ElsioPoeta

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Amante da Poesia e da boa Música e aspirante a Poeta

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Homem..!

Homem..! Que em vão perscrutas céus distantes.
Em horas que o destino te acovarda...
Buscando na volúpia dos instantes...
O refrigério anil da paz sonhada.

Homem..! De longe trazes arquejante...
Os ímpetos febris em derrocada.
Sonhos de alvoradas inebriantes,
No ocaso da esperança malfadada...

Homem..! Ser que se debate inutilmente...
Diga-me..! Para que te serve tanto empenho,
Se o que colhes de cada esperança,
é o fruto amargo da decepção..?

Se a cada grito que ao mundo imprecas...
Só te responde um terrível eco...Solidão..!

Psique Divã das Dores


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Poemas

3

Homem..!

Homem..! Que em vão perscrutas céus distantes.
Em horas que o destino te acovarda...
Buscando na volúpia dos instantes...
O refrigério anil da paz sonhada.

Homem..! De longe trazes arquejante...
Os ímpetos febris em derrocada.
Sonhos de alvoradas inebriantes,
No ocaso da esperança malfadada...

Homem..! Ser que se debate inutilmente...
Diga-me..! Para que te serve tanto empenho,
Se o que colhes de cada esperança,
é o fruto amargo da decepção..?

Se a cada grito que ao mundo imprecas...
Só te responde um terrível eco...Solidão..!

Psique Divã das Dores


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Eu me recordo...

Eu me recordo...eu era tão pequeno...
Quando à antiga escola me levaste.
E lá chegando, após um breve beijo,
Com um calmo sorriso me falaste:
Que logo virias buscar-me,
Que não precisava me preocupar.
Fui, devagar, descendo a escadaria,
Trêmulo e com vontade de chorar.

E no pátio da velha escola,
Crianças corriam e brincavam,
Numa euforia ébria de liberdade,
Infantilmente, se esbaldavam.
Até pareciam filhotes de aves,
Tão distantes de seus ninhos.
Livres! Eles voavam alegres,
Triste! Eu voava sozinho...

Mais uma vez meu olhar ergui
E teu vulto, ansioso, procurei.
Lá da rua, calmamente a me fitar,
Que parecias triste, eu achei...
Quis, então, voltar ao pé da escada,
Mas fiquei ali parado, pobre menino...!
Vendo tua figura que se afastava,
Pressentindo ali, talvez, o meu destino.

O sinal tocou...eu ainda o escuto...
Na grande fila entrei resignado,
Ela foi se arrastando e lentamente...
Fui por mãos estranhas, então, levado.

Hoje...! Após tantos anos passados,
Ao rememorar esta passagem,
Não posso deixar de ver e constatar,
Nesta longa e quase dolorosa viajem,
Que tudo que vejo e percebo nela,
Tem um sentido...um significado...
Pois, mais uma vez eu fui
(E agora para sempre), por ti deixado.

A vida é a escola em que me encontro perdido.
Onde, entre sorrisos efêmeros e fúteis,
Vou buscando algo que dê sentido,
Para dias tão longos e inúteis...

O pátio da escola agora está vazio.
Só há nele: desespero...solidão...
Continuo voando triste e só,
Perdido em minha própria imensidão.
Só uma leve esperança restou-me,
Nesta minha dor atroz e infinda:
É a que, no final da grande aula,
Venhas, quem sabe...? Buscar-me ainda...


De Hyppólito

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Quatro Estações

Já vai longe a primavera... os campos verdejantes...
Onde a criança brincava. O céu azul... inebriante...
Flores brotando... ramalhetes de sonho infantil,
A perfumar de alegria, a crença pueril.
Tempo de paz...um lago calmo...rara beleza...
Os frutos doces...cantigas de roda... "as malvadezas...".
O horizonte abrindo-se largo, sem fronteiras.
A mãe, zelosa, dando as broncas corriqueiras.
Os dias eram longos. As alegrias, também...
O choro era breve... nosso riso ia mais além...
Tínhamos esperança e dos sonhos, a amplidão.
E tudo isso, cabia, na palma de nossa mão.
Já vai longe o verão...! Campos em chamas...
Onde o jovem se abrasa. Ígneo, o céu se inflama.
Paixões brotam em buquês. Os desejos juvenis
Perfumando o ar libidinoso...arroubos...desvarios...
Tempo do amor...! Um mar em fúria...! O templo da beleza...!
Corpos em êxtase...canções promíscuas... "as safadezas...".
O horizonte a esmo, largo...sem fronteiras.
E a mesma mãe, ciosa, a nos falar "asneiras".
Os dias eram intensos. Os prazeres, também...
O pranto efêmero...nosso gozo ia mais além...
Tínhamos vigor, a energia fluía de nossas mãos.
E toda essa força, cabia, em nosso coração.
Já vem chegando o outono...! Campos pelo vento, açoitados.
Onde o homem cisma. Gris, o céu parece desbotado.
Flores murchando...o medo se abrindo em buquês...
Um cheiro agridoce a nos encher de dúvidas e porquês...
O tempo é rápido...! Um mar que oscila na incerteza...!
O corpo se exaure na instável correnteza.
O horizonte vai se fechando. Ao longe...as fronteiras.
E a mãe, ausente...suas palavras sábias...verdadeiras...
Os dias passam céleres. As venturas, também...
O choro prolonga-se...a dor vai mais além...
O vigor se esvai...escapa pela nossa mão...
E toda essa angustia, cabe, em nosso coração.
O inverno se aproxima...! Campos de geada, cobertos.
Onde o velho decai. Cinéreo é o céu...o pôr-do-sol, deserto...
Folhas secas num ramalhete de flores estioladas.
Um cheiro acre a perfumar a alma cansada.
O tempo para... um pântano estagnado na imundície...
Os frutos bichados...nênias ao vento... "as caduquices...".
O horizonte não mais se avista. Superamos todas as fronteiras.
A mãe saudosa...chama...! É a viajem derradeira...
Os dias passam lentos. A agonia, também...
O riso se estanca...o tédio vai um pouco mais além...
Os tempos idos trazem luz e trevas ao coração.
E tanta vida...longe...fora do alcance de nossa mão...

De Hyppólito
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