De tudo o que importa nessa vida Sua lembrança em meu último suspiro Minha Lua, doce Lua minha Em sua estrada havia atalhos Que Fizeram meus olhos caminharem em seus olhos Quando você nasceu, morri Minha vida esvaiu-se Vi seu choro me abraçando E o seu olhar me beijando. E te abracei como nunca, Te beijei como nunca, Lua Estrela! Ah, quem me dera te ver correndo A perder de vista encontrando a felicidade! Quem me dera te ver correndo Para os meus braços nesse mundo frágil… Você foi minha guerreira imortal A luta não foi em vão Linda é sua coroa! Fez-me ver o invisível E era tanta luz a te envolver! Nasceu para cumprir a eterna felicidade Para banhar-me de luz E eu estando morto, revivesse Sempre te alcançarei minha menina Até então te vejo de longe Para te encontrar sempre Sempre e sempre andaremos juntos… *(em memória)
Ganhei presentes de pardais no meu jardim Ouvi os cantos, mas não pude perceber Que os presentes brotariam sem eu ver Na primavera: eram begônias para mim
De cor singela rebentaram entre os verdes Rosa floral em dégradé, quão flores belas! De muito encantos, como fossem aquarelas Se espalharam fartamente entre as paredes Pardais bondosos alegraram meu viver Deram calma ao meu revolto coração No meu jardim, uma amável inspiração Para agradar o meu amor, meu bem-querer
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FLERTE
Espreito de canto de olho Insinuações contidas Em tua forma de sentar-se No que hesitas, não escolho Tampouco nego (e quero) Não na forma, contudo, no olhar A tua chama a me chamar No que levantas, flertas Com todos tua beleza Todavia, quando percebes... Ao meu notar, te desconcertas Tu inclinas a cabeça... O que te sentes, doce dama? Que seja toda sua chama Porque te espero em cada olhar...
216
MEDO DE TE AMAR
Quanto medo tive de te amar Quantos perigos despertaste em mim Tive medo de ser teu Medo da recusa Medo de ter medo de te amar Ainda assim Amei-te muito Amei-te mais que eu
De tanto medo de te amar Amei-te com medo de tudo Por isso, em tudo falhei
Por ter te amado tanto Esqueci da vida Esqueci de mim...
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TEU AMOR ME CUSTA
Teu amor me custa Morde e assopra a ferida E não percebes inflamar Teu amor me dá febre E o calafrio me impede sonhar Procuro a claridade, mas não acho Em trevas me cobras Há uma máscara que (tu)sorris para o mundo Outra que choras em ocasiões especiais E mais outra com que me amas Tu feres sem bálsamo E eu convulsiono a alma. Teu amor me custa, e não tenho como pagar (E mesmo que eu pagasse, ainda assim estaria condenado) Teu amor é prisão Teu amor é solidão Teu amor é tudo, menos amor Pô, tu não me amas!
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PERGE
A maior de todas as desilusões Causada pela maior de todas as ilusões A maior de todas as verdades Causada pela maior de todas as mentiras Percorrendo o mundo à procura do tudo por nada Enganado pelo encantamento Dissolvido foi o sentimento De um sentido sem sentido Um coração foi partido
A realidade nua e crua Quando o encanto se quebrou Abatido ficou a alma Mas calma, calma! Trazido foi para o mundo real O tempo deixa a marca, mas fecha a ferida Se cair, levante-se e caminhe Por coisa difícil ser é o amor E se a escuridão vier Corra para a luz
Ninguém pode tirar tudo o que conquistou Tudo o que é bom, justo e agradável Das pérolas e diamantes Pedras cintilantes
Mas, se ainda assim a tristeza vier, não pare Vença as areias da vida Com resilientes pegadas Olhe para o céu sem véu Peça forças ao Criador E sem o menor temor Não pare, siga!
