ElsioPoeta

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Amante da Poesia e da boa Música e aspirante a Poeta

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Quatro Estações

Já vai longe a primavera... os campos verdejantes...
Onde a criança brincava. O céu azul... inebriante...
Flores brotando... ramalhetes de sonho infantil,
A perfumar de alegria, a crença pueril.
Tempo de paz...um lago calmo...rara beleza...
Os frutos doces...cantigas de roda... "as malvadezas...".
O horizonte abrindo-se largo, sem fronteiras.
A mãe, zelosa, dando as broncas corriqueiras.
Os dias eram longos. As alegrias, também...
O choro era breve... nosso riso ia mais além...
Tínhamos esperança e dos sonhos, a amplidão.
E tudo isso, cabia, na palma de nossa mão.
Já vai longe o verão...! Campos em chamas...
Onde o jovem se abrasa. Ígneo, o céu se inflama.
Paixões brotam em buquês. Os desejos juvenis
Perfumando o ar libidinoso...arroubos...desvarios...
Tempo do amor...! Um mar em fúria...! O templo da beleza...!
Corpos em êxtase...canções promíscuas... "as safadezas...".
O horizonte a esmo, largo...sem fronteiras.
E a mesma mãe, ciosa, a nos falar "asneiras".
Os dias eram intensos. Os prazeres, também...
O pranto efêmero...nosso gozo ia mais além...
Tínhamos vigor, a energia fluía de nossas mãos.
E toda essa força, cabia, em nosso coração.
Já vem chegando o outono...! Campos pelo vento, açoitados.
Onde o homem cisma. Gris, o céu parece desbotado.
Flores murchando...o medo se abrindo em buquês...
Um cheiro agridoce a nos encher de dúvidas e porquês...
O tempo é rápido...! Um mar que oscila na incerteza...!
O corpo se exaure na instável correnteza.
O horizonte vai se fechando. Ao longe...as fronteiras.
E a mãe, ausente...suas palavras sábias...verdadeiras...
Os dias passam céleres. As venturas, também...
O choro prolonga-se...a dor vai mais além...
O vigor se esvai...escapa pela nossa mão...
E toda essa angustia, cabe, em nosso coração.
O inverno se aproxima...! Campos de geada, cobertos.
Onde o velho decai. Cinéreo é o céu...o pôr-do-sol, deserto...
Folhas secas num ramalhete de flores estioladas.
Um cheiro acre a perfumar a alma cansada.
O tempo para... um pântano estagnado na imundície...
Os frutos bichados...nênias ao vento... "as caduquices...".
O horizonte não mais se avista. Superamos todas as fronteiras.
A mãe saudosa...chama...! É a viajem derradeira...
Os dias passam lentos. A agonia, também...
O riso se estanca...o tédio vai um pouco mais além...
Os tempos idos trazem luz e trevas ao coração.
E tanta vida...longe...fora do alcance de nossa mão...

De Hyppólito
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Poemas

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A Gente Se Acostuma...

Inspirado no texto "Eu sei, mas não devia" de Marina Colassanti

"Amoldar-se ao mundo e as suas regras não quer dizer que as aceitamos e nem que fazemos parte delas..."






A gente se acostuma... a ser isso que somos, a ser o que dia a dia nos torna...A brigar por vagas nos estacionamentos, a brigar por vagas nos empregos, a brigar por vagas no coração de alguém...


A gente se acostuma... a ser promovido sentido-se rebaixado, a ser escolhido sentindo-se relegado, a ser abençoado sentido-se maldito.


A gente se acostuma... a colegas que nos tiram da solidão sem nos proporcionar companhia, a beijar sapos que não viram príncipes, a frequentar lugares que odiamos e a conviver com pessoas que para nós nada acrescentam, nada significam...


A gente se acostuma... a ser gerido pela incompetência, a ser torturado por ela sem clemência, tornando-se mero joguete em mãos inescrupulosas que violam nossa inteligência...


A gente se acostuma... A encarar a vida como um mero exercício de aceitação... A deitar no "Leito de Procusto" das regras sociais... Amputando assim nossas aspirações, nossos anseios, nossas esperanças...


A gente se acostuma... que é dando que se recebe, que é fechando os olhos que se perdoa, que é apanhando que se cria escudos...


A gente se acostuma... à gravata apertada das instituições, à saia justa das negociações e a usar a túnica hedionda da cumplicidade...


A gente se acostuma... a corrupção dos elogios fraudulentos, a adulação hipócrita de nossos subordinados e a torpe indulgência de nossos superiores...


A gente se acostuma... a ser parte de uma acéfala estatística, estatística essa que não gera nada...não cria nada...não prova nada...que nos transforma em nada...


A gente se acostuma... a ganhar batalhas, perdendo-as, a triunfar sentindo a inutilidade da conquista e o amargo sabor da vitória pírrica.


A gente se acostuma... a enterrar nossos sonhos, nossos ideais, a ocultar nossos mais puros sentimentos, a engolir a seco toda mediocridade do mundo, a aplaudir de pé o exibicionismo infame dos hipócritas...


A gente se acostuma... a ser fera para não ser devorado por ela, a participar desse jogo sem questionar suas regras, a aceitar a trapaça no blefe dos farsantes...


A gente se acostuma... a não olhar para frente com medo do tempo que se esgota e que nos esgota...


A gente se acostuma... ao medo do que virá, do que será, do que farei..?


A gente se acostuma... a fazer várias coisas ao mesmo tempo sem se concentrar em uma, a ver a nossa vida rapidamente esvaindo-se na volúpia das horas sem se dar conta disso...


A gente se acostuma... a ver nossos filhos crescerem na mesma proporção de nossos medos, a ver a cada dia nossa imagem no espelho refletida sem nos enxergarmos, a envelhecer sufocando a criança que brincava em nosso peito...


A gente se acostuma... a se despedir chegando, a chegar partindo... a não olhar para trás com medo de ver que nos deixamos no caminho, que alguma parte de nós ficou na estrada, talvez a nossa melhor parte...


A gente se acostuma... a ver entes queridos partindo, nossos amigos sumindo... as mesas ficando vazias...a gente se acostuma a ficar cada vez mais sós...


Sim...! A gente se acostuma... mas não devia...*
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