ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

Perfil
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O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

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Biografia

1971

Poemas

152

À BOCA ABERTA

São os dentes que mordem a língua e fazem sangrar toda a boca, é a mosca medonha folgada, voando zumbindo, caindo, que faz estragar toda a sopa. O mau alfaiate faz estragar boa roupa. A boca sangrando não se importa com a mosca na sopa, pois o mau alfaiate não costurou a boca da língua louca. Um pedaço da língua, a mosca, e a sopa no ventre. A mosca já morreu, a língua se perdeu, e a sopa não apeteceu a boca aberta que a comeu. O mau alfaiate foi o único que não se proveu da sopa com a mosca, porque a sua própria língua coseu e também a sua boca.

Erimar Lopes.

2 474

EM QUAIS CONDIÇÕES ESTAREMOS QUANDO A MORTE CHEGAR?

O que será feito da humanidade?
Grandes empreendimentos
Prédios, castelos, templos
Bilionários
O ciclo vicioso da vida e morte
Quantos já foram
E quantos não sabemos se ainda virão
Os espíritos que retornam
E as almas que esperam
O gozo e as aflições terrenas
A paz comprada pela guerra
Mas ainda não é o fim
As calamidades
A miséria em tantos cantos
Mas ainda não é o fim
Eu vou morrer
Todos nós iremos
A diferença é
Em quais condições
Estaremos
Quando ela chegar?

Erimar Lopes.

965

VERÁS COM OS TEUS OLHOS

Verás com os teus olhos
Não com os alheios
Verás e terás espanto
O que foi desprezado
Ironizado e humilhado
Voltou diferente
Está exposto
Em um lugar de destaque
Verás e não entenderás
Ficarás boquiaberta
Desceu à sarjeta
Não levantará mais
Foi a sentença
Mas o mal não é real
Assim como você pensa
Sou mais espiritual
Estou nem aí para a tua crença
Vem e vede e perca a esperança
Tua carne tem sede de vingança
Mas teu desejo é nulo
Tua força é pouca
E o teu coração mole
Como de uma criança.
93

VAI-SE MORRER DE AMOR POR ALGUÉM QUE NÃO SE ENCONTRA

Vai-se morrer de amor
Por alguém que não se encontra
É melhor
Ame sozinho e sem ninguém
Ame ao próximo
Amor de irmão
Não amor de afetos desafetos
Inconstantes no trato
Cheios de confusão
Isso não é amor
É desilusão
Vai-se ao cume dum monte
Buscar uma resposta
Porque não é do desagradável
Que mais se gosta
Mas em toda boca doce
Há uma língua sempre disposta
E todo beijo bom desestrutura
E recorre-se a ele
Como aposta futura.

Erimar Lopes.

358

TRANSTORNOS

Sou parte de um corpo deprimido e sem cor, sou membro esquecido mergulhado na dor, sou um animal ferido, fugindo, perdido. Sou um dedo quebrado, uma mão decepada, dois olhos furados enxergando na escuridão. Uma asa quebrada em pleno voo, o vômito precedido pelo enjoo, que suja a roupa e amarga a boca, sou uma cabeça sem touca num frio congelante, sou um coração distante queimado pelo gelo, sou uma alma em apelo para transpor as grades da opressão, onde a tortura da mente fornece um riso demente. Já sou quase loucura, mas basta, para o trágico não há cura, e o remédio dos loucos é beber seu equilíbrio, seu autodomínio, te enlouquecendo aos poucos.

Erimar Lopes.

348

O PENSAMENTO MORREU

Não tenho mais palavras
O raciocínio se perdeu
Minhas ideias são parvas
O pensamento morreu.

Tenho medo do que penso
Do que não se escreveu
Da minha falta de senso
O pensamento morreu.

Não tenho mais liberdade
Vivo preso no meu eu
Não posso dizer a verdade
O pensamento morreu.

Pensei em um megafone
Mas minha voz se perdeu
Calei sem que me apaixone
O pensamento morreu.

Erimar Lopes.

467

ERA A ELZA

Sempre a via passar pela minha rua
Andar apressado
Cabelos ao vento
Sempre me chamava
A atenção
Olhar desconfiado
Passos compassados
Olhos cintilados
Uma tremenda distração
Perfumada
Enfeitada
Pura vibração
Era a Elza
Mulher poderosa
Que em versos e prosas
Levou meu coração.

Erimar Lopes.

894

UM AMOR SOMENTE MEU

Estou querendo amar
Um amor somente meu
Infelizmente querer não é poder
Quero tanto encontrá-lo
Quem sabe um dia
Não importa o tempo
Nunca é tarde para amar
Ser somente dele
Um amor agradável
Daqueles que te fazem
Andar por sobre as águas
Esperar não uma mensagem
Instantânea
Mas uma carta de amor daquelas
Que demoravam dias
Para ser recebida
A sorte ainda
Não bateu em minha porta
Meu coração sofre esperançoso
E sem ele morro a cada dia
Mais por dentro.
92

UM HOMEM SEM PAZ

Um homem sem paz geme
Um homem atribulado
Sua alma treme
Seu coração fica apertado
Vive um homem desesperado
Assustado
Sua mente enlouquece
Com o passar do tempo
Sem paz se adoece
Um homem sem paz não tem gosto
Se o que te tira a paz não fenece
Sem ela o homem é deposto
Da alegria, ânimo e satisfação 
Sem paz o homem anda encurvado
Carregando um peso buscando a razão 
Se perguntando por que vive abafado
Se há espaço num mundo de imensidão.
114

A VIDA É ASSIM

A vida é assim e ela passa
Em alguns dias você ri
Em outros não tem graça
A vida é assim um colibri.

Voa rápido, coração acelerado
Sugando o néctar das flores
Voa para trás sem voltar ao passado
Na boca o doce como se fossem os amores.
191

Comentários (2)

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Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema