UM SONO PROFUNDO
Quisera eu dormir um sono profundo, mas não o sono da morte, este aínda é muito forte, entretanto um sono profundo paralelo a este universo do mundo.
Um sono fora dos vivos, mas não junto aos mortos, fora das bocas cheias de dentes com os sorrisos falsos, das mãos que acariciam e armam laços.
Longe dos olhares e discursos altivos coisas típicas dos vivos, pois aos mortos não resta altivez, tampouco nas coisas concernentes aos vivos acurada lucidez.
Um sono profundo fora da aluvião das gentes que estão crentes na bondade dos povos, que cessarão com a fome e surgirão na terra como renovos.
Melhor dormir profundamente e não acordar, se o Sol te molestaria teve muita sorte, de não haver nascido e aberto os olhos para não contemplar o sono da morte.
SERÁ ELA?
Será ela a dona do meu coração que veio para ficar eternizada em mim, com perfumes das flores, me enchendo de amores no lençol de seda vermelho-carmesim?
Ela sabe tudo sobre mim, me cerca e me prende, me surpreende e sempre se rende aos meus anseios, mas me domina e não me recrimina por todos os meios.
Teus seios são meu aconchego, teus lábios meu doce recanto, teu corpo meu labirinto, teus braços meu regaço, teus olhos meu infinito encanto.
Tua cútis leve e suave como brisa de primavera, tua voz um som agradável como notas de uma linda canção na alma, teu sorriso de criança me acalenta e me acalma.
Que venha todo o amor sobre mim da mais pura, santa, e bela senhora da minha vida, dona do meu querer, numa só comunhão, a esposa mais querida.
Ipatinga, 22/08/2018
Erimar Lopes.
AGONIA
Noites e dias de agonia, vagando na clausura pelo vazio da solidão, olhar frio e congelante de parar um coração.
Não sinto mais nada, não sinto mais nada! Ela traspassou minh’alma agonizante nos gumes de uma espada.
Acuada e relutante na afiada e penetrante lâmina dos tormentos, sem risos e apenas prantos minh'alma anseia por desencantos.
Na luta fortuita, ó minh’alma labuta! Como és forte, será mesmo a morte ou redimida sorte das agruras á vista?
Quebranta ela Senhor! Não a deixes prosperar nesta lida, pois saqueou o meu amor e ainda sem temor anda a tirar-me a vida.
Ipatinga, 15/08/2018
Erimar Lopes.
ENDUVIDADO
Eu não posso e nem sei dizer o que eu sinto realmente por você. Se rancor ou amor, se ternura ou amargura, se segurança ou insegurança, se confiança ou incerteza, se bondade ou retenção de bem, se fé ou incredulidade, se lágrimas ou risos, se conforto ou relento, se união ou divisão, se paz ou labuta, se descanso ou aflição de espírito, se prosperidade ou pedir esmola, se honra ou vergonha, se respeito ou afronta, se verdade ou faz de conta, se intensa luz ou densas trevas, se caminhos retos, águas tranquilas ou encruzilhadas, se suporto tudo ou não aguento mais nada, antes que trespasses o meu coração nesta luta com espadas.
O REFLEXO DA SOLIDÃO
Eu sofro sem um amor, me sinto tão só, puxa, como é difícil e triste a solidão. Na juventude me sentia forte e não dava atenção para estas coisas. Hoje depois de tantos anos acompanhado de uma esposa fiquei sozinho. Perdi o chão, desconcertei os meus passos, parece que caí num abismo sem fim. Meus olhos, minha mente buscam um novo amor, mas verdadeiro, a esta altura me sinto incapaz. Tudo muda, fica estranho, não estamos mais acostumados com a vida de conquistas, de namoros, passamos por um período de readaptação. Ficamos carentes de repente e lutamos para não nos entregarmos à primeira oferta de amor que aparece sem antes analisarmos minuciosamente. Mesmo assim corremos o risco e acabamos nos envolvendo, não fomos criados para sermos sozinhos, acreditamos que dará certo e investimos alto na esperança de resolvermos o principal que é o não ficar só. Depois vem a necessidade do preenchimento do vazio que outrora havia ficado, um coração em partículas, fragmentado, esperando por alguém que junte e condense suas partes. Podemos estar iludidos, todavia não queremos aceitar, pois o que parece ser, o que é apresentado aos nossos olhos é tão real e verdadeiro quanto ao que a nossa consciência sã e perfeita discerne que é hipocrisia e engano. Passamos a lutar por uma resposta, um simples testemunho que não seja igual tal qual o que é oferecido e mostrado aos nossos olhos. Do oculto para poucos, exceto a você que ignora certos episódios para seguir firme no propósito de amar de novo com fé na vontade que há a esperança de transformação nos indivíduos para serem honestos, leais, fiéis, respeitosos, transmissores e expressadores da verdade, e concessores de honra.
Erimar Lopes.
