índia, não necessariamente nessa ordem, se José de Alencar elegeu Iracema, Jorge Amado,  a Gabriela, eu fecho o meu discurso com uma poesia em sua homenagem, como referência de mulher nordestina, e representante real de sua classe e sua raça: 

 MINHA PRETA

 

A preta 

que eu tenho é a coisa mais linda

e a chama do meu amor arde por ela

parece a namoradeira numa janela

traz no olhar esperança 

que não finda!

Esta preta 

que gosta do balanço 

da rede desse seu doce viver...

meu Deus fico feliz só de ver

a delícia do ritmo do seu descanso. 

Ela tem os atributos das belas mulatas

quando desfila na sala só para mim

sou jardineiro do seu florido jardim!

Mas o amor desta preta inda me mata

na rede ou fora dela sabe tanto gozar

a vida muito além de sentir só prazer...

que arte é vê-la toda se derreter

sabendo amor receber

da mesma forma que sabe 

amar!

Esta preta 

se faz todinha dengosa 

tão faceira e feliz me enche de luz

sem mesmo perceber o quanto seduz

dos pés a cabeça é natural ser gostosa

uma preta assim eu a vi primeiro;

agora se fez a dona do meu coração

sendo  eterno tema de uma canção

por me conquistar de janeiro

 a janeiro!

Minha preta 

meu Deus tem uma cor

que se destaca entre todas as cores

se no buquê é a mais linda das flores

além de ser perita na arte 

do amor.

 

Denilson Marques   - Rj, em 17 nov 19

 

 

 

 

 
 
 

 

41

SONETO DAS DESAVENÇAS AMOROSAS



 

Esfregas na minha cara teu decote

não vou me redimir do meu olhar

o que é bonito é para contemplar

e que nos fura os olhos pra que note

de fato você fez bem de propósito

tirando-me suspiros imprecisos

fez-me parecer perder os juízos

retendo a minha sede pro depósito

talvez pela chama da sedução

que algo entre nós parecia decolar

de início eu nem queria ser teu par

pra só querer viver desse tesão

mas além de um decote a gente pensa

o corpo nunca foi uma recompensa

 II

 

Se enfim gozastes não perdeu a chance

 bom sexo pode ser libertador

não faça da nossa história um terror

o que ainda é promessa dum romance

o clímax quanto mais a gente avance

é fruto desse mesmo doce amor

 nada disso tem graça sem fulgor

prazer não é tributo de revanche

se da mesma forma que a gente gosta

não tem razões pra se buscar resposta

buscando no outro mais intimidade

se a química faltar já foi pro brejo

nada pode fluir sem ter desejo

nem orgasmo não rola sem vontade

 III

 

Se logo fomos pra  linha de frente

talvez por nos conhecermos muito antes

sabendo que fui mero figurante

sendo usado de forma diferente

ainda que fosse o máximo elegante

enquanto o sangue todo fica quente

aliviando nossos corpos carentes

na banal relação de dois amantes

voltamos aos dilemas inventados

da triste relação de dois coitados

se depois que este fogo todo queima

se além da cama somos dois estranhos

se a gente vive só de tira teima

sendo ordenhados como bom rebanho

 IV

 

Rebanho do que a gente só rumina

comendo nada além disso que é palha

eu sendo troço e você uma tralha

pelas coisas que a gente nem opina

embora o que mais nos contamina

é que nada disso nem atrapalha

ou achar valer o que nem mesmo valha

da pureza perdida da menina

se nossa relação seguiu pro abismo

não fora somente pelo que eu cismo

mas pelas coisas que foi se arrastando

se a gente se deleita já nos basta

como se fosse lucro estar transando

mesmo que a relação esteja gasta

 
V

 

 

Retirando antolhos da insensatez

pude contemplar a chance de amar

depois duma briga pude voltar

te ver sem dar bola pra pequenez

se o amor é veredito de vitória

vamos buscar um novo horizonte

deixando no passado a dor de ontem

vivendo bom romance nessa história

para termos nosso jardim florido

ante a beleza de te ver sorrir

pra não ter motivos de arrumar brigas

que faz do viver não ter sentido

nos pondo atrás de linhas inimigas

não tendo vencedor e nem vencido

 

Rio, 29 e 30/12/19

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

15

NO VAI E VEM DO TEMPO

I

Parece amada minha que te vi ontem

Medindo a lucidez dessa distância

Ao temperar desejo na inconstância

E a linha que nos une foi uma ponte

 

Você surgiu na imagem do horizonte

Mostrou-me a mais perfeita relevância

Do amor no tempo pleno da mudança

Nem pude imaginar que era o bastante

 

E assim grudei em ti tal um chiclete

Foi muito mais além do que peguete

No amor ou na amizade tanto faz

 

Na pescaria do tempo da vontade

Fui menino sem dizer minha idade

Você tão pouco nem ficou pra trás

 
 

II

 

Na álgebra do amor e geometria plena

Tentei arriscar um cálculo preciso

Ainda que parecia meio indeciso

Conectei meu pensar a sua antena

 

Você raiz quadrada de mim mesmo

Não quis admitir os planos traçados

Na bissetriz dos corpos enlaçados 

Parecíamos que estávamos à esmo

 

