QUANDO MUITO NUNCA É O BASTANTE
Não sei mais quem eu sou, estou perdido em mim, procuro a minha essência, mas não a encontro, me reputam como alguém que não sabe amar e nem conhece o que é o amor, me vejo sem rumo. Entristeço a minha alma, não sei se é injusto porque não me encontro mais, já nem sei se amei um dia alguém, não sei se exigem de mim além do necessário, não sei entender. Às vezes sou um anjo, outras frio como uma lápide. Estranho, não sei fazer o mal, todavia sou provado e considerado como tal, não sei mais o que fazer, estou preso, tenho medo, as pessoas se magoam, você é o culpado, precisam de pessoas programadas. Máquinas estragam em virtude do uso bom ou mau, não têm sentimentos, são reparáveis. Sou humano, sou cobrado, preciso me doar mais, mais, mais, cada vez mais, assuma a culpa, seja compreensivo, não te importa a compreensão de ninguém, você consegue carregar todo o peso do mundo em suas costas, você é incansável. O que noto é que sou julgado em não saber fazer o bem à altura das pessoas exigentes, a amá-las como elas querem, sinto-me inútil, desprovido de qualquer capacidade, ando mal por isso. Duro é ouvir vez ou outra alguém dizer que você não o ama, mesmo que você esteja lutando para provar, mas o seu esforço nunca é o bastante, te faz sentir como falso ou mentiroso, isso dói no coração e na alma, e não há reparo, a dor é constante, esvazia, distancia. Preciso me curar, talvez na solidão, doar para mim mesmo o que alguém recebe como ínfimo, como desprezível, sem nenhum valor. Miserável homem que sou.
VAMOS VER LÁ FORA
Vamos ver lá fora, vamos correr livres, vamos nos abraçar, façamos amizades sinceras sem nos preocupar. Vamos viver e amar, vamos nos respeitar, vamos ter empatia, não nos deixemos abater com as dificuldades do nosso dia a dia, nos deixemos bem conhecer. Venhamos eu e você, vamos sentir prazer na paz, no amor, façamos tudo isso florescer. Vamos sonhar juntos um novo amanhecer. Voltemos a ser crianças, onde o carinho, o amor, o alimento e a proteção nos eram suficientes, sejamos mais confiantes. Vamos esquecer o ódio e o rancor, limpemos os nossos corações, entoemos lindas canções que nos façam nisso refletir, sejamos mais gratos pelos pequenos gestos recebidos, vamos fraternalmente nos unir, compartilhar o bem e semear a humildade, não esperemos muita idade, comecemos agora, não desperdicemos nem uma hora, vamos embora lutar, buscar as virtudes de nós seres humanos, mudemos os nossos planos para aquilo que mude também as nossas atitudes nesses aspectos, olhemos para dentro de nós e sejamos críticos, ao invés de criticarmos os nossos semelhantes, temos mentes brilhantes. Somos capazes de alcançar os dons necessários que nos levem pelos caminhos primários do amor, vamos nos reconstruir, antes de tudo, antes mesmo, dessa espera dentro do tempo do qual não sabemos quando e nem onde iremos partir.
AMOR DEMAIS
Sou amor, sou fogo, veia latente,
Sou quente fervura, boca ardente.
Sou corpo em voga acalorado,
Sou rústico, prosa e extasiado.
Ando homem cego enamorado,
Calor de fêmea ao meu lado.
Sou belo colosso alvoroçado,
Par de algemas esfomeado.
Sou tanque de guerra encouraçado,
Um palanque de festas animado.
Não me sufoco sob nenhuma pressão,
O meu foco é viver uma intensa paixão.
NA TELA DA MINHA IMAGINAÇÃO
Pude ver a sua imagem na tela da minha imaginação
Dizendo: Não desanime, espere, seu tempo não será vão.
Tentei desligar tudo, mas foi impossível a intenção
Até de olhos fechados me incomodava aquela visão.
A via por todos os lados com frases de animação
Dizia: É minha escolha, não desfaleça o seu coração.
Quem sou eu para poder ganhar a sua atenção
Mas se é assim por favor segure firme a minha mão.
Pois está me perturbando virando a minha cabeça
Não se vá, deixe uma luz para que eu não te esqueça.
Para quando aparecer e eu ver a sua real imagem
Seja pura verdade em que transformou esta miragem.
PAI ME AJUDE A PARAR
Na manhã seguinte tudo era escuridão,
Uma névoa que se formava sorrateira,
Quer esquecer, mas tudo é anunciação,
Quer fugir, mas a sua atenção é certeira.
Sequer as folhas movem-se de lugar,
Dilatam-se as pupilas ao passageiro,
Os noturnos tudo podem enxergar,
Todos fogem e imóvel é o derradeiro.
