Felipe Castro Neves

Felipe Castro Neves

n. 1989 BR BR

n. 1989-03-31, Timóteo - MG

Perfil
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Janela para o Inesperado

Fui caçar um vagalume à luz do céu
Lá na montanha a luz do fusco a me guiar
Como criança, brincadeira de papel
Sem medo de bicho-papão ao me deitar.

Quero sentir o seu perfume por aqui
Sumir no sonho de querer só acordar
Sem um porquê de te almejar só para mim
E lá no céu saber qual estrela te entregar.
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Poemas

9

Isso que sinto aí

não é ácido certo
como o olhar que corta a sala
nem dá gosto errado
é doce quente ao paladar

como no sumir da fala
quando o expectador se cala
o que resta é somente ar

mas isso que sinto aí
é o que mais sinto meu
é como eu me sinto quando
tenho como certo ser teu

igual quando da fala se esquece
e lembra que era nada após o calar
pois, nada não... nada é preciso
ser perfeito para se amar
642

A-gent

passa o dia inteiro sentado
e ainda reclama
como tá tudo tão amargo.
674

Início

só se passa
a construir as vidas
escritas
quando se tira os
pensamentos da cabeça
e movimentam-se
palavras
sobre uma superfície qualquer.
698

ontem

mas
daí
eu
pisco
e
a
vontade
de
falar
passa.
482

Trópico de Câncer

A raiva repentina começa
por acabar com as esperanças.

Corrói o que ainda resta
da maldita alma
e destroça o fundo
da mais desencantada ilusão.

Abate o lúdico caminho traçado
e constrói um rascunho
horrendo de minha pele.

Mas quando eu penso
em você tudo passa.
571

Eternal Child

Estou escondido
Grandes pilastras em volta
Sou somente uma criança
Precisando de companhia

Corredores infinitos
Salas de mar
Salas de mapa
Estou perdido
Sozinho em minha casa

Atrás o infinito tapete verde
Que já não consigo penetrar
Pois neste mundo de medo e distrações
Nada me chama a atenção

Cadê o sentimento?
Mostre-me seu amor antes de partir
Pois já não há mais forças
Que consigam me tirar daqui

Então me pergunto
Qual será a distância
Entre meu infantil e desajeitado coração
E sua grande mente adulta?

...

Nesse pôr-do-sol de domingo
Me perdi sem querer
No longo caminho até sua voz
508

Essa é (sobre aquela)

Construí uma máquina do tempo
E fui expor o que não esqueci
Que como um sopro da natureza
Esse sorriso que não pude sentir

Sonhos de chegar e perceber
De saber e não dizer
De sentir e desmentir
E de amar e não fingir

Minha memória me engana
Mas ainda não entendi
De onde surgiu essa graça
Que ainda não conheci

Aperfeiçoando os meios
Meio que devagar
Mas quero que saibas:
Me senti derrotado quando te vi chegar
548

Lá na beira da piscina

tudo desliza
colunas frágeis
paredes cambaleantes
o mundo está para desabar
e ficar soterrado
sobre as ruínas de nossa era

imensos mares
de imensos arranha-céus
nada disso suportará

todos fugindo
para onde?
pois nada mais adianta.
o mundo está em caos
sob o poder da solidão

tudo destruído
parado
esgotado...
mas não se preocupem,
pois isso crianças
é só o fim

e aquele que triunfa
cambaleante se impõe
e sobre as cinzas ruínas
dá um gole do vinho
de um barril de Amontillado.
566

Janela para o Inesperado

Fui caçar um vagalume à luz do céu
Lá na montanha a luz do fusco a me guiar
Como criança, brincadeira de papel
Sem medo de bicho-papão ao me deitar.

Quero sentir o seu perfume por aqui
Sumir no sonho de querer só acordar
Sem um porquê de te almejar só para mim
E lá no céu saber qual estrela te entregar.
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