francisco_guilherme

francisco_guilherme

Poeta brasileiro de 36 anos e um livro lançado "Rascunhos de Um vendaval" (2018 - Casa do Novo Autor) premiado no 54o FEMUP (Festival de Música e Poesia de Paranavaí- Paraná-Brasil) em2019

Perfil
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CORONAVÍRUS

É preciso evitar aglomerações
diz a TV
ao poeta  
a sua musa
e ao bairro inteiro.
E  o poeta evita:
anda só
evita o mundo.

Pode enfim ficar só
e escrever
a grande obra de sua vida
mas ele não consegue
precisa de gente
ao redor
precisa se inspirar
no ônibus cheio
na cidade apressada
que, se estivesse viva,
olharia com estranheza
para ele, sentado na praça
de papel e caneta na mão,
de alma repleta de experiências
de olhar necessário pra si mesmo.

É preciso evitar aglomerações.
Mas ninguém disse ser proibido
levitar sobre elas.
E o poeta levita.
Do alto encontra o verso
que faltava
O verso que nenhum médico
proscreve.
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Poemas

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APROXIMAÇÕES

Jardim.
Dele recolho espumas.
Guardo no cemitério suas flores.
Ao redor do luar,
Tocam sinos.
Sombras se desmancham.
No ar esverdeado
dessa noite
         profunda
         profana
um pequeno jasmim
         se desloca.
Cai nos bueiros
e encontra o Infinito.
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A SAGA FINAL DA ARQUEIRA E DO ESCRAVO

No intervalo entre minha morte e o Juízo Final
eu ouvi seu riso mais de perto e me libertei. 

Me libertei e resolvi te aprisionar
á mesma árvore onde eu estive, 
onde eu estive e agonizei. 

Lancei uma flecha.
Zombaste de minha pontaria. 
A muito custo acertei tua alma.

Choraste no mesmo tom do meu grito.
Tuas lágrimas não me convenceram. 
Senti que, assim como eu, precisavas morrer.

Precisavas da mesma libertação que eu tive. 

E veio a manhã. 

Caminhaste em direção ao sol.
Fiz um caminho sobre teus rastros
Mas minha ultima flecha te acompanhou...

Seguimos em linhas paralelas
Enquanto nossas essências se procuravam.

Eu estava em ti através das flechas que lancei.
Estavas em mim da mesma maneira. 

Estávamos naquela árvore.
Na noite que caiu e na manhã que veio. 
Veio a chuva e nossas flechas se fundiram. 

Olhei pra ti. Vi a mim mesmo, desolado.
Me olhaste. Vias somente uma flecha. 

Choraste... penetrando naquilo que eu era. 
E tuas lágrimas fundiram a chuva. 

Nossos átomos se racharam.

E a tarde protagonizou outra luta de flechas.
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