Filipe Marinheiro

Filipe Marinheiro

n. 1982 -- --

Nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Aveiro. Poeta. http://www.chiadoeditora.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1518:marinheiro-luis-filipe&catid=62:m

n. 1982-07-30, Aveiro

Perfil
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«Noutros Rostos» XV

cá vais tu de vértebras nos braços a correr pelo estrangulamento

do ar que te leva que te faz voar com o sangue como asas opacas

mas brilhantes


de boca na cabeça e pulmão na barriga tentas seguir uma travessia

exemplar sem erros sobrenaturais


os rios são pretos as árvores rasgam as nuvens as plantas sangram

por entre as casas que vais vendo


a vida é foneticamente fodida puta da vida mesmo virada de patas

para o ar em labaredas


e a vida floresce-te sabiamente...

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Biografia

Nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Aveiro.

Poeta.

http://www.chiadoeditora.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1518:marinheiro-luis-filipe&catid=62:m

Poemas

17

sem título 56

A loucura é tão inexpugnável o quanto lhe depositamos de
delírio e da clareza ante o preconceito renascer insana.
Existem loucuras na introspecção doutras loucuras!
As pessoas imaginam a imprópria loucura doutras loucuras
dentro da loucura movediça, mas a loucura também pensa
das pessoas! Se estiver do seu lado esquerdo adormeço, do
lado direito acordo, de trás desmaio, de frente salto, por
cima ilumina-me, por baixo obscura-me, no seu ventre
musical, sou a sua clave!
É isso a loucura? Uma mera quimérica diferença em tropel?
Então deixem-me lá continuar louco, um louco
inabalavelmente feliz e lúcido. Lá Lá Lá... Hurra Hurra Hurra...
759

sem título 55

Balanço-me feito túnica
de cortinas a cordas de violino a estalar,
marco o compasso entre véus a sopros de flauta
e nesses púdicos lugares eternizo-me dançarino.
934

sem título 54

Após chutar a dita estética frágil
descreio na cega literatura violentíssima
para mim inexistente
– destrutiva, desfigurada, falecida, mas precisa!
Nem tampouco me comovem as contradições
d’arte emaranhada em muitos contornos decalcados
– um recalcamento absurdo, improdutivo, um salto num
vazio absorto…
renego-me profundamente… renego-me, renego-me!
aller à Rimbaud… … …
844

sem título 52

ainda quebras o cheiro
das plantas apaixonantes

desdobrei-as no martírio
como envenenamento da minha triste escrita

olhei-me sob o deserto silêncio azul-esmalte
à procura, resoluto, da selva espalhada no desprezo

em que meus olhos vergastados navegaram...
650

sem título 51

Dá-me os teus pés
dancemos abertos ao meio
no dorso da incrível lua estelar
até nos imaginarmos
ofegantes projécteis a derreter
de lábios entupidos
doidos e doidos de preguiçoso amor.
518

sem título 50

Toco na harmonia do suspenso caminho
sei-me lamento pasmo rolado
em erupção paralisante.

Um passageiro muito só
que cai, desequilibra-se
no esquecimento indiferente.

É terrível não dar mesmo
encontro de mim.

Perco-me num denso escuro sombrio
onde as visões
que sublinho fatigado,
picam a esquecível memória
donde parto.
513

sem título 49

No pranto uma gota me faça
assombrado poeta para noutra
me tornar selvagem eremita
sorrindo proscrito.
540

sem título 46

A minha cabeça pensa em todas as cabeças é sombriamente
todas as outras cabeças, entranham-se, entram umas nas
outras, na minha! – inquieto-me, estremeço, esmago-me,
imortalizo-me tornando vidente tudo o que mexe...
561

sem título 45

Uma vez
atei lençóis ferrugentos
aos membros lisos
da claridade daquele céu tatuado,
como deslizava lasso ao longo
da corrente sanguínea
de um qualquer envenenamento.
Após sobrepostas vibrações
retalharem a sombra da minha fechadura.
São terríveis os afectos.

566

sem título 43

Olho a linha
que espia a retina do mar
espero, espero, espero
e de tanto esperar em vão
um dia tarde demais
descobri que na escrituras
dos rebentos das ondas
estava escrito
que à nascença tinha sido
condenado pois
alma alguma me irá amar
509

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