Finalista em 2015 no Prêmio SESC de Literatura, na categoria contos. Formado em Filosofia pela UFPR, com Especialização em YOGA pela UNIBEM e com um MBA em RTVC.
Temos o direito a uma vida anônima Direito de não ter descendentes De não deixar patrimônio. Direito de recusar o sucesso A fama A infâmia A fome. Temos o direito a não possuir Coisa alguma E nem pela coisa ser possuído. Temos o direito ao esquecimento Ao nome oculto Ao silêncio Ao túmulo aberto e sem lápide. Temos o direito A ser o que somos - o ser de nada carece - E ser o que se é Já basta Mesmo bastardo Ou bardo. Direito temos de não ser rebanhos Legiões Colegiados Claque Falanges Pandilhas. Temos o direito a prescindir dos direitos Das leis Da outorga Da norma. Apenas pela vontade de não compactuar.
No delicado gesto da gueixa, Nome, cujo doce aroma, exala, Vejo o ato de criação do mundo Pela oculta deusa primeva;
A cerimônia do chá é uma metáfora Onde esplende o sentido da existência.
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O DIREITO DE NÃO DESEJAR
Temos o direito a uma vida anônima Direito de não ter descendentes De não deixar patrimônio. Direito de recusar o sucesso A fama A infâmia A fome. Temos o direito a não possuir Coisa alguma E nem pela coisa ser possuído. Temos o direito ao esquecimento Ao nome oculto Ao silêncio Ao túmulo aberto e sem lápide. Temos o direito A ser o que somos - o ser de nada carece - E ser o que se é Já basta Mesmo bastardo Ou bardo. Direito temos de não ser rebanhos Legiões Colegiados Claque Falanges Pandilhas. Temos o direito a prescindir dos direitos Das leis Da outorga Da norma. Apenas pela vontade de não compactuar.
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DEFESA PARLAMENTÁRIA DO IMAGINÁRIO
Nesta situação de pânico criado pela pandemia, Pela crise sanitária, Pela insensatez política e enfermidade ética, Geopolíticas movediças, Realidades íntimas Reféns da realidade digital; Nesta conjuntura de conspirações urdidas Nos concílios neopentecostais, De narcotráfico, de necropolíticas, de negacionismos, De incubação de sonhos diretivos Pelos estrategos do marketing comercial, Pelas ameaças dos CEO’s das multinacionais, Egrégoras invadidas e conquistadas pelo ódio irracional, Pelo estruturalismo patriarcal, Preconceitos de classe, de raça, de credo; Neste instante de monitoramento de perfis, Cancelamentos de IPs, de CPFs, de antinomias, Genocídios, ecocídios, democracídios, De hegemonias alucinadas e supremacias emasculadas; Neste culto ao caos, aos algoritmos, Aos mitos elevados e anjos caídos, As personalidades caiadas, Aos gurus virtuais e avatares binários, Às informações e repertórios falsificados, A palavra plena de lascívia, insultos, calúnias; Neste momento de efeitos relâmpagos, Guerras hibridas, Bombas semióticas, De eventos sem causa, De artistas sem obras, De poemas sem poesia, ...! Temos a sagacidade de nossa atenção Sequestrada diariamente Pelos fragmentos difusos e confusos Dos fatos circundantes; Temos sido nós poetas, Perturbados em nossa estética Pelas mensagens subliminares Dos lunares de Helheim; Constantemente convocados somos A defender o criadouro essencial da humanidade, A preservar a singularidade subjetiva e subversiva Que residem além das fronteiras dos mundos, Estimulados somos a confrontar nossas próprias crenças, Certezas, teses, ideologias, cosmovisões, projetos & projéteis; Temos sido conjurados a tomar partido, A escolher armas, empunhar bandeiras, cantar hinos próprios, A nos conduzir com diligência no discernimento radical, A agir mais avante do verbo lírico & límbico; Temos sido requeridos no parlamento da consciência humana, Exigidos como testemunhas, escribas, visionários, Na furiosa & febril pertinácia das ruas; Temos sido instados a produzir uma poética insubmissa, Poderosamente valente para romper a sinergia hipnótica Das narrativas e discursos distópicos; Não podemos permitir que o nosso imaginário cosmiquântico Quede-se cativo do fatigante ensaio melancólico, Não podemos consentir que o nosso verbo Distraia-se com amenidades domésticas & umbilicais, Não devemos conceder espaço no verso À verborragia do inconsciente coletivo; Devemos nós poetas estar um passo à frente do nosso tempo, Um passo adiante dos legisladores da liberdade, Um passo mais rápido que todos os fascistas E de todos aqueles que pretendem avassalar nossos sonhos E furtar o ânimo de nossas esperanças; É por isso que somos poetas E não jagunços de Tio Sam, Sacerdotes de Baal, servilões dos Arcontes, Ou bonifrates de qualquer estúpido mito Surgido dos intestinos do neoliberalismo.
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LENNONÓPTICON
Ezra para ser brincarreira Um berimbaú obaobaobá umbaúba InFesta gincigana caiana Encontro imbicado de umbigosamigos Abraxás sedosaudosos cardiorixás Beiçobeijos trêspracasar trêspralá. Ezra pra ser reencontrâncias Atomicostumescidos ocuolhares Romanticamantestemunhados em Fotopoéticos selfiesticados. Ezra pra ser-pentino Flamígera ilha paixão Cama-mesa-banho-de-espuma & plumas Felaciosamente r-éthos Delibelicosamente policunilíguis Hímen-so penissauro Flamingostranquídeos. Ezra pra ser tão Pimentagrestêmpero Pêra, maçaneta pêss-ego-trip chantili tim-tim, Mas deu ruim rui ruína Deu-s-nos-acudamém! Rolobombow! Um @rroubobo De ciomeira, cuzcuspidez Por 69 suttraconexões frustrafudidas Nas zonas eróvaginas lunares Lugares infrenquinstáveis Quando amaré desce-sente Rubibedo bedelho tragitrancado. Ezra para ser ABC/DC Mas quem xvídeontologicamente sabe Acexo livre ao umbráulio necas Nem pra Men-instruo esclaremanhecidos.