Ela tirou-me das mãos a bússola algemou-me o olhar com seus olhos verdes esmeralda de cio Ela lançou-me ácido sulfúrico com a cintura fina e rabo assassino que de tão excitado derreti-me Ela tinha línguas de fogo a sairem-lhe do peito trazia o vento na boca incendiou-me Ela como uma puta que passava ouvi a culatra retráctil deu-me um tiro deixou-me estendido a esvair-me em sémen na rua da imaginação
Ela tirou-me das mãos a bússola algemou-me o olhar com seus olhos verdes esmeralda de cio Ela lançou-me ácido sulfúrico com a cintura fina e rabo assassino que de tão excitado derreti-me Ela tinha línguas de fogo a sairem-lhe do peito trazia o vento na boca incendiou-me Ela como uma puta que passava ouvi a culatra retráctil deu-me um tiro deixou-me estendido a esvair-me em sémen na rua da imaginação
129
Cona Lisa
remove o medo do corpo confia em mim serei meticuloso jardineiro tratarei do teu íntimo vergel bravio
abre-te como se fosses um livro como se fosses Les Fleurs du Mal e eu te fosse avidamente ler, ler, ler, ler, ler
confesso-te sinto um prazer mórbido quando faço a tua intimidade não és bonsai bem sei não sou sensei mas sou quem ávido te deseja quase besta animalesca
serás a minha obra prima serás a minha Cona Lisa verás melhor depois de tudo serás a Górgona que tudo petrifica quem a olha de frente ou de lado
vejo-te hesitante no rosto folha indecisa trémula de choupo sossega, Medusa a água quente chegará gemes já do jacto vigoroso o estímulo nesta fase é valioso a espuma ajuda neste ofício a lâmina fria na mão raspo, raspo, como é bela como pulsa, como é tórrida como é mágica, como é vida como gemes novamente, folheio o livro aberto com saliva deslizo como um trenó na neve minha Cona Lisa
92
Na praia
Sinto a tua falta de fazer-te sombra e silêncio
que céu azul este que mar aquele sou espectro que navega
a aurora boreal masturbou-se tingiu a noite de cor
é assim que te vejo fogo de artifício onde estou inteiro
ao meu lado a frescura do lençol a solidão a vir-se
os teus lábios estavam no sonho sufocavam-me
cerro os olhos encontro teu corpo nácar das conchas
tens o delírio das algas e limos molhados e líricos
que incêndio houve depois da língua tornar-se intrusa
as dunas são nada não têm refúgios nem esconderijos doces
as tuas palavras os teus comentários o calor das coxas
são sonhos desfeitos na espuma das horas salgadas do mar
não podia levantar-me levantei-me ao sol petrifiquei de ti
quando a maré sobe recuo. Um dia serei o mar e tu as rochas
130
Dido Erótica
A pele de luar, a túnica translúcida saía-lhe das coxas a orquídea molhada um tecido nas pétalas de esparsas gotículas
o pudor metia-o de lado, estimulava-se de íntimas carícias femininas que, só elas sabem onde lhes caberá melhor o prazer,
através dos carinhosos dedos mágicos agitando as águas ou atiçando o fogo com dedos no vértice da vagina
há grutas e segredos que só as mulheres conhecem, perfumes marinhos perfumam o ar de fragrâncias doces, o sangue o suor
na dança Dido erótica de pele primaveril sob o lençol branco inundado de luar como impregna o ar de húmidos delírios
como se enrola e desdobra como se enfia sentindo-se mulher, fêmea luzidia transforma-se em luz repelindo a treva
da sua boca a sincopada melodia cardíaca, remexendo lagos de sangue perde-se no orifício estreito conhecendo-se
mima-se de graça, chove-se de cor parece andar ali um ser invisível, excita-se agita-se, toca-se, mexe-se, sufoca-se
espelho dos gestos, a noite decorativa as sombras espalhadas no chão moveram-se bruxuleando, como a vela que ela atiçava
de seios acesos, remexia lânguida o Sul molhando-se no vergel morno e húmido é quase dia, é quase tempo de a aurora abrir-se ao sol
150
Os dedos
os dedos trabalham os dedos estimulam pressionam orvalham flagelam mergulham
enfiam-se dentro se encontram buracos apertam mamilos alisam didácticos
os dedos salivam-se perfuram escavam penetram no fundo subindo as escadas
os dedos procuram langor perfumado no ponto vibrantes os dedos alargam
os dedos exploram cavernas e grutas encharcam exaltam tacteiam o escuro
os dedos provocam os dedos saturam os dedos fodem os dedos graduam
mais dedos se abrem esgravatam perfuram cobrem-se os dedos de húmidas flores
os dedos dedilham fervilham por dentro vibrando nas cordas no fundo mais fundo
os dedos enfiam-se nos recônditos sítios entrelaçam-se, chupam-se trazem-nos o gosto
os dedos escrevem versos obscenos frases lascivas da intimidade
159
A Uva
a uva tem no interior a suavidade igual à tua quando a como
faço-lhe um corte incisivo divido-a em dois enteso a língua
e rigoroso removo a semente amarga tornando-a nua
às vezes enfio um dedo sabendo que a uva aprova que a perfurem
é igual a ti a suavidade o veludo molhado fenda cor de rosa
pressiono para ter o esguicho do sumo da uva na boca