Florentino Marabuto

Florentino Marabuto

n. 1955 PT PT

n. 1955-01-29, Lisboa

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Aniversário

Anos alimentam a chama
    que não morre.
Uma rosa vermelha
     que não  esquece

O vento
que marca a areia.
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Poemas

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Aniversário

Anos alimentam a chama
    que não morre.
Uma rosa vermelha
     que não  esquece

O vento
que marca a areia.
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Uma pétala





Para A.







A baía, larga e doce,



Prende-me o horizonte.



Recorto na paisagem os teus olhos...



As rosas que te dei



Eram



De pétalas vermelhas



Como o sol de África



Ao fim da tarde...



Embrulha numa pétala



Um dos teus beijos,



Meu amor.



(in As mãos e os Olhos, Lisboa 2011)

993

Desilusão





Alguém disse que a tristeza



é uma doença que nos destrói



por dentro. Por esses olhos



passam folhas amarelas



e nuvens escuras com



vagos versos nas algibeiras



das pálpebras.



Esse rio que corre das tuas mãos



e desagua no meu peito



não é senão a sombra do tempo



em que os meus olhos



se prendiam



na sombra dos teus lábios.



A tristeza



é um lugar desconhecido.



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Com as mãos

Com as mãos

componho o gesto

com a boca

descubro o silêncio

com a palavra

desfaço o tempo.

Foi com o olhar

que disse algumas

das coisas

mais importantes

da minha vida.

(in As Mãos e os Olhos, Lisboa 2011)

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Soletro, meu amor...

Soletro, meu amor, as tuas lágrimas
De palavras perdidas
De encontros e desencontros
Tuas lágrimas tão doces
Tão desvalidas
Que um pintor de vento pintou
Meu doce lamento.
Soletro, bebendo cada gota
As tuas lágrimas
Tristes e belas.
E no sal de cada pálpebra
Onde pousei um beijo
Deixo, meu amor, mais uma lágrima
Como se teus lábios
Fossem pálpebras doces
Em busca das minhas palavras.
Terna é a tarde
Quando o sol emudece de espanto.
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