E se eu não souber mesmo nada sobre mim,
vou recolhendo os pedaços dos mundos de cada caminho.
Vou criando minhas vozes, meus olhares, meus passos.
Sussurrando para a vida nunca me deixar esquecer de viver.
Viva, sem diferença no ser e no não ser, dicotomia maldita das vidas amortecidas. Sem querer viver mais assim, tão doído, Peço: Entidade que me guada a existência, petrificada dentro do coração que me judia, sangue invenenado, Deixa eu ficar, dormido em mim. Me priva do mundo que não me conheço, que não me conhece. Me deixa, em qualquer sonho mais vivo, mais algo, mais que esse não sei o que morto, que acidifica a vida e a condena em potência infinita.
Viva, sem diferença no ser e no não ser, dicotomia maldita das vidas amortecidas. Sem querer viver mais assim, tão doído, Peço: Entidade que me guada a existência, petrificada dentro do coração que me judia, sangue invenenado, Deixa eu ficar, dormido em mim. Me priva do mundo que não me conheço, que não me conhece. Me deixa, em qualquer sonho mais vivo, mais algo, mais que esse não sei o que morto, que acidifica a vida e a condena em potência infinita.
558
Recíproca incompreensível
Desperdiçada em mim, Eu. Arrastando pelos mundos, Comunicando com seres subterrâneos, imaginários? Sem dentes, sem forças, ossos quebrados. ''Mordendo o próprio pescoço''? Derramando vidas pelas mãos, Corrompida, surreal. Habitante dos céus, prisioneira enterna do chão, Nefelibata, sentenciada, ser eu. Triste fim desde o começo, desinteressada pelas línguas dos homens, procurando sotaques desconhecidos, incormpreensíveis. Observo de distâncias oníricas a meu ser, pena, miséria, tontura, não há o que fazer? Mas faço, aposto com a vida mais uma chance, me destruir menos, conseguiria? Um dia desses, acordar feita de vida, livre do vírus de morte alternativa.
333
Espalhar os olhos na vida
Dizia meu pai, para não entortar de caminhos para ter mais visão, bastava espalhar os olhos na vida, pela frente mesmo, em reta, carecia de desvios não. Tinha que ser alegre mesmo ele dizia. Se esparramar na vida, ''sem pensar demais em coisa nenhuma''. Pensar demais machuca, judia. Eu judio, em silêncio comigo. Penso emaranhado, vou perdendo o tempo do viver, assim, só pensando. Machuco e me dôo por costume, Perdi o senso da vida pequena, devagarinha, tão bonita, tão distante de mim. Me guardei em congestionamento ideológico qualquer, acabei me esquecendo. Onde foi que me guardei? Me perdi no jogo de perguntas e constatações. Me perdi em desculpas cínicas para a vida mesma, nunca viver. Medo?
310
viajante do absurdo
Viajante do absurdo, pede alforria para o mundo. Autofagia em senso desesperado, fagocitou seu coração, na esperança de algo novo dentro de si. Silencia a maldição monocromática, se afogando em vícios inventados. A criação, último ato desesperado, ir por um caminho cego em busca de cores. Nesse jogo de perdas e sonhos, incorpora sua própria melancolia, força a face dolorida de fingida em alegria, para não ter que desabotoar suas vergonhas e cuspir sua tristeza para um mundo ocupado com outros absurdos.
347
Um dia, me libertar ?
Vivo a vida ultimamente, mesmo muito esparramado, sem nada de tudo verdadeiro. Hoje já sendo tão memória de ontem, me parece sempre que o passado é mais largo que o presente, infinitamente maior que hoje . Afogo a vida em constatações inúteis, para me distrair da incapazidade de viver. Minha vida, que coisa nesse dia? Sempre falta alguma cois para ser suficiente. Crio a desgraça com as mãos, sem querer, um acidente. Aconteceria um dia, me libertar, sair de meu controle, ser torta em outro lugar?
372
Eu e a vida
Amiga minha mesma não sou, Me falta sempre um não sei o que de vida, Uma vontade, um respirar macio. Judio? Me faço pequena e me enterro, sou rala vivendo pelas bordas. Me falta vida dada, certo sentido, alguma certeza. Um olhar para dentro, saber de alguma coisa. Ver sem deixar de enxergar, Sou sempre pelas metades, sem talentos de viver. Passo pelo resto dos caminhos, beiro a vida e ela me beira, me abandona. Passa batida, um esbarro, negligenciando o ser, me indifere. Insisto ralhando comigo e também com a vida. Mas nessas tristezas periódicas, acho beleza, coisas vidas nessa vida meio morte, aparições encantadas. Procuro disfarçadamente essa beleza, esse espírito, para me fazer viva também. Um dia eu mesma me acharia coisa inteira, coisa viva?
319
Deixar de ser dura
Se reconhecer apenas na tristeza, balbuciar palavras chorosas, quando o que queria mesmo era riso. Sofrer por costume, por não saber mais coisa nenhuma. Gostar de experimentar os dentes em riso, fingir felicidade momentânea. Esperar que ela seja tornada real, mas não torna, não dura. Será que um dia, a alma esquece de ser triste, deixar de ser dura? Podia viver sem ser obrigação dolorosa, sentença, condenação, Seria?
330
Do tamanho do mundo
Vou andando e me deixando, abandonando, em cada canto, esparramando, na tentativa de me deixar longe, cuidada por outras coisas, outras vidas, que eu saia do meu controle, dos meus maus tratos, que eu seja brisa, que eu respire macio e miudo, do tamanhdo do mundo. E que não doa em mim, que não doa no mundo.
432
Sublimação
'Sublimação da alma em cárcere quando sonha, quando tira os pés do chão, quando fecha os olhos bem abertos, se enxergar de vez por todas. Sofre menos quando aceita seu hospício, sua casa, lar de sugestão. O velho paradígma, adianta-se no tempo, expressão artísitica dos falidos persistentes. Cria do mundo que ela cria, descubre formas, seu contento, manifestação.
439
Água de choro
Chorar dói, Dor de lágrimas, água de choro. Dor expremida, expulsa, afogada mesmo. E quando chora sem esbarrar é porque tem muita dor tomando espaços, as necessidades de sossego ralham com os olhos para empurrar tristeza para fora, Sofrimento que não cabe mais dentro de nada.