Mas somente era uma bela equação

Você quis logo me ver pelo avesso

Parecendo ter fim sem um começo

Engano achar que árbitro é a razão

 

Eu bem sei que ao contrário é nossa conta

A empilhar dominó que se desmonta

 

 III

 

 Cavalo doido todo meu desejo

no frenesi do tempo percorrido

eu e você nos vemos divididos

nossa contradança é pleno realejo

 

posso te ver além do que te vejo

na aparição que revelou cupido

natural sem enfim ficar despido

desses arcos e flechas que manejo

 

vivendo a interação do nosso orgasmo

no pleno universo entre nós dois

ante a forte contração de um espasmo

 

então sou um puro sangue que te ama

relincho com a minha própria voz

na imensidão do palco em nossa cama

 

 

Rio, em 10 nov 19

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

18

SONETOS DAS DESVENTURAS DO AMOR

I


Senhora, sabe que tanto vos quero

do quanto que desejo vosso amor

do tanto que vos causa desfavor

devido a minha angústia quanto espero!

Mas vale a pena se aguardar vos possa

pois um segundo contigo parece

eternidade que amando acontece

que tanto mais vossa alma se remoça!

Se prometida minha, vós não seja,

sofrendo mais minha alma que deseja,

a tendo perto embora estando longe!

Amar assim é amargo sentimento

devido a situação que vos constrange

proibido amor vale consentimento?!

II

 

Senhora, ainda posso vos querer,

certeza não tenho e presumo apenas,

nem sei se o sacrifício vale a pena

arriscar pra terdes como puder!

Só peço-vos, que se não me sentencie

devido as esperanças que mantenho,

feito gado desordeiro que ordenho,

mordaça na boca que me silencie.

Ah! Senhora, vos peço, na hora extrema

que de consentimento venha ter...

sem que vos sinta comigo entre algemas!

Sendo natural o que acontecer

Senhora, afasta de mim se puder,

do contrário seja eu clara, e vós gema!

 

 III

 

Minha Senhora, quero vossa paz,

e sei que estás comigo por vontade,

mesmo além de quaisquer fatalidade,

sentimento de culpa que vos traz...

À mente o que se nos vai martelando,

tal tique-taque no passar das horas

distante sofro, e vós sofreis, penhora,

enquanto o tempo vai nos afastando!

Vós sois a lua, quando anoitecendo,

eu sol, perante o dia vou crescendo,

no breve eclipse para se abrasar!

Minha Senhora, vos peço paciência

sei que Deus pode não nos perdoar,

suplico a Ele somente tal clemência!

 
IV

 

Outro hás de vos querer e vos amar

Senhora, serás dele certamente,

pois vosso coração ainda é crente

neste amor que deixamos de apostar...

À distância alimentará saudade

do que vivemos mas virou história,

que alimentamos dentro da memória

e passa tal quem age por vontade?!

Se vós deveis partir minha Senhora,

saberei inconformado, ser preciso!

Sofreria mais com vossa demora...

Se tiverdes que partir de verdade,

prefiro gerir dor duma saudade,

mesmo a saber que aos poucos me devora!

 
 

V

 

Senhora, se me conformar não possa

pela chama do amor que me domina

ante a dor que me causa e contamina

a ocasionar triste saudade vossa!

De tais dificuldades me mantenho

que devido a estar preso por vontade

sofrendo então deveras de saudade

sabendo do amor que a dizer não tenho!

Senhora minha quero por justiça

livrar-me do desejo que enfeitiça

por só guardar agora sofrimento?!

Se de vós nenhum beijo me consola

quiçá poder verdes de camisola

ficando meu querer só de momento!

 VI

 

Há de valer se apenas consentisse

de tudo que de vós me proporciona

caso fosse deleite que ambiciona

e não só porque querendo exigisse

me vale vos querer ainda agora

somente para vos ter pertencida

tendo vossa consciência dividida

ante a chama do amor que vos devora?!

Não sei amor qual motivo apresenta

ou nem como a vontade se sustenta

diante do sentimento sem futuro

que por vós fico nutrindo, Senhora,

tal uma plantação que nem vigora!

Querendo ser amado não me curo.

 VII

 

Mentiria ao dizer que não vos quero

que passou o sentimento que tenho

que guardado no meu peito mantenho,

a tal chance que não devia... e espero!

Em vós, encontro o bem de que desejo

mas, desistir eu sei ser bom alvitre,

querer ter algo bom, quem há que evite?!

E eu resisto, contra a ordem de despejo...

Mas quando a mão de Deus me pesa mais,

não posso relutar nem sou capaz,

cuja ânsia de perder-vos me devora!

