Ella Lorenza

Ella Lorenza

n. 1997 BR BR

E se eu não souber mesmo nada sobre mim, vou recolhendo os pedaços dos mundos de cada caminho. Vou criando minhas vozes, meus olhares, meus passos. Sussurrando para a vida nunca me deixar esquecer de viver.

n. 1997-07-08, Uberaba

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Amaldiçoada vida

Viva,
sem diferença no ser e no não ser,
dicotomia maldita das vidas amortecidas.
Sem querer viver mais assim,
tão doído,
Peço: Entidade que me guada a existência,
petrificada dentro do coração que me judia,
sangue invenenado,
Deixa eu ficar, dormido em mim.
Me priva do mundo que não me conheço,
que não me conhece.
Me deixa, em qualquer sonho mais vivo,
mais algo,
mais que esse não sei o que morto,
que acidifica a vida e a condena
em potência infinita.



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Poemas

5

Distâncias perdidas dentro de mim

São essas distâncias...
Essas distâncias secretas
em suas origens,
nas quais meus olhos
sempre se perdem...
Essas distâncias
que guardam tudo,
tudo o que acredito,
mas não necessiariamente
entendo.
São nessas distâncias em
que me guardo,
em que paro de viver
na respiração...
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Monólogo de encontro às almas disfarçadas libertadas pelo incenso

Monólogo de encontro às almas disfarçadas do incenso
Ela acorda nas segunda sem a perspectiva de início de semana, então permanece com a existência entre os cobertores e reza para qualquer divindade possível faze-la voltar a sonhar, qualquer sonho, em qualquer vida. Mas algo da humanidade a faz praticar a vida de pé. Ela refugia-se em fantasias para suportar os dias que tem apenas a si como companhia. Foi sempre muito difícil viver ao seu lado, ela nunca fora muito simpatizada consigo própria.

E é entre as segundas e as sextas que ela debruça sua chance na névoa cigana do incenso, a ordem espiritual contida na fragrância e o movimento fluido do espirito enevoado à fazem esquecer de si mesma e do precoce sacrificado destino. Mas por que tão doído, sempre se pergunta. A resposta sempre vem de dentro e em tom de desgraça. A praga amaldiçoada é a vida para aqueles que não compreendem o que são.

E ela não compreende, e por essa razão, passa a vida encolhida nas obscuridades dos mundos que criava, na tentativa de esquecer de si, desviar-se o caminho da dor que a si mesma deposita. E como uma ostra que lima beleza transcendental sob a perspectiva da fuga contra invasores audaciosos, sua pérola é quando encontra pelo caminho existências desconhecidas pelo homem.

Coisas que só ela percebia, mas que estavam tão belas no mundo, como poderiam eles não perceber? E como não percembem eles, a melancolia de maré do acordéon engolido pelos seus olhos, todas as vezes que lhe perguntam como está e ela sabe que não querem mesmo saber.

Não. Eles não estão é prontos. Apesar da crônica amaldiçoada , ela tem vícios que só coisa de espírito de outros mundos. Mas dói, sempre dói. Mas por que tem que ser assim tão doído? A vida e seu teor sarcático e embebecido de misérias auto explicativas, felicidades desamparadas e tristezas desesperadas. Ela sabia das coisas, mas era triste. Era, porque morreu. E ainda morre, todos os dias.
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Pirilampos

Se o vaga-lume é isso,
pois vaga, pois lume,
o que eu seria se,
se eu nada, se eu....
Declamo frente a luz
de qualquer chama
abandonada, meu
próprio destino.
Poesia em que um
alguém aqui dentro
de mim
relata a vida de uma
pessoa morta.
Meu episédio,
minha poesia é declarar
a minha vida
todas as vezes que eu morro.
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Recorte cinematográfico

É assim que o cubismo se da na poesia,
recorte cinematográfico,
pedaços desconectados do todo.
É assim que se dá na minha vida?
Mas por que sempre tem que ser assim,
tão doloroso, judiado ?
Deixar o bloco, lançar-me em outro,
em outro não sei o que nos viveres.
Que pelo medo, se faz mais uma vez,
dor.
Oh.
Judiada vida.
300

Cada passo, só vida.

Onde está minha poesia?
As palavras, aquele
não sei o que, inspiração?
Terá um alguém, algo, entidade,
capaz de me fazer compreendida,
povoar o mundo melhor do que faço,
sabendo cada passo,
sem precisar morrer para viver cada dia?
Cansada demais de não me saber, não
me entender na vida,
Cavo cova para enterrar o que já em
mim muito já está morto.
Chance?
Judiar menos, mais amiga, acreditar em
algo.
A nova de mim, encontrarei pelos caminhos,
farei de pedaços menos desbotados,
sem tantas necessidades doloridas.
No convento da mata me anuncia,
aquilo que me falta, que me justifica ainda viva.
Que eu me dê tudo de mim,
que eu seja tudo o que eu tenho,
que não seja pergunta, nem procura de responta,
que seja e simplismente seja,
sem hematoma, sem agnonia,
Só vida.


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