Francisco Filho

Francisco Filho

n. 1963 BR BR

n. 1963-05-12, Rio de Janeiro/Brasil

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A Pétala da flor

A pétala da flor

desabou

Quem há de controlar

meu humor?

Estradas são vias

que me conduzem

nesta fantasia

de disser a mim mesmo

que o mundo é belo

É olhar o mar

e navegar no pensamento

como um alento

de dormir e acordar

visões

como chuvas repentinas

E a noite anoiteceu

menina

num gosto de espreguiçar.

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Poemas

1

Não me poupe a vida

Não me poupe a vida das mais espontâneas alegrias:
do nascer da manhã
ao fim do dia

Não me poupe a vida do barulho da chuva:
sobre o telhado
e do chão que a suga

Não me poupe a vida da lucidez:
e só de amor
a embriaguez

Não me poupe a vida de sonhar:
mesmo sozinho
na sala de estar

Não me poupe a vida de um sorriso de mulher:
que de tão belo
faz enternecer

Não me poupe a vida do olhar de uma criança:
quando já cansado
me encha de esperança

Não me poupe a vida de escrever:
no enrugar da pele
quando envelhecer.
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