eitorramiro

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n. 0000-00-00, Paulo Afonso, Bahia

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poema-piada


o poema-piada explode quando a morte
rosna e quando a sorte, chia.
a tarde se mostra branda para o menino que
no quarto, espia.
psiu, deixa isso de lado,
as cordas não são tão aço que não possam
fazer, samba.
a vida também nasceu pra ser bamba, nasceu pra ser banda, nasceu pra acordar a sorte e inventar florestas, pará.
semáforo corre quando tu pede pra passar
os 30 segundos não são nada pra lá de bagdá
de frente pro nilo, tudo some, sem lugar
se eu soubesse escrever uma ilíada não
ficaria criando poeminhas, parar.
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Poemas

7

de onde vem as palavras


e as palavras
que não vem nem do coração
nem da cabeça

surpreendo a todos
e digo –
minhas palavras vêm das mãos

a mão que te toca o
rosto
a mão que te toca o
osso.
241

conteúdo pragmático


sinto a falta, e necessito,
de uma direção.
um caminho, que seja, ou uma seta
indicando a reta ou a curva a se tomar.

vinte horas seguidas acordado e sem sono,
tudo tem sido e é, uma eternidade.
243

espanto


alguns dias sou capaz de ver
poesia em tudo.
olho para o condicionador durante o banho e
lá diz: nutre e realça
a luminosidade dos fios.
não é lindo?
já em outros dias a maior obra de arte já
feita não me causa espanto.
e o que é a vida
sem
o espanto?
283

processo


transar poemas
não é tão fácil como
pensa

as vezes as letras somem
e as palavras rompem
e nada casa

as vezes um ou outro
parece ficar certo         
mas isso é segredo.
294

tradição


o que me escapa é o que importa.
mais que a poeira.
mais que o grão de areia.
mais que o dizer da palavra.
busco busco busco
a tradição de não ser nada.
295

poema-piada


o poema-piada explode quando a morte
rosna e quando a sorte, chia.
a tarde se mostra branda para o menino que
no quarto, espia.
psiu, deixa isso de lado,
as cordas não são tão aço que não possam
fazer, samba.
a vida também nasceu pra ser bamba, nasceu pra ser banda, nasceu pra acordar a sorte e inventar florestas, pará.
semáforo corre quando tu pede pra passar
os 30 segundos não são nada pra lá de bagdá
de frente pro nilo, tudo some, sem lugar
se eu soubesse escrever uma ilíada não
ficaria criando poeminhas, parar.
306

ais


por vezes, faço poemas acidentais
outras vezes, incidentais.

por vezes, o poema diz sim
outras vezes, ais.
295

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