220
RETA VELHA
Deu a mim as cousas boas… E eu as tratei tão corriqueiras... Serenamente sobre a palha das esteiras Me esquecia desse mundo de pessoas
Caneca velha carregada de lembranças Pão na manteiga e aquela atenção Do seu Jacinto me falando ao coração Sábias falas, como as bem-aventuranças
Naquela roça aprendi simplicidade Com a família desfrutei da vida boa Lá vivi com dona Zeca em pessoa Uma mulher de riso fácil à liberdade
Família grande; que aperto, uma saudade Da Reta Velha tão batida e sem luz Dessa herança minha memória produz Uma vontade de voltar na minha idade
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PRÓXIMO DE CASA
As vezes que saio ao mercado Passo por um lugar estranho, próximo de casa Uma esquina que leva desprevenidos à cova rasa E no fim da rua fica um de feitio fechado Creio ser o coveiro bebendo água na esquina No caminho do mercado, estranho também aos gatos Lugar (em sua maioria) dominado pelos ratos Está dona Margota encostada no muro: a sua sina
Nesse lugar estranho, tem o que não diz ‘boa noite!’ Porém, seu olhar acompanha uma alma até o cemitério Tal como a coruja compenetrada num mistério De alguém correndo do estalar de um açoite
Estranho não ver mais o gambá na madrugada Anormal que se tornou habitual nesse lugar estranho À meia-noite, passeava, talvez para um banho Ou quem sabe, para encontrar a amada
O sol queima no verão sem sombra A alma insola nesse lugar que assombra De tanto andar, meu corpo dá câimbra
O que a mim não é estranho são as donas de casa Andam com um sorriso largo nas maçãs do rosto Vão e vem, bailando, vivendo com bom gosto Nesse lugar, não se preocupam com a cova rasa
Tem também nesse lugar aquele que diz: — Você vai ganhar na loteria hoje Outro: — Hum! Você está magrinho E outra: — Você não tem onde cair morto E tem o manco, uma fingidora, o bêbado, as más línguas, O carro do ovo, da fruta, do pão, do gás, do... E.
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POESIA
Essa me faz escapar: conforta Rompe a barreira da dor: sorrio Do cansaço se cansa no estio Essa me faz descansar e exorta
Em versos de raios da aurora Que o fulgor a mim me cega? Essa me faz enxergar: entrega E o sentido da vida me aflora
Na sua lida me desinflama Do mal, mais que toda a matéria Na alma me afasta da miséria Essa é a existência que clama
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NÃO ME ABANDONE
Céus, esperança! Não aprontes comigo Se fores embora Deixares minha vida Quem de mim cuidará?
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CARNE FRESCA
às pressas veio e sorriu sem dó, foi-se, partiu sangrou a carne fresca e não olhou para trás malvadeza, por que sorriu? por que deixou tua presa às moscas? na agonia, no delírio anêmico, amarelado necessitado do sangue teu? a sede do teu suor por que me deste de beber a tua seiva? prometido foi seu corpo e alma guilhotinada a promessa encapuzada, com pressa sem piedade
carne fresca sem idade sem chão, prisioneiro no tempo aprisionado pisoteado pela saudade
por que me escolheu? por que a mim? por que não chocolates? por que cortou minhas asas?
ralei-me a andar não te achei o deserto ressecou meus olhos não mais te vi secou minha garganta não mais gritei secou meu coração não mais te amei
amei-te muito com o sorriso teu teu, era teu viu minha liberdade e quis voar me amarrando ao pé da tua vontade
porque minha carne era fresca era doce era inocente era necessitada de tudo você era tudo eu, o efêmero descartado no tempo levado no vento
no torto caminho eu no tempo tempo seco rachava o chão estéril nos ventos levado ao ermo
se tu não viesses não me farias um homem não me farias um verme não me farias um reles não me farias um troço estaria chovendo as cores voltariam…
mas se te culpo por que te culpo? eu sou o culpado fiz-me tudo isso por ter amado consentir o teu sorriso e ir às pressas ao teu encontro