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Esperança

Porquanto cisma apreguiçado que talvez
O exorcize dela o beijo alucinado 
Em que descobre finalmente ter minado 
O vigor e o cérebro uma e outra vez 

Lhe possam dar deuses desacreditados 
A força de ver sem nojo nem descrer 
Os seus sopros e lábios entrelaçados 
E triste ou feliz se possa esvanecer
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Poemas

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Esperança

Porquanto cisma apreguiçado que talvez
O exorcize dela o beijo alucinado 
Em que descobre finalmente ter minado 
O vigor e o cérebro uma e outra vez 

Lhe possam dar deuses desacreditados 
A força de ver sem nojo nem descrer 
Os seus sopros e lábios entrelaçados 
E triste ou feliz se possa esvanecer
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Trópicos do cansaço

O sol nasceu mas a cidade ateve-
-se, uns olhos desabrocham, outros cerram,
Uma outra noite em que também não teve
Os prazeres sublimes dos que erram.

Pensa muito na morte e no querê-la,
No partir de vontade e sem acaso,
Pensa muito na vida e não tê-la
Entre antes e depois como um atraso.

Sonhando alternativa mais ilustre
Intensifica a persistência inútil,
Cria uma perspetiva que não frustre
O alinhavo subtil da vida sútil.

Vê-la foi acordar mas ir sonhando,
Semicerrar a consciência aberta,
Foi não amar jamais mas ir amando,
Emudecer uma paixão desperta.

Vive os sentimentos mas em bicromático,
Manada de zebras remoendo plácidas,
Serenas, quietas, lambem neves ácidas
Que chovem do cérebro-rei, sistemático;

E fala de amor mas como dum relógio,
Com horas e tempo certo, pontual,
Faz aprimorado, exato necrológio
De não terem sido, com percentual.

Ela quer que existam em perfeição
E ver-se refletida nele, amada,
Sumir em misticismo e negação,
De não poder ser tudo, sejam nada.
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