Filipe Marinheiro

Filipe Marinheiro

n. 1982 -- --

Nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Aveiro. Poeta. http://www.chiadoeditora.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1518:marinheiro-luis-filipe&catid=62:m

n. 1982-07-30, Aveiro

Perfil
25 531 Visualizações
Biografia

Nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Aveiro.

Poeta.

http://www.chiadoeditora.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1518:marinheiro-luis-filipe&catid=62:m

Poemas

34

«Noutros Rostos» V

a sabedoria levanta-se e a raiz cheia de ignorância vem à tona
909

«Noutros Rostos» IX

trago da beleza obscura o alimento que me faz viver secreto

e tão distante...

843

«Noutros Rostos» XI

ou a vida é curta e antónimo de amor líquido

ou por agora recolhemo-nos na própria ideia de morte

953

«Noutros Rostos» IV

dever-me-iam ter dito que não existo e que nunca existi

neste mundo


ou antes um fragmento suspenso da escuridão estalasse a voz

ardente espalhando a criação na boca adentro


a boca purificaria as veias silenciosas das mãos a boca esmagaria

a ardência da carne a cantar bem perto no fundo do sangue


as células do sangue mover-se-iam entre o universo e a fala

rasgariam as palavras eternas desta boca tão feliz


jamais me deveriam ter dito coisa alguma


talvez me pudessem ter dito para eu correr absorto

todo nu sem voz submersa no meio da carne pura

a esconder-me dos gemidos da noite calva


os gemidos a esconderem-se de mim distraídos

e os movimentos amplamente puros cheios de luz e pó

passariam a água sobrenatural

como sombras transformadas a arranhar esta doida cabeça


dever-me-iam ter dito que os mortos caçam as manhãs

as tardes as noites – as horas em inércia

829

«Noutros Rostos» XIV

porque durante o silêncio da noite tudo respira tranquilo

na mais breve insolvência musical

e na cama ouço a inocência das eternas servidões...

864

«Noutros Rostos» X

amo a substância da dor

sombras em pranto correm de um lado para outro sem olhar

para trás ou para os lados ou nem sequer a pressenti-la


de frente só me apaixono pela ferida daquela transparência

que incide na oculta beleza

874

«Noutros Rostos» VI

perdesses o medo gritarias toda a noite sem um arranhão sequer


erguerias numa taça de flanela o tamanho do medo miudinho

e saberias que a tua memória se desfarela menor ao medo

que te consome e controla a força com que te deitas

ou se morres vertiginosamente

838

«Noutros Rostos» XV

cá vais tu de vértebras nos braços a correr pelo estrangulamento

do ar que te leva que te faz voar com o sangue como asas opacas

mas brilhantes


de boca na cabeça e pulmão na barriga tentas seguir uma travessia

exemplar sem erros sobrenaturais


os rios são pretos as árvores rasgam as nuvens as plantas sangram

por entre as casas que vais vendo


a vida é foneticamente fodida puta da vida mesmo virada de patas

para o ar em labaredas


e a vida floresce-te sabiamente...

874

«Noutros Rostos» I

pus-me a espremer a atmosfera coberta por um sabor a frutos

selvagens caminhei de tronco nu em cima desses enormes

campos silvestres


era manhã ainda e os pássaros de uma espessura incrível rodavam

o vento cinza ao contrário


decidi erguer as pernas como a brincar com a névoa que toca

suavíssima na linha do céu azul liquefeito e beijei essas aves

junto às rajadas de chuva que estremecem no meu coração


depois deitei-me por baixo das suas asas em giesta e escorro

como uma nascente abandonada pelas estrelas no quebra-mar

as aves atravessam agora um aglomerado de bosques sombrios

muito húmidos frescos com cheiro a nuvens carbonizadas


flores a voar com hálito a sombras sugam abismos maciços

entre astros e cometas a roçarem-se numa mágica doçura comovente


durante a minha eternidade campos aves céu mar frutos nuvens

estrelas e bosques adivinham nas minhas mãos um olhar melancólico


onde danço em cima de pedras preciosas de tédio em tédio

e num só golpe trémulo nos lábios diamante a minha majestosa

harmonia desencadeia novos silêncios...

855

«Noutros Rostos» XIII

ó meu novo amor

choro ao recuar a morte prematura contra os robustos estilhaços

do inferno bem visível e a vida compacta correcta morre

às mãos frívolas desta triste humanidade...

851

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.