CAMINHOS
Há caminhos direitos e caminhos tortos, aqueles elevam a alma, estes desfiguram os rostos, envergonham o homem diante de quaisquer pressupostos. Roturam os ossos e deixam os joelhos trôpegos. Como ébrios são os que por estes entram. Vagueiam, tropeçam, caem, rastejam como vermes e morrem. Mortos na alma e no espirito. Sei que existem pessoas boas, estão por aí cansadas de serem traídas e enganadas pelo próximo, mas estão por aí. Sei que ainda existem pessoas fiéis que lutam para estabelecer a fidelidade em outrem, sofrem, relevam tantas coisas às vezes absurdas porque amam de verdade. Como explicar a injustiça com o ser humano bom? Por que o mal tantas vezes prevalece? Quisera eu esquecer tudo isto e voltar os pensamentos para o que é belo, louvável, amável, compassivo, piedoso, misericordioso, no que há vida, no que há paz, sem as coisas opressoras deste mundo. Onde haja Deus para que aniquile o mal enraizado nos corações.
OLHOS PARA OLHOS
Eu te amo e te amarei para sempre, assim disse os meus olhos aos teus olhos...pela luz que alumia a alma entrando por eles, que são a janela. O amor chega assim tão sorrateiro e nos pega num simples olhar, num sorriso bobo. Ah! Esses teus olhos que tanto falam e revelam coisas ocultas a outros olhos, me deixam sempre de olhos bem fechados. Já tentei de tudo como entender o teu olhar, nem colírio, nem lentes de contato, óculos de grau nem pensar. O que os meus olhos leem em você é difícil de explicar, mas resume-se tudo em um olhar quando os meus olhos dizem aos teus olhos para sempre vou te amar.
TESTEMUNHA, O BEIJA-FLOR
O Beija-flor beijou com tanto amor a flor do seu amor, que sonhou que amou outro amor num dia acinzentado e noite sombria, e deitou-se e dormiu despojado de toda a agonia. Venham, vejam e ouçam o que diz o vigia! Há prantos na terra por sangue derramado! Há soluços, gritos, ranger de dentes por todos os lados. E ele nem um pouco assombrado, pois sabe que a vida leva a morte lado a lado. Mas quando chegares ao frio do calabouço e teres a alma suspensa, e a prisão acolher sua carne de forma pretensa, e te restares um único suspiro por toda esperança, e lembrares que em ti imperou tamanha arrogância, e volveres no espírito por toda pujança, e quebrares as cadeias da ignorância, e saíres livre de toda penúria, e lembrares que viu e ouviu o vigia naquele dia acinzentado e na noite sombria, abrirás os teus olhos quando raiar nova alva, abraçarás forte teu amor de encontro ao peito, e não verás o Beija-flor que se foi, para não contar-te o pleito, daquele sonho resoluto, entrevero, e suspeito, deixando-te um amargo e numa sequidão de estio, outrora fostes melhor o calabouço, as suas cadeias, e o seu frio.
NA TEIA DE ARANHA
Macia, suave, aconchegante, muito empolgante, tudo isto enquanto dormia, mas quando me despertei descobri que estava na teia de aranha todo envolto de artimanha. Sem me desesperar pensei como faria para me soltar, sabendo eu que se fizesse muito esforço iria me esgotar, tendo que escapar antes mesmo que o aracnídeo viesse me sugar. Tudo sentido figurado, pois quando expressar a verdade compromete a felicidade tudo fica modificado e nos vemos enredados em demandas sem respaldos. Sentimo-nos fracos por momentaneamente aceitarmos as teias nos envolucrar, mas lutamos para sobrevivermos, assim fortalecemo-nos para soltar-nos e novamente erguer-nos, fugirmos da aranha e sua teia rompermos para alcançarmos a liberdade e sermos um novo ser na esperança de encontrarmos quem realmente seja fiel, que expresse a verdade e não seja cruel e, não brinque com os sentimentos deixando um gosto de fel, mas que demonstre arrependimento e mostre um semblante compatível, daqueles que veem na culpa uma esperança plausível para se redimirem dos erros e da hipocrisia, que engodam o espírito e deixam a alma vazia sem expectativa de perdão, mesmo sabendo que a mão que com todo carinho afaga, tendo a chama que não se apaga do fogo consumidor, que tem todo o amor para sucumbir toda a tristeza e dor, e limpar o coração desviando-o da perdição, com oferendas de perdão e verdadeiro galardão.
Erimar Lopes.
SEM SENTIDO
O que é um homem sem um amor? É um objeto sem cor, uma pétala sem flor, uma baqueta sem tambor, um alimento sem sabor, um choro sem rancor. Uma via sem pavimento, a massa sem cimento, um corpo ao relento, a tempestade sem vento. A vontade sem a razão, uma via de contramão, um sol sem verão, um voo sem avião. Um barco sem motor, sem remo ou remador, à deriva em alto mar, sem saber aonde chegar. A língua sem a fala, um perfume que não exala significante odor. Um coração que não bate, um olho que não vê, a fome que não se acaba, o mundo quando desaba diante de você. A loucura controlada pela força aplicada doa a quem doer. O trem sem os trilhos, o sabugo sem os milhos, os pais sem os filhos, o morcego durante o dia, sem paz na agonia. O banco sem vigia, a virgem sem pudor, sem compromisso sem pastor, as nuvens sem o céu, as castas sem o véu, as prostitutas sem bordel, as abelhas sem o mel. A caneta sem a tinta, a rainha indistinta, um pincel que não pinta. Quantas coisas se podem enumerar querendo explicar um homem sem um amor, porque Deus o Criador ao fazê-lo teve o zelo de uma companheira arranjar, vendo-o triste sem um par, de suas costelas foi tirar uma mulher para ele amar.
Ipatinga, 03/08/2018
Erimar Lopes.