Fernanda_Tovani

Fernanda_Tovani

Alma ao céu, corpo ao mar, coração a todo luar.

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Chega um tempo

Chega um tempo em que passam a fazer sentido as poesias,
Que a gente vivencia a literatura,
Que a vida não é mais só aventura,
E as flores não são tão coloridas...

Chega um tempo em que a malícia aumenta,
O medo atormenta,
A ilusão alimenta,
E o sol não mais esquenta.

Chega um tempo em que a decepção acontece
Que a gente sofre, mas amadurece,
Aprende, e esquece...

Chega um tempo que a gente sonha...
E quando vê, o tempo passou,
E o sonho ficou,
E nada mudou.

Tempos em que sonhamos demais
E fazemos demenos...
Sonhos antigos, sonhos meninos, sonhos ingênuos...

Mas como era bom!

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Poemas

6

Corre

Corre, corre, corre, coração!
Vira, bate, quebra!
Leva, leva, leva, ventania!
Angústia, sofrimento, treva.
Grita, grita, grita, coração!
Me fala, me guia, me eleva
Sigo, sigo, mas sigo qual caminho?
Se só voo, rastejo, brilho, e escureço,
E tento, e tento, e tento...

207

Volta pra mim...

Volta para mim, meu amor
Volta para o nosso aconchego
Para o nosso cantinho
Cantinho só nosso
Nosso abrigo, nosso abraço.

Volta para nós, meu amor
Temos tanto a viver...
Não deixe que nada nos atrapalhe
Não deixe que a paixão acabe

A maior festa que existe
É a nossa, nossa alegria,
Nossa aventura, nossa fantasia.
Volte por nós, volte por mim

Volte para nosso amor sem fim.

165

Perdoe-me

Perdoe-me pelos votos falsos
Pelas expectativas frustradas
Pelas promessas erradas
Por seguir outros passos

Perdoe-me pela ilusão
Pelo sofrimento
Pela falta de sentimento
E pelas juras em vão.

Perdoe-me pelas lágrimas
Por causar tanta dor,
Pela falta de amor,
Por seguir outras escolhas.

À vida, quem se entrega,
Fá-lo por inteiro
E não pensa no futuro
Nem no caminho que se altera.

Mas não fique com raiva assim
Senti verdadeiramente as emoções.
E quando estávamos a mil paixões
Eu lhe dei tudo de mim

180

Chega um tempo

Chega um tempo em que passam a fazer sentido as poesias,
Que a gente vivencia a literatura,
Que a vida não é mais só aventura,
E as flores não são tão coloridas...

Chega um tempo em que a malícia aumenta,
O medo atormenta,
A ilusão alimenta,
E o sol não mais esquenta.

Chega um tempo em que a decepção acontece
Que a gente sofre, mas amadurece,
Aprende, e esquece...

Chega um tempo que a gente sonha...
E quando vê, o tempo passou,
E o sonho ficou,
E nada mudou.

Tempos em que sonhamos demais
E fazemos demenos...
Sonhos antigos, sonhos meninos, sonhos ingênuos...

Mas como era bom!

161

Moça linda, bem tratada

Que há, pois, na beleza?
Que perversidades se escondem por trás de um belo rosto?
Que monstros e sentimentos que atormentam a bela moça?
Pensamento grego que persiste. Como o belo pode ser ruim?
Certa vez, uma moça perguntou a seu namorado se ele ainda a namoraria se fosse feia.
Ele sorriu, e num tom de naturalidade sombria, disse: "mas é claro que não".
Seu coração congelou numa onda tristeza e indignação. Como poderia ser a beleza o mais importante?
Se não é, por que tratamos como se fosse?
Então, se a natureza lhe desfavorecesse em uma característica completamente alheia à sua vontade, poderia ser gentil, engraçada, agradável, inteligente, que de nada adiantaria.
Agora, por dote de beleza, pode ter todos os outros defeitos que, tudo bem... "olhe só que bela moça!"
Ah, se eu tivesse minha face modificada por um só dia veria assim quem realmente gosta de mim.
Ah, se pudessem realmente olhar dentro dos olhos dos outros e enxergar suas almas e seu coração.
Ah, se tivessem interesse para tanto.
Que vê a bela moça através do espelho?
Tormentos e defeitos ocasionados por sua bela feição ou veneram suas bochechas lisinhas e seus lábios torneados?
Seus monstros e sombras que a atormentam quando fecha os olhos.
Oh, bela moça, podem não ver, mas possui muito mais dentro de você.
Quando vamos começar a ver além de rostos falsos?
A beleza se vai na idade dos anos...
E o que resta é a dança solitária de uma alma vazia,
Ou a graça da companhia de uma bela moça que soube ver através do espelho.
171

Cor-aç(ã)o

Ao despertar pela manhã, você vai se lembrar de mim.
Ou quando estiver sozinho em seu quarto, em lençóis vazios,
Vai lembrar de mim em sons, em gestos, em cheiros,
E vai me esquecer assim que se envolver na noite embriagada,
Ao som da música turbulenta e meio a mulheres sensuais envoltas.
E, ao acordar pela manhã, vai pensar em mim.
Meio a vazios leçóis imersos em prazer e pele arrepiada de volúpia
Com apenas um corpo estranho fruto de um momento de luxúria
E não terá a mim, não mais a mim.
Não terá mais a tão alegre fantasia da vida.
Pois quando me vi em pedaços, me reconstrui.
Sem você.
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