Em seu corpo, nos pulmões falta ar,
Em seu cérebro confusão iminente.
Pai preciso me livrar, fugir e me libertar,
São fantasmas, tenho visão consciente.
São vários dias a me perturbar,
Para aonde me vou estão presentes,
Pai me ajude a parar, e esta fumaça dissipar,
Para encontrar o real caminho das sãs mentes.
SOU UM SER HUMANO NORMAL
Sou um ser humano normal, sujeito às intempéries da vida, sou um sujeito igual a muitos outros também, faço certo, às vezes errado, muitas vezes culpado, amor, desgosto, além. Massacrado, humilhado, mas exaltado, aliás, incapaz de não fazer o bem. Uma porta que fecha, um labirinto, uma saída, me entenda, não me julgue, vá viver sua vida. Sou normal, não um animal, meu raciocínio guia os meus instintos, viva o que vê e não o que imagina em seus pensamentos.
FORÇA E FÚRIA DE UM VULCÃO
O toque suave das mãos numa pele sedosa à boca, o sabor do frescor numa viagem tão louca, aterrissa no colo e faz curvas, depois acessa uma reta e dispara uma seta, visões turvas. É insuportável o desejo do amor, é calor ardente, não há forças que cerquem ou impeçam o seu penhor, é fogo, é quente. Não há resistência, em um beijo, em carícias, se desfalece, se mata, se morre, de tudo se esquece. Mas há forças que o impelem e atraem com rigor em dois corpos num extremo êxtase de esplendor, nos conscientes giram astros, em segredos escondem os seus rastros, em louvores não há fugas, não se julgam e nem se contendem com amores. Sem rugas aos seus pés se rendem. Os pulsos, as mãos, nos braços em abraços, em laços de união, com todo poder e razão, com fidelidade e pura transparência, essa força e fúria de um vulcão, que leva à excelência, vapores e lavas de erupção, queimam a alma e dilaceram o coração.
Erimar Santos.
SEU JUÍZO, SUA SENTENÇA
Verás que meus atos são sinceros e estou falando a verdade, não fico fazendo mistérios, protelando a realidade, não estou duvidando da tua capacidade, mas pelas tuas forças e se depender da tua idade, tudo que batalhaste com tanta vontade, ficará perdido nesta cidade. Meu pai entenda a ótica desse teu filho que te ama, Já não dorme mais com a minha mãe naquela mesma cama, vejo o senhor sempre cortejando uma jovem dama, meu pai o teu vigor não te engana! Não vês que aquela moça está interessada em tua grana? Se seguir assim, o teu suor dará a estranhos, descerás à sepultura, e deixará a tua geração desprovida dos teus ganhos. Pai meu, constituíste tantos rebanhos, eu e minha mãe te ajudamos nestes sonhos, veja, ela não tem mais a beleza, mas nos serviu com toda grandeza por toda a tua juventude, agora por causa de uma pobre jovem rude, fica amiúde perdendo o juízo, como que esta fase te levasse ao paraíso. Certamente descerás aos infernos, e toda traça comerá os teus ternos, pois quer nos deserdar, seguindo conselhos que irão te amarrar. Meu pai, são mentiras, não se abdique de nós, sei que alguns anos após irá se arrepender, agora está cego, mas futuramente lhe farão sofrer, de que valerá o teu ego, na velhice te abandonarão para em sofrimento morrer. Sem recursos, para mim, minha mãe e o senhor, pouco ou nada poderemos fazer. Pai, abra os teus olhos e veja com o coração, livre as nossas almas da peste e da negrura da escuridão, a toda tentação resiste, porque para lhe mostrar a razão o verdadeiro conselho insiste.
PARA NUNCA MAIS TE OUVIR
Quando você me disse eu sou vento,
Agarrei-me nos braços da ansiedade,
Porque soprou-me tão forte ao relento,
Varrendo-me pela estrada da insanidade.
Quando você me disse eu sou verdade,
Escondi minha face de grande tormento,
Pois o engano me mostrou deslealdade,
E eu insano vagueei em lamento.
Quando você me disse eis-me aqui,
Turbaram-se ainda mais meus sentidos,
Enlouquecido para distante de ti eu fugi,
Desejando meus ouvidos ensurdecidos.
O CAMINHO DO GUERREIRO
O caminho, a espada e a guerra
O destino é a morte que encerra.
No coração um fogo consumidor
Sente o guerreiro aniquilar a dor.
Sua alma nem a morte a assombra
Em seu espírito a tristeza relembra.
Das batalhas, travadas, sofridas
Dos inimigos degolados sem vidas.
Mas sua glória não está em matar
Seu objetivo é proteger e amar.
É fazer com a força o mal se render
É expulsá-lo do mundo com todo poder.