Francis Kurkievicz

Francis Kurkievicz

n. 1965 BR BR

Finalista em 2015 no Prêmio SESC de Literatura, na categoria contos. Formado em Filosofia pela UFPR, com Especialização em YOGA pela UNIBEM e com um MBA em RTVC.

n. 1965-09-27

Perfil
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O DIREITO DE NÃO DESEJAR

Temos o direito a uma vida anônima
Direito de não ter descendentes
De não deixar patrimônio.
Direito de recusar o sucesso
A fama
A infâmia
A fome.
Temos o direito a não possuir
Coisa alguma
E nem pela coisa ser possuído.
Temos o direito ao esquecimento
Ao nome oculto
Ao silêncio
Ao túmulo aberto e sem lápide.
Temos o direito
A ser o que somos - o ser de nada carece -
E ser o que se é
Já basta
Mesmo bastardo
Ou bardo.
Direito temos de não ser rebanhos
Legiões
Colegiados
Claque
Falanges
Pandilhas.
Temos o direito a prescindir dos direitos
Das leis
Da outorga
Da norma.
Apenas pela vontade de não compactuar.
 
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Biografia

Poemas

4

CERIMÔMIA DO CHÁ

No delicado gesto da gueixa,
Nome, cujo doce aroma, exala,
Vejo o ato de criação do mundo
Pela oculta deusa primeva;

A cerimônia do chá é uma metáfora
Onde esplende o sentido da existência.
341

O DIREITO DE NÃO DESEJAR

Temos o direito a uma vida anônima
Direito de não ter descendentes
De não deixar patrimônio.
Direito de recusar o sucesso
A fama
A infâmia
A fome.
Temos o direito a não possuir
Coisa alguma
E nem pela coisa ser possuído.
Temos o direito ao esquecimento
Ao nome oculto
Ao silêncio
Ao túmulo aberto e sem lápide.
Temos o direito
A ser o que somos - o ser de nada carece -
E ser o que se é
Já basta
Mesmo bastardo
Ou bardo.
Direito temos de não ser rebanhos
Legiões
Colegiados
Claque
Falanges
Pandilhas.
Temos o direito a prescindir dos direitos
Das leis
Da outorga
Da norma.
Apenas pela vontade de não compactuar.
 
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DEFESA PARLAMENTÁRIA DO IMAGINÁRIO

Nesta situação de pânico criado pela pandemia,
Pela crise sanitária,
Pela insensatez política e enfermidade ética,
Geopolíticas movediças,
Realidades íntimas
Reféns da realidade digital;
Nesta conjuntura de conspirações urdidas
Nos concílios neopentecostais,
De narcotráfico, de necropolíticas, de negacionismos,
De incubação de sonhos diretivos
Pelos estrategos do marketing comercial,
Pelas ameaças dos CEO’s das multinacionais,
Egrégoras invadidas e conquistadas pelo ódio irracional,
Pelo estruturalismo patriarcal,
Preconceitos de classe, de raça, de credo;
Neste instante de monitoramento de perfis,
Cancelamentos de IPs, de CPFs, de antinomias,
Genocídios, ecocídios, democracídios,
De hegemonias alucinadas e supremacias emasculadas;
Neste culto ao caos, aos algoritmos,
Aos mitos elevados e anjos caídos,
As personalidades caiadas,
Aos gurus virtuais e avatares binários,
Às informações e repertórios falsificados,
A palavra plena de lascívia, insultos, calúnias;
Neste momento de efeitos relâmpagos,
Guerras hibridas,
Bombas semióticas,
De eventos sem causa,
De artistas sem obras,
De poemas sem poesia,
...!
Temos a sagacidade de nossa atenção
Sequestrada diariamente
Pelos fragmentos difusos e confusos
Dos fatos circundantes;
Temos sido nós poetas,
Perturbados em nossa estética
Pelas mensagens subliminares
Dos lunares de Helheim;
Constantemente convocados somos
A defender o criadouro essencial da humanidade,
A preservar a singularidade subjetiva e subversiva
Que residem além das fronteiras dos mundos,
Estimulados somos a confrontar nossas próprias crenças,
Certezas, teses, ideologias, cosmovisões, projetos & projéteis;
Temos sido conjurados a tomar partido,
A escolher armas, empunhar bandeiras, cantar hinos próprios,
A nos conduzir com diligência no discernimento radical,
A agir mais avante do verbo lírico & límbico;
Temos sido requeridos no parlamento da consciência humana,
Exigidos como testemunhas, escribas, visionários,
Na furiosa & febril pertinácia das ruas;
Temos sido instados a produzir uma poética insubmissa,
Poderosamente valente para romper a sinergia hipnótica
Das narrativas e discursos distópicos;
Não podemos permitir que o nosso imaginário cosmiquântico
Quede-se cativo do fatigante ensaio melancólico,
Não podemos consentir que o nosso verbo
Distraia-se com amenidades domésticas & umbilicais,
Não devemos conceder espaço no verso
À verborragia do inconsciente coletivo;
Devemos nós poetas estar um passo à frente do nosso tempo,
Um passo adiante dos legisladores da liberdade,
Um passo mais rápido que todos os fascistas
E de todos aqueles que pretendem avassalar nossos sonhos
E furtar o ânimo de nossas esperanças;
É por isso que somos poetas
E não jagunços de Tio Sam,
Sacerdotes de Baal, servilões dos Arcontes,
Ou bonifrates de qualquer estúpido mito
Surgido dos intestinos do neoliberalismo.

 
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LENNONÓPTICON

Ezra para ser brincarreira
Um berimbaú obaobaobá umbaúba
InFesta gincigana caiana
Encontro imbicado de umbigosamigos
Abraxás sedosaudosos cardiorixás
Beiçobeijos trêspracasar trêspralá.
Ezra pra ser reencontrâncias
Atomicostumescidos ocuolhares
Romanticamantestemunhados em
Fotopoéticos selfiesticados.
Ezra pra ser-pentino
Flamígera ilha paixão
Cama-mesa-banho-de-espuma & plumas
Felaciosamente r-éthos
Delibelicosamente policunilíguis
Hímen-so penissauro
Flamingostranquídeos.
Ezra pra ser tão
Pimentagrestêmpero
Pêra, maçaneta pêss-ego-trip chantili tim-tim,
Mas deu ruim rui ruína
Deu-s-nos-acudamém!
Rolobombow! Um @rroubobo
De ciomeira, cuzcuspidez
Por 69 suttraconexões frustrafudidas
Nas zonas eróvaginas lunares
Lugares infrenquinstáveis
Quando amaré desce-sente
Rubibedo bedelho tragitrancado.
Ezra para ser ABC/DC
Mas quem xvídeontologicamente sabe
Acexo livre ao umbráulio necas
Nem pra Men-instruo esclaremanhecidos.
 
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Comentários (2)

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Francis Kurkievicz

Olá Jrunder, agradeço pelas palavras certeiras. Fico grato pela sua leitura.

A lucidez e a coerência funciona.m como asas neste emaranhado de letras. E fugir é preciso.