Divaldo Ferreira Souto Filho

Divaldo Ferreira Souto Filho

n. 1989 BR BR

Alguém que foi liberto após o gravidez, mas que tendeu a ficar preso na gravidade e que, pelo amor de duas almas na fecundação e na criação, consegue se libertar do marasmo e da rotina mediante a poesia, arte do dever ser e da libertação...

n. 1989-05-11, Mirassol D'Oeste - MT

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Octógono

Um golpe duro e direto na face
No outro extremo os pés tremem
Os joelhos não suportam o peso,
A mente, o quilo, o ouvido, a tonelada
Vou à lona de um octógono
Sem saída: um labirinto, um xadrez
Um galo preso ao rosto nasce
Como carimbo tatuado. Todos veem
A plateia, os apostadores veem dinheiro
A eles, um homem é suor, sangue e mais nada
Sangrando, se a nobre arte decai, logo,
Pra salvar-nos, só a arte suave tem vez
Assim, neste seleto e real enlace
Cinco rounds ininterruptos nos consomem
Quem bate e quem apanha: ninguém ileso
Filho, marido, pai de família amada
Quero a moral finalizando a maldade logo
Pras feridas virarem história de uma vez
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Poemas

12

A verdade do voo

Desde tenros tempos o homem
Inveja os pássaros ao imaginar o bem
Que deva ser desfrutar o poder
De asas, às costas Deus prover
E, com isso, plainar de costas
Ao ponto de início ou às estrelas
Mas o homem só teve a sorte
De lançar voos a sons a seu norte
Contrariado, o homem, ao ar, mais de vez
Tentou voar e morro abaixo tornou-se freguês
Até que na décima quarta tentativa
Fez-se possível uma máquina altiva
Após estudos pra torná-la leve
Tão leve como do gelo pra neve
À luz, em cesariano, a ciência
Concedeu aeródino. Sua existência
É pular atalhos de tempos e espaços
Em asfalto cujos ventos - únicos buracos
De baixo pra cima, parecem plumas de algodão
aqueles rastros que contaminam até nossa visão
Voando sobre o chão todos são mesma família
Dão-se as mãos, em oração, quando sós na ilha
Na frente, os pilotos. Atrás, os outros
No comando, robôs. Em gentes, os medos
Nas cabines, pilotos e programas
Em primeiras classes, ogros e famas
Vão também, porém mais presos, defuntos e animais
Junto a bagagens. Tem comidas e assuntos sem sais
Lágrimas e sonhos duelam caricaturas em rosto
Truste, cartel e holding às escuras. Bagagens a esmo
Eita coisa boa, com ou sem turbulências
Os banheiros, com casais, tremem mais
Equipe a bordo, nem tudo são maquiagens
Pilotos retocam cansaços nas nuvens
E falam sempre algo seguro em inglês:
- Toda vez, toda vez, toda vez...
Pra subir, esquemas, motores e experiências
Pra cair, problemas, vetores e turbulências
A verdade é que o homem
Se cair, nunca imagina o bem
Logo, toda vez que, pela lei física, levanta
Rei e plebeu dão conta que nada na vida adianta
Não dá marcha a ré, nem pode pular
Lá em cima, só a Fé e o desejo de ficar
Aeronave é bicho que beija a gravidade
Impulso fixo onde rasteja a vaidade
Enfadonho sonífero do homem - ambicionar o céu
Contrapõe o sonho infantil - pilotar aviões de papel
Somos, desde cedo, vulneráveis, sim, à passagem
Sabemos o começo e tememos o fim da viagem
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Soneto da Gratidão

Eles me deram a vida
no escuro, foram-me guarita
agora, adulto julgo escolher
já posso criar outro ser

Eles, embora o silêncio
corrompa o socorro ao vento
precisam, entre braços, de mim
pra ser-lhes afago até o fim

Senhor diretor, neste asilo as paredes
se enchem de tempo e os pisos
de lágrimas. Choram meus velhos

Não compramos todos os quereres
mas peço-lhe deferimento a risos
deixe-os comigo, em nosso castelo
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