Nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Aveiro.
Poeta.
abrigaram-me na palavra paciente e sincera
envolver-me nas lágrimas de girassóis a gemer é como prolongo
a vida
até à palavra se amar doce e inocente
como quando corro inesperado seduzindo as letras uma por uma
e sufoco a fecunda escrita na melancolia que é tão minha...
ó meu novo amor
choro ao recuar a morte prematura contra os robustos estilhaços
do inferno bem visível e a vida compacta correcta morre
às mãos frívolas desta triste humanidade...
cá vais tu de vértebras nos braços a correr pelo estrangulamento
do ar que te leva que te faz voar com o sangue como asas opacas
mas brilhantes
de boca na cabeça e pulmão na barriga tentas seguir uma travessia
exemplar sem erros sobrenaturais
os rios são pretos as árvores rasgam as nuvens as plantas sangram
por entre as casas que vais vendo
a vida é foneticamente fodida puta da vida mesmo virada de patas
para o ar em labaredas
e a vida floresce-te sabiamente...
pus-me a espremer a atmosfera coberta por um sabor a frutos
selvagens caminhei de tronco nu em cima desses enormes
campos silvestres
era manhã ainda e os pássaros de uma espessura incrível rodavam
o vento cinza ao contrário
decidi erguer as pernas como a brincar com a névoa que toca
suavíssima na linha do céu azul liquefeito e beijei essas aves
junto às rajadas de chuva que estremecem no meu coração
depois deitei-me por baixo das suas asas em giesta e escorro
como uma nascente abandonada pelas estrelas no quebra-mar
as aves atravessam agora um aglomerado de bosques sombrios
muito húmidos frescos com cheiro a nuvens carbonizadas
flores a voar com hálito a sombras sugam abismos maciços
entre astros e cometas a roçarem-se numa mágica doçura comovente
durante a minha eternidade campos aves céu mar frutos nuvens
estrelas e bosques adivinham nas minhas mãos um olhar melancólico
onde danço em cima de pedras preciosas de tédio em tédio
e num só golpe trémulo nos lábios diamante a minha majestosa
harmonia desencadeia novos silêncios...
ou a vida é curta e antónimo de amor líquido
ou por agora recolhemo-nos na própria ideia de morte
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Nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Aveiro.
Poeta.