Pois que eu fique, cá triste vos querendo,

a dor aumenta, por dentro eu morrendo,

e em versos vos despeço triste agora!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

23

A BELA DO ORIENTE



Sem esperar cruzou o meu destino

Vi os astros passarem reluzentes

E tudo se tornou tão diferente

A fazer do que sou outra vez menino

 

Vendo-a passar com as vestes do Oriente

Com realces dum desenho dum felino

E os delicados brincos pequeninos

da graça vinda doutro continente 

 

Para dar maior Tchan na minha vida

Surgiu esta nipônica tão bela

Com uma braçada de margaridas

 

Esta mulher estrangeira era aquela

Que tal a gueixa dança num cortejo

Ofertou-me o encanto além dum beijo

 

 

Rio, 12/11/19

 

 

 

8

DAS FALSAS ILUSÕES

I

 

Se de vossa esperança me mantenho

por dar-me pouco achar-me compensado

sendo fácil haver-me ludibriado

por falsas ilusões do amor que eu tenho

 

Se vivo de querer algo sonhado

cadê o porto seguro que desenho

de tê-la no aprisco que nem ordenho

passando na vida sendo enganado

 

dando-me sofrimento por viver

Meu Deus leva pra longe esta pessoa

que dos meus versos e do amor caçoa

 

Se nem um bem me pode oferecer

melhor sozinho estar numa caverna

se o amor que me prometes ainda hiberna

 
II

 

Primeiro você traiu-me a confiança

sem levar o nosso tempo em conta

e nada a seu favor tudo era contra

quando havia perdido a esperança

 

a falta de respeito era uma afronta

eu nem quis dar o troco por vingança

nem busquei na escassez ter abastança

na ilusão dum amor que se desmonta

 

se a casa edificada despencou

se amaldiçoa quem tanto te amou

embora fiquei firme até o fim

 

hoje te vejo andando só e triste

embora nenhuma mágoa persiste

ao florescer perdão dentro de mim

 
III

 

Meu Deus põe outra pessoa no lugar

que saiba ser amada e dar amor

que não venha ser causa de favor

a brincar com meu viver pra explorar

 

se quem bem não possa nos agradar

e toca em nossa vida só terror

faz-nos longe nos sentimos melhor

que por ser dois não forma nenhum par

 

 tenha então pessoa doce e especial

que ao dar valor seja valorizada(o)

quando estiver amando seja amada (o) 

 

que eu venha receber só um sinal

se por ventura existe alguém assim

que venha a ser a flor do meu jardim

 

 

                             Rio, em 11 e 12 nov 19

 
 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

13

DAS PROVAS DA PAIXÃO

I

 

Paixão que certamente desordena

e não se deve com ela brincar

que nos deixa à prova na arte de amar

que tanto nos salva como condena?!

Paixão que também derruba as alianças

provoca sentimento de torpor

que pode nos causar prazer ou dor

por apostar numa falsa esperança!

Quem consegue uma paixão definir

E sem receio costuma admitir

dizendo a alguém estar apaixonado?!

Se ela então nos atrai ou nos assusta

não sabemos ser benção ou pecado

ao menos perda de sono nos custa!

  

II

 

E, nela tudo é fim e recomeço

um desajuste da própria razão?!

Nem adianta querer rezar um terço

buscar com sabedoria explicação...

É o que nos derruba e também eleva

que de uma maneira estranha alucina

faz-nos trafegar entre luz e trevas

ante uma miragem que nos fascina!

Nos causa um descontrole emocional

pode gerar tanto bem quanto mal

ora nos aprisiona... ora liberta?!

Algo proibido para se desejar?

tesouro que nunca vai encontrar?

quanto mais a nossa saudade aperta!

 III

 

Paixão nunca será coisa absoluta

sempre haverá de assim nos fracionar

Rendido quando se quer dominar

empenhando o esforço perde-se a luta!

Quando a gente assim pensa haver ganhado

o que na verdade é tiro no escuro

Esperar algo que seja seguro

numa fonte de um desejo insaciado!

Quem numa paixão um conforto busca

a própria natureza dela ofusca

pelos fins que os meios vai apontar!

Nos entristece por não dar conforto

por navegar sem enxergar o porto

nem ver o farol que possa guiar!

 

 

 

 

 

 

 

 

13

DO REENCONTRO DO AMOR

Dentre quais paredes nos reencontramos

nas chances que tive de te ver nua

hoje recolho minhas mãos às tuas

nessa cama agora nos embrenhamos!

Tem certas coisas que a gente habitua

embora outras sequer pensar devemos

nos envolvemos num delírio extremo

pela paixão que não se conceitua...

Foste o silêncio dos gritos supremos

a direção das aventuras loucas

no encontro da minha com tua boca!

E, nessa hora o beijo é tudo que temos

nessas paredes deixo a assinatura

que jamais amei igual outra criatura!
7

DOS LÁBIOS DE MEL

à musa Edilene

 

Fui preso com os tentáculos dos seus braços

fiquei enlaçado de maneira envolvente

doutras mulheres sei que foste diferente

seu jeito de amar me levou pelos espaços!

E, por onde eu passava percebia seus traços

em cada lugar tinha uma história da gente

tinha na minha roupa o perfume abrangente

como tintas frescas das telas de Picasso!

Teus lábios tão doces como eram de Iracema

que são lábios da boca dos beijos de mel

não vale que eu faça só um... mas dez mil poemas!

Morena da terra onde canta o sabiá

te conquistei aqui... mas eu tive que ir lá

também amar você debaixo do teu céu!

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