Meu sonho adormeceu No seu silêncio devastador E entorpecido liberou A realidade que me compete Pede coragem a vida E outros sonhos vislumbram Enquanto no limiar da loucura Descansa o principal Pedem passagem os novos Para alimentar a vida Enquanto adormecido o fatal Não liquida com a mesma É briga de foice Da ilusão com a realidade E não só adormecer Um é preciso morrer Ou o sonho mata a vida Ou a vida mata o sonho Deixá-lo apenas adormecido É transformá-lo em pesadelo E sonho que não pode ser sonhado Pede adaga afilada Cravada com força nas entranhas Enquanto entorpecido (Nane-31/03/2015)
E se tua falta eu sinto Finjo não perceber O frio na alma congela A dor que teima em doer Chorar não me leva a nada Lamentar tua ausência, tão pouco Meu amanhã está nublado Seu brilho escondido sob as nuvens Estou e sou só E é melhor que seja assim Você se foi numa poesia Que eu não soube escrever
Embora tenha te escrito o tempo inteiro Você não me soube ler Ou talvêz tenha preferido Fingir para não ter que entender Precisei mais do que nunca de você Mas não consegui te encontrar Onde quer que você esteja Esta poesia foi feita pra você (Nane-13/11/2014)
329
Encontro com Deus
Gritei teu nome aos quatros ventos Se me ouviu...fez ouvido de mercador Pedi a tua interferência Mas o silêncio está absoluto Talvêz eu não saiba pedir É o meu jeito de falar (contigo)
Olha a sua volta É justo esses caminhos Pelos quais passamos Sem conseguir caminhar
O nexo em tuas leis Me inebria os pensamentos Entontece meus sentidos E neles não consigo ver sentido E se te faz feliz e adianta Me ajoelho e imploro É uma vida bem mais preciosa Que te rende louvores Deixa ela ficar Percebe a sua luta Pra que ceifar a semente boa E deixar crescer a erva daninha A noite está tensa, vou deitar O amanhã à ti pertence Um dia a gente vai se encontrar E vou te perguntar: pra que serve as muriçocas (Nane-12/11/2014)
338
Incertas certezas
Quisera eu ser leiga Na fé que me foge E por isso, não me conforta Quisera poder crer cegamente E ter uma mão forte a segurar a minha Nos momentos de aflição
Quisera mandar às favas minhas certezas E me embalar nas promessas vindouras Do todo poderoso Quisera enfim, piamente acreditar Nos milagres sacrossantos E minhas lágrimas secar Ceticismo não mora em mim Mas a fé cega também não E pago caro por isso Refugio minhas dores Nos braços do Altíssimo Sem contar com os milagres Espero além daqui As respostas desencontradas Dessa vida embaralhada Que seja feita a vossa vontade Assim na terra como no céu E dai-nos a sapiência de aceitá-la (Nane-11/11/2014)
344
Berlinda
Se é Deus o criador Não cabe à mim (criatura) Questionar decisões Por ele tomadas
Resta-me aceitar E por vezes até chorar Quando meu coração não entender O que ele vai fazer
Blasfemo intimamente Gritando em meu silêncio Que além de mim, só ele escuta A miséria em que me sinto Mas ele, Deus onipotente Tudo vê e tudo sabe Também a tudo perdoa E há de me entender Sou polêmica por natureza Filha do pai que me criou E se é assim que eu sou Foi Deus quem deixou
Hoje, na berlinda Essa vida, dita tão linda Perturba minha inteligência E acirra minha arrogância
Te louvam e idolatram E por prêmio...ajoelham Questiono e te desafio E sigo ilesa
Se por mim ou por mais alguém Não sei... O fato é que te pergunto Até quando...Deus
(Nane-10/11/2014)
491
Sulcos
Por entre as sementes que planto e cuido Procuro raízes que penso fincar Mas vem a seca e teima em matar O fruto que pensei colher Em meio à plantação O mato cresce sem distinção Abafando meus sonhos semeados Na terra que arei com tanto cuidado Os sulcos do solo Se confundem com minhas rugas Ambos criados sob o sol escaldante E de péssimas aparências
Sou princípio do mesmo chão Que aguarda mansamente por mim E cava sulcos sem distinção Em mim e no chão Chão esse que há de me engolir E para sempre me silenciar E quem sabe, com sorte, fazer de mim Adubo de minhas próprias sementes
(Nane-10/11/2014)
432
O uivo do lobo
Para quem piscam as estrelas Nas noites enluaradas Senão para mim Que vagueio noite adentro
E se tento dormir O brilho delas, atrapalha Insistem em ofuscar Meus sonhos em devaneios
Piscam para quem como eu Espera nesse lume misterioso Com um quê de melancolia Um pouco de poesia Dizem que esse brilho Nada mais é Do que o olhar lacrimejante De um amor não correspondido Por isso o lobo solitário Uiva nas noites enluaradas Chamando sua amada Sabendo que ela não responderá
Para quem piscam as estrelas Senão para mim Que me deixei seduzir E me tornei loba....assim (Nane-08/11/2014)
408
Expectativas
Deitei sem vontade de dormir Mas o sono chegou sem avisar E quando dei por mim O sonho me embalou Atravessei o arco-íris Em busca do El Dourado Onde o que contava Era a tal felicidade Potes e potes de ouro apareceram Mas não os quis Procurei em vão no meu devaneio Pelo valor dos meus anseios O ouro de tolo jorrou No sonho que não sonhei Tentei fugir da minha realidade Mas sonhei que estava acordada
Todas as minhas expectativas Deixei no sonho que não sonhei Tentei fugir do mundo Mas a vida continua... (Nane-07/11/2014)
370
I want to go back there (Eu quero voltar pra lá)
Aqui não é o meu lugar Deslocada e sem rumo Tento me encontrar Mas não consigo me achar E quem é que pensa em mim Se eu não penso em ninguém Quem é que espera por mim Se de mais ninguém estou a fim Quem um dia pensou Já não tem mais tempo Pensa agora em outro alguém E de mim, não se lembra mais Vou em busca do amanhã Que meu hoje virou ontem Se aqui não dá pra ser feliz Vou tentar ser lá (Nane-06/11/2014)
332
O autista
Meu olhar vagueia E incomoda Me julgam alheio Não sabem do meu mundo Onde sou rei Me acham diferente E não percebem O quanto diferem de mim E são estranhos (pra mim) Preocupam-se com outras vidas Falam de outras pessoas Escondem sentimentos Ensinam o que não fazem E mesmo assim...me julgam diferente Ser normal para eles É fazer o que fazem E ordena a sociedade Ser normal para mim É fazer o que eu quero E quando eu quero Sentem pena de mim Por me acharem diferente Mas o que não sabem É que eu, na minha indiferença Sinto pena deles todos (Nane-06/11/2014)
340
Psiu
Entre bem devagarinho Não faça barulho A minha dor adormeceu Não quero despertá-la A saudade foi na esquina Enquanto a alma repousa O coração serenou E ouço a chuva que cai Pise bem de mansinho Minha noite está tranquila O amanhã...não sei Faça silêncio, por favor Minha dor adormeceu...