Ella Lorenza

Ella Lorenza

n. 1997 BR BR

E se eu não souber mesmo nada sobre mim, vou recolhendo os pedaços dos mundos de cada caminho. Vou criando minhas vozes, meus olhares, meus passos. Sussurrando para a vida nunca me deixar esquecer de viver.

n. 1997-07-08, Uberaba

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Amaldiçoada vida

Viva,
sem diferença no ser e no não ser,
dicotomia maldita das vidas amortecidas.
Sem querer viver mais assim,
tão doído,
Peço: Entidade que me guada a existência,
petrificada dentro do coração que me judia,
sangue invenenado,
Deixa eu ficar, dormido em mim.
Me priva do mundo que não me conheço,
que não me conhece.
Me deixa, em qualquer sonho mais vivo,
mais algo,
mais que esse não sei o que morto,
que acidifica a vida e a condena
em potência infinita.



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Poemas

3

É macio

Por que dói,
quando existência macia
deixa de existir?
Existência pássaro,
Existência peixe, flor.
Existência no olhar do cão?
A chuva, a onda, o riso, pólen.
Quando morro,
O sangue é áspero,
Denso, mergulhado
Na miséria do mundo.
Choro seco e grito,
A garganta abafada.
Que agora seja macio!

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Poema de um amante bobo (é bobo o amante ou o poema)

Mas como explicar para ele,
Suplicando em lágrimas,
Risos trágicos desesperados,
Em seco.
Preciso que me ame.
Poderia me amar, por gentileza?
Sabe, eu preciso que você me ame,
Porque parece que sabe dessas coisas.
Desse não sei o que, amor?
Amar assim do jeito torto que sou, podia?
Sem tentar consertar,
Segurar delicado o coração,
Amar direito.
Enfiar a mão pelo encontro do olhar,
Puxar a alma para fora,
Coloca-la no lugar?
Mas depois não ir embora,
Não abandonar.
Contar lugar onde encontrou a alma,
Caso aconteça de ela me perder,
Se perder naqueles lugares secretos
Dentro de mim.
Aí, não esqueça,
Me amar tem o risco de ter cuidar,
Para eu não descuidar de mim,
Me guiar toda torta,
Acreditando em rumos errados,
Emaranhando em distânicas
Sem sensos de volta.
Mas você poderia me amar então,
Assim?
Sabendo que tão pouco sei de amor.
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Corro

Do que corro?
Quando busco alguma coisa...
Quando ando tão depressa,
Quando respiro tão pezado,
Quando sofro tão compulsivamente,
Imcompreensívelmente....
Do que corro?
Quando arfante,
Passo pela vida tonta,
Quebradiça, impossível de se realizar.
Do que corro?
Quando deixo de saborear,
Quando nem mesmo experimento,
Quando morro tantas vezes,
Em cada segundo.
Do que corro?
Quando busco desesperadamente,
O amanhã,
Quando obcecadamente,
Corro.
Correndo assim, em direção a algo,
Na necessidade desconhecida de algo,
De encontro a algo....
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