Com o correr do tempo, a humanidade fez grandes descobertas. Aprendeu a dominar a arte da linguagem, dos números e do fogo. Porém, no meio do caminho, em sua sede inesgotável pelo poder, se esqueceu da simples essência da vida.
É preciso enxergar a vida com lentes de aumento para compreender as suas miudezas. Somos seres finitos, e esse é um fato. Mas é necessário perceber que a verdadeira morte é fruto do esquecimento.
Enquanto restarem lembranças, as pessoas continuarão vivas, como o brilho eterno das estrelas. E, o que realmente permanecerá serão os momentos vividos ao acaso, a bondade sem holofotes, as amizades sinceras e desinteressadas e uma compreensão mais profunda de si e do outro.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Aster. Revista Literatura Errante - Memória, p. 28, 22 jun. 2021.
Contista, cronista, poetisa e ensaísta. Em 2021, foi membro da Revista Literatura Errante. Atualmente, é Colunista da Revista Sucuru e Editora da Sociedade Carolina.
Ser libre es Vivir sin restricciones, Para salir de la cueva, Para hablar a los cuatro vientos Y escucha sus inevitables ecos.
Ser libre es Liberar al otro Y no cerrar los ojos A las multitudes de anónimos.
Ser libre es Despojarse de los prejuicios Aceptar las diferencias Y reinventar la vida a diario. Ser libre requiere valor.
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Liberdade
Ser livre é Viver sem ressalvas, Sair da caverna, Falar aos quatro ventos, E ouvir os seus inevitáveis ecos.
Ser livre é Libertar o outro, E não fechar os olhos Para as multidões de anônimos.
Ser livre é Despir-se de preconceitos, Abraçar as diferenças, E reinventar, diariamente, a vida. Ser livre exige coragem.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Libertad. Revista Los Trapos, Argentina, 31 mai. 2022.
174
Das horas vagas
A poesia se contradiz. Abriga o universo dentro de si, mas encontra-se no aconchego do lar.
A poesia é um bordado de silêncios, que está escondido no canto azul dos pássaros, e, no som do mar, contido nas conchas.
A poesia é o que não acontece, o eco insistente das horas vagas.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Das horas vagas. Revista Sucuru, 21 abr. 2022.
179
O eco de Atenas
Eu, e minhas circunstâncias, caminhamos, lado a lado, rumo ao desconhecido, tendo a poesia como guia.
Por ruas de cantaria, pelo labirinto de becos e escadarias, escuta-se o eco do silêncio.
Do silêncio surge a poesia, ela vem envolta nas cores dos azulejos, no canto dos bem-te-vis, nas ondas do mar.
Dos sobrados e igrejas, ecoam lendas e mistérios, a poesia destilada da saudade.
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El eco de Atenas
Yo, y mis circunstancias caminamos, lado a lado, hacia lo desconocido, con la poesía como guía.
A través de calles de cantaria, del laberinto de callejones y escaleras, se escucha el eco del silencio.
Del silencio surge la poesía, viene envuelta en los colores de los azulejos, en el canto de los benteveos, en las olas del mar.
De los antiguos sobrados y las iglesias, las leyendas y los misterios resuenan, la poesía destilada del anhelo.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema El eco de Atenas. Revista Los Trapos, Argentina, 15 abr. 2022.
24
La vida
Soy intensamente breve, Como un sueño. Hecho de fragmentos de instantes.
Y en esa brevedad mía De segundos contados, Debo ser tratada con prudencia.
En las tormentas, Los pesos deben ser arrojados En el mar del olvido.
En bonanza Los recuerdos deben ser recogidos Con ternura, al abrigo de la memoria.
En mí, todo es esencial Lluvia y aridez. Me resisto al tiempo y al mal tiempo.
No tengo rutas fijas, Soy caleidoscópico. Así que no te equivoques No hay un solo propósito para mí Soy un enigma por descubrir.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema La Vida. Revista Los Trapos, Argentina, 30 jun. 2022.
199
La vida
Soy intensamente breve, Como un sueño. Hecho de fragmentos de instantes.
Y en esa brevedad mía De segundos contados, Debo ser tratada con prudencia.
En las tormentas, Los pesos deben ser arrojados En el mar del olvido.
En bonanza Los recuerdos deben ser recogidos Con ternura, al abrigo de la memoria.
En mí, todo es esencial Lluvia y aridez. Me resisto al tiempo y al mal tiempo.
No tengo rutas fijas, Soy caleidoscópico. Así que no te equivoques No hay un solo propósito para mí Soy un enigma por descubrir.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema La Vida. Revista Los Trapos, 30 jun. 2022.
490
O mar
Ninguém nunca tocou o teu mistério. Tens essa imensidão, que atravessa horizontes, mas, uma simples concha te contém.
Na superfície, tudo que podemos enxergar é um espelho perturbado pelas ondas. Um vento forte insiste em embalar tuas águas carregadas de sal.
Na profundidade, tudo que se escuta é o eco do teu silêncio, que grita, aos quatro ventos, histórias naufragadas pelo tempo.
Nessa jornada, tens a lua como