Fátima Encarnado

Fátima Encarnado

n. 1971 PT PT

n. 1971-08-12, Lisboa

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- Tu Mesmo -

Que um dia encontres
Nas tuas mãos
Aquilo que procuras
Para além de ti

Que um dia descubras
No silêncio da alma 
O que esperas de ti mesmo

Porque metade é querer
E outra parte é recusar

Que um dia
As metades do Amor
De que és feito
Se unam e não mais se separem

Porque metade de ti é querer
E outra parte é recusar

Que um dia alcances 
A plenitude e a Paz que mereces

Porque metade de ti é alegria 
E a outra parte é tristeza

Uma metade de ti 
É a vida que te abre os braços 
E a outra parte de ti...

És tu mesmo...!


(Poema escrito e dedicado a José N. em 05/03/2006)

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"Entrego-te a minha mão,
Faz-me sonhar,
Não me deixes cair em tentação...

Quero percorrer caminhos de sonho,

Metade a dormir,
Metade a sonhar...

Beijo uma metade, 
A outra beija-me a mim 
E assim se sonha...

Metade acordado,
Metade em pesadelo!"

José N. 
 
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Poemas

25

- Fim do Ultimo Acto -



A luz esmorece,
cai o pano
Aplauso frio
Sorriso triste
Fico do outro lado do Mundo,
onde ninguém me consegue ver
Olhar perdido
Vénia apagada
Silêncio azul profundo

Se algum dia pensarem em mim
Lembrem-se apenas...
...que nunca existi...
678

- Tempus -



No rasto do Tempo que foge,
Fica a fragilidade da sua ausência
Choro embalado em Passado
Memórias

Ao colo do Tempo que caminha,
Vai a evidência da sua dádiva
Desejo alimentado de Presente
Sorrisos 

No amparo do Tempo que não chega,
Resta a esperança da sua conquista
Anseios acarinhados pelo Futuro
Sonhos 

Acolho-me nas mãos do Tempo
Anjo da guarda de três faces
763

- Pistoleiros e Cowboys -



A Cobardia
é o disparo do Medo

O Medo
é o gatilho da Coragem

A Coragem
é o tiro certeiro da Vida

A Vida
é uma bala perdida no Escuro

O Escuro
é o duelo mortal com o Tempo

O Tempo
é a mais valiosa das Pepitas de Ouro!
741

- Que Me Perdoem -



Que me perdoem
a crença escarpada
entre artificios
desprovidos de vontade

Que me perdoem
a Fé que não tenho
na Fé que se ajoelha no altar

Que me perdoem
se entre letras
e livros de orações
me deito com a luxuria proibida

Que me perdoem
se faço colchão
sem me queimar nas velas
que ardem promessas

Que me perdoem
os santos
se endoideço
ao passar a porta da reza

Que me perdoem,
se não sei o que digo
quando não sei o que pensar
nem o que escrever

Amen
644

- Momento -



Ensurdeço a voz
E as palavras não me escutam

É urgente calar
para conseguir ouvir!

Falem !

Nada mais quero,
senão o silêncio dos pensamentos

Falem !
Que não vos oiço…

A lucidez escapou-se
Escuto apenas a insurreição interior
em exercício
712

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