Faye Carneiro

Faye Carneiro

n. 0000-00-00

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o baloiço

balançavas um infrutífero fruto que se transformava em fôlego 
e contavas pelos dedos dos pés
fitaste-me os olhos como se me quisesses amar
mas ficaste-te pelas costas do curto e contínuo corte

no meu nascimento nasceu um nome e morreram muitos
frutos fixados e pintados de curtos 

não sei o que é a poesia nem a rima
nem o fruto forte da sorte 
mas sei o que tu sabes da amizade
e sei o que é a morte 

fogo fátuo que encerra
o sinal do fumo feito e farto
nunca encerrei em tal pranto
o esforço infame e arto 

no adro da igreja caiu-me o berço e ficaram-me as costelas
no meu peito, debruçaste-te nelas 

rente à terra rente ao mar
rente a onde me deixaste amar
pastor humilde dado a mastigar
rente à terra rente ao mar
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Poemas

6

o baloiço

balançavas um infrutífero fruto que se transformava em fôlego 
e contavas pelos dedos dos pés
fitaste-me os olhos como se me quisesses amar
mas ficaste-te pelas costas do curto e contínuo corte

no meu nascimento nasceu um nome e morreram muitos
frutos fixados e pintados de curtos 

não sei o que é a poesia nem a rima
nem o fruto forte da sorte 
mas sei o que tu sabes da amizade
e sei o que é a morte 

fogo fátuo que encerra
o sinal do fumo feito e farto
nunca encerrei em tal pranto
o esforço infame e arto 

no adro da igreja caiu-me o berço e ficaram-me as costelas
no meu peito, debruçaste-te nelas 

rente à terra rente ao mar
rente a onde me deixaste amar
pastor humilde dado a mastigar
rente à terra rente ao mar
95

lírio quebrado

engulo-te e devoro-te
como uma pera carnal
em ti afoga-se o pecado 
e quero-te como quem me quer mal 

neste canto de portugal
bate um peito lacrimal
pois nele corre meu leito 
e se abre uma flor ancestral 

no adro coberta de cal
sai o bem e fica o mal 

neste canto informal
tange um lírio animal
cabe teu rosto nas minhas mãos 
toco-te, e sabes a sal



17

estrela de vénus

num céu passado fiquei à beira-mar
envolto por um vento delirante
tapei os ouvidos de âmbar
e procurei o horizonte para o agarrar 

a estrela de vénus descia
em direção ao mar
abria a boca e saltava pra a minha:
que pena que cresceste 
que pena que não me compreendeste 
20

dedicatória

se por ti passasse o sol
e te queimasse enfim
mais escura ficavas
e ficavas pra mim 

diferente ficavas
pois ficavas sim
pelo sol passavas
e ficavas pra mim 

mas pra mim não ficas
porque não passa assim
em flor te tornas
e em fruto enfim
20

Âmbar

que ricos olhos de ar
ricos olhos para mirar 
viajou nau de morro
onde vivia o mar 

doces olhos de âmbar
doces olhos para amar
pena que em mim se afoga
aquele feito para nadar 

lentos olhos de luar
lentos olhos para queimar
para ti não há leito
e para mim não há pomar
23

o children of the house

o children of the house
pitter patter by
save this sinful soul
from the depths of desire
the taste of silver on a tongue
a blade swallowed whole
its tip still hanging out
from a swollen mouth
thy blood shall stain thy skin
there is no use for the flesh
if it's rotten and stretched 

o children of the house
bring me its rotting corpse
when the end is nigh
let me kiss its temples
lay on its sunken eyes
dig my hand in its chest
eat its heart whole
there is no love stronger than 
the one stained by pity
there is no love stronger than
the untamed desire for pain
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