Lista de Poemas
SONHANDO EM SER CRIANÇA

De fuzil nas mãos
Precocemente empedernado
Na sobrevivência
Lacraram num ataúde
As quimeras e fantasias
Dos meus sonhos de menino
Brutalmente emancipado
A tal maioridade
Cospe fogo e mata
Para que eu não morra
E sucumba com a infância
Na solitude de um descanso
O tremor de um ruflar insiste
Em me elevar por sobre a miséria humana
Nas asas da esperança de criança
Sobrevoo inerente de segundos
Sustentado pelas asas da liberdade
Abertas em meio à podridão
De uma guerra dita santa
Vislumbro brincadeiras e cirandas
E outras crianças de etnias
Diversas e tão afins
No sorriso ímpar infantil
O ranger da tampa do ataúde
Recolhe minhas asas podadas
No estampido seco de um rifle
E o menino vira homem de matar
(Nane-08/04/2015)
619
ALUCINAÇÃO

Num odor agridoce agradável
Seduz meu olfato já pouco apurado
Pelo vício da fumaça inalada
Embriaga meus sentidos já embriagados
Pela cevada gélida na garganta
Rompendo sinapses no corpo inteiro
Relegado ao estado entorpecido
As paredes borradas de cores
Confundem e atraem os meus olhos
Num redemoinho em espiral
Num mergulho perene...caindo
Paulatinamente figuras
Se formam na minha mente
Vou mais fundo na embriaguez
Quase num êxtase lacônico
Nada me é conhecido
Além do cheiro inebriante
Dançam espectros sombrios
Como num ritual fúnebre
A escuridão se confunde com a luz
Que cega do mesmo jeito
O estrondo ensurdecedor se faz
E o suor frio escorre molhando a cama
Por hoje acabou o mergulho
Os olhos esbugalhados revelam
Que o pesadelo não tem fim
Foi só mais um capítulo...
(Nane-28/03/2015)
382
NARCÓTICO

Sem dizer de quem
Talvez de mim mesma
Em outra época
Quando eu era mais eu
Sem nenhuma dependência
Dos vícios adquiridos
O fumo e a bebida
Matando aos poucos
Mas nada comparado
À pressa de morrer
Pela falta de você
Amor unilateral
Jogado no despenhadeiro
Subjugado e escravizado
Restrito a imaginação
Que faz pulsar ainda o coração
Friamente executado
Crack na alma alojada
Impulsionando o pouco da vida
Num bem de um mal constante
Na eterna espera da hora
Em que se fará presente
O maior de todos os meus vícios
O tom de cinza nos dias
De tantas cores alheias
Fogem ao meu sentido visor
Lavado e levado nas águas
Que escorrem na surdina
Do meu delírium tremens
(Nane - 01/04/2015)
367
É PRECISO CONTAR ESTÓRIAS

Nascida no bastidor
Onde um homem é mulher
E uma mulher finge um amor
Surreais vidas
Onde admira o amante
O marido não traído
Mas corno manso
Surreal loucura
De gente que se diz sã
E por baixo do 'pano'
Se mostra louca
Surreal romance
De sereia e caramujo
Num Reino Unido
Com sotaque nordestino
Surreal relacionamento
De vidas inventadas
Vividas dentro da tela
De um computador ligado
Surreal sentimentos
Que evaporam ao vento
Quando a tomada é puxada
E a bateria descarregada
Surreal musa
Surreal escritor
Surreal marido
Surreal amante
(Nane-27/03/2015)
*Arte de: Fátima Ayche
437
PASSAPORTE PARA A ETERNIDADE

Do estrago causado
Pela ausência tua
Virias à mim
Ah, se tivesses
A noção da dor
Que esmaga o peito
E escorre nos olhos
Ah, se sentisses
Um mínimo que fosse
Da saudade opressora
Que sufoca o ar
Ah, se pudesses
Me ver agora
Entenderias melhor
O que fizestes
Ah se entendesses
Do amor verdadeiro
Saberias que a morte
Não me mete medo
Ah, se tivesse sobrado
Só um pouco de verdade
Entenderias que a eternidade
Sou eu e é você...
(Nane-27/03/2015)
*Arte de: Luiz Eduardo Lomba Rosa
406
DANÇA CONTURBADA

