VIVA E DOE AMOR
Se queres viver a vida vivas com fé,
Se queres amar ames com esperança,
Se almejas cuidado busques com saber,
Faças bem, seja empático sem acepção.
Porque não somos verdadeiramente
A essência do que pensamos que somos.
Em muito nos tornamos mera vaidade
Daquilo que imaginamos ser realmente.
Não seja a pedra no sapato de ninguém,
Seja a solução na vida do seu bem,
Daquele ou daquela seja lá quem for,
O importante e gratificante é só o amor.
Eu amei de verdade, hoje só saudade.
Dê amor ao seu amor, o resto é vaidade.
SE QUERES QUE EU MORRA
Se me vires chorando e perguntares por quê? Responderei francamente: é porque não quis me querer. E se insistires em saber se esse é realmente o motivo, te direi: não me querer já é duro demais, ademais ter-me como amigo. E se fores mais persistente ainda e não se deres por satisfeita, julgando o motivo estupefata, bradarei a plenos pulmões: se queres que eu morra deste jeito, me mata, faça assim fique longe de mim não me dê seu amor e será o meu fim.
MALES LONGE DE MIM
Estou jogando fora tudo que não presta
Tudo que me cerca e oprime calado
Mantendo o que de bom ainda me resta
Lançando longe de mim, indignado!
Nem que me paguem um preço danado
Quero de volta estes males zangados
Que me afligem e me deixam passado
Tiram o sono dos meus olhos cansados.
Estou arrancando todos eles pela raiz
Nem que seja a mais longa e profunda
Apartando-me do que me faz infeliz
Eliminando tudo que me suga e afunda.
Que auxiliem-me prisões nos profundos
Trancá-los-eis nos inalcançáveis abismos
Para que não voltem aqui imundos
E me atormentem com seus anarquismos.
CHORO SEM LÁGRIMAS
Queria chorar, mas não me restou nem mais uma lágrima, pois todo choro já secou, quem amou, amou! Será que me amaste? Ficaste em cima do muro, não desceste, esperei tempos vazios, não creste. Queria de novo um choro por tanto riso canoro, pássaros canoros me consolando em orquestra em dia de festa. Contesta o que ainda te resta que é chorar, choro seco sem lágrimas, quem as colheu? Amor meu recebeste medida recalcada transbordante, guardaste e ensoberbeceste, por isso choro porque não doaste-me porção, retém-no. Doá-lo-ia para alguém se não ao meu coração?
NÃO CONSIGO ESQUECER-TE
Podes não mais querer-me, mas confesso
Não consigo esquecer-te, são memórias
Que de mim não saem, os bons tempos
Nossos juntos que os ventos não esvaem.
Você cuidando de mim quando solícita a
Encontrei, senti tanto carinho e a você me
Entreguei, com sentimentos sinceros me
Inclinei, desejando te amar mais que sei,
Por tudo que fruiria do seu zelo, pensei.
Sabemos que o coração nem sempre
Expressa a razão dos nossos propósitos
Desta feita surgiram fatos que nos
Levaram à ação por rumores insólitos.
Travamos lutas em paz, no que satisfez
Ao desgaste e a mercê, das idas e vindas
Entre mim e você, e o tempo curará tudo,
E que seja absorto o amor como escudo.
Para que sejamos agora fiéis, e sigamos
Unidos em outros anéis, neste caminho
Elevado e firme, esperançosos naquilo
Que não vemos, todavia todo dia cremos.
ESPERANÇA
Tenho imensa esperança de dizer te amo,
Espero no Senhor uma resposta certa,
Meu coração está em alerta ao que clamo
No fundamento do meu desejo que oferta
Todo amor sem medidas, sem desânimo.
Que seja feita a vontade do nosso Deus,
Ele sabe de tudo que nos são afetos
Abençoa e ilumina os eleitos seus
Ouve e atende as necessidades dos retos
No meu caminhar firma os passos meus.
Nos caminhos da verdade e da vida
Ele me conduz e me dá guarida
Me oferece a salvação na Sião elegida
Onde os Santos entrarão na subida
Gozando eternamente após a despedida
Pela constante vitória aqui enaltecida.
Erimar Lopes.
A CONFISSÃO DE UMA DONZELA
Tenho um véu sobre a minha cabeça
Na castidade vivo sem desejos tolos,
Venho aqui antes que eu me entristeça
Me derramar confessando desaforos.
Dos que insultam a minha pureza
E me veem como objeto de desejos,
Que os dentes são afiada destreza
E os olhos luzes cegas, faróis negros.
Que a boca escancaram até às orelhas
Num sorriso falso, frio, e alardeador
Tal qual o lobo espreitando as ovelhas
Na fome escondendo-se do justo pastor.
Rogo-te não os condene por suas ações
São desfavorecidos de entendimento
Tudo que sentem em seus corações
São armadilhas de empobrecimento.
Não materialmente expressando,
Mas do espírito e da alma do ser
Que vive neste mundo vagando
Na miséria das dores sem crer.
Ipatinga, 23/09/2018
Erimar Lopes.
EMBRIAGADO
Quando o vinho cai na taça e a enche de graça,
Os olhos ávidos, a boca seca, o espirito sedento,
A viagem corpo adentro, em instantes euforia,
Repetidas doses, esforçando-te na sobriedade a cabeça cambaleia,
Calor, torpor, tudo em descompasso, letargia,
Embriagado, não somente vinho, mas todo álcool tragado,
Carregado, vomitado, depressivo, enojado, e enjoado,
Devaneios são realidades, às vezes choros ou alegria,
Na noite deste dia tudo ficou perdido, aturdido,
Seria muito proveitoso suportar o desejo e não ter bebido.
A vontade de esquecer o que não pode ser esquecido,
Se a mente momentaneamente perde os sentidos.
Amnésia alcoólica caso tão sabido, das desculpas pelos escândalos cometidos.
OLHE O MAR
Olhe o mar como é lindo e parece infindo!
Águas bravias escumantes a calmas
Que banham a terra nos limites findo
Que tem toda a sorte de criaturas almas
E quando a gente vê pela primeira vez
Se encanta e se indaga: como isso se fez?
Olhe o mar com toda a sua majestade
Com todas as suas forças e belezas
Coitado! Está preso na porção seca
Restando por consolo suas profundezas
Cheia de criaturas almas, nisto não peca
Alimentando homens na árdua pesca.
Olhe o mar que recebe tudo às beças
Todos os organismos que o infesta
Ainda assim suas águas não são insossas
Tem o sal em abundância que presta
Este mar que o homem interpreta
E sabe um pouco dos mistérios acerca.
Da escuridão no centro da massa
Das profundezas e criaturas almas
Somente Deus sabe por onde passa.
SEI MINHA MÃE
Sei minha mãe que nenhum de nós fomos
Agraciados com as blandícias desta vida,
Pois todos tivemos que aceitar os açoites,
Desde a meninice a penúria dolorida.
Sei minha mãe que a humildade temos,
Que à simplicidade sempre recorremos.
Nos ensinaste e hoje a cremos,
Pois dela nos fizeste homens, mulheres,
E ataviada em nós confiantes vivemos.
Minha mãe sabemos, que tudo sofremos,
E não desanimamos, o tronco erguemos,
Com forças lutamos e vitórias alcançamos,
Derrotas tivemos, batalhas perdemos
Nas guerras que travamos, mas ninguém,
Nenhum de nós se foi, todos expectamos
O inviolável e insondável poder do bem.