Enquanto eu olho o céu
Danço
Conforme a música
Envolta no branco
Da folha vazia
A alma tatuada
Traz lavas cuspidas
E cinzas espalhadas
Tapando o sol
E o céu em mim
Enegrecido
O furacão no vulcão
Faz em mim insensatez
No amálgama entupido
Disposto a explodir
E mandar tudo às favas
Num surto desequilibrado
Toca Pearl Jam
Enquanto eu escuto
E danço
A dança destilada
Que evapora de mim
Enquanto eu me acalmo
O céu ainda está negro
O amor não é brinquedo
Tem estrelas lá em cima
Não no meu céu
Mas estão lá
E eu me recolho
(Nane- 26/03/2015)
Arte de Henrique Dias - 'Dança'
384
A pecadora

Peco por falar
Por me expor
Por me deixar transparecer
Por mostrar quem sou
Peco quando amo
Ou mesmo se desamo
Peco por dizer a que vim
Por não mandar recado
Peco se dou carinho
Ou se ignoro
Peco por gostar
Peco por demonstrar
E quando não gosto
Também peco
Porque se não destrato
Deixo claro o que é fato
E peco apenas por pecar
A cada vez que amo
Que encanto
Que tento
Que faço
Que desfaço
Que mostro
Que não escondo
Peco porque vivo
Por não ser o que esperam
Por desapontar
Por não sofrer
Por pouco me lixar
Por nada me importar
Com o que de mim vão achar
E aí...eu peco...
(Nane-17/06/2010)
447
Seus olhos

Tão límpidos
Tão expressivos
Tão frios, tão lindos
Seu olhos que falam
Que sabem dizer
Que me fazem sofrer
Que me dizem não mais querer
Seus olhos são o espelho
De tudo o que és
De tudo o que diz
Sem a boca abrir
Seus olhos são como o lume
Que se apagaram pra mim
Não refletem mais o carinho
Que sentias por mim
Seus olhos são flechas
Que fincam no peito
Fazendo sangrar
Até meu coração dilacerar
Seus olhos que antes
Sorriam pra mim
Me dizem agora
Friamente que é o fim
Seus olhos tão belos
Fecharam para mim
A esperança da vida
Me deixando assim
Seus olhos...
Não me olham mais
(Nane-26/12/2011)
382
Poesia perdida

Onde foi que eu te perdi?
Já não consigo rabiscar
Com prazer, com alegria...
Ah minha poesia...
Não passas de um amontoado
De palavras sem rimas
Que nada querem mais dizer
Vou rabiscando só por rabiscar
Mas não encontro mais prazer
Nas rimas que não sei fazer
Com as palavras do verbo amar
Olha quantas coisas vãs
Inúteis e vazias
Não são coisas de mente sã
Falta na poesia, a alegria
Vou seguindo rabiscando
Simplesmente por ser hábito
Mas a magia está se acabando
São rabiscos quase metálicos
Me surpreenda poesia
E traga-me de volta por companhia
A vontade e a magia
De rabiscar com alegria
Ou talvez, quem sabe
Me faça de tudo esquecer
Faça com que não tenha mais vontade
De fingir que estou a escrever
(Nane-26/12/2011)
349
Vislumbrando a eternidade

Decidi deixar na eternidade
O que é da eternidade
A vida é aqui e agora
E de viver aqui...é a hora
Deixar que a aurora da eternidade
Amanheça na sua hora da verdade
Importa agora é seguir nesse jardim
Que eu mesma plantei pra mim
Fluir a vida que eu tenho
Alimentar os sonhos que eu sonho
Amar os entes queridos
E atravessar a caminhada sem reclamar
A vida aqui é uma passagem
Em que o tempo é mínimo
Diante da eternidade que me espera
Para os reencontros planejados
Olho lá adiante o horizonte
E vislumbro meu novo caminhar
Deixa a eternidade atrás dos montes
É hora dessa vida aqui, tocar
(Elian-04/02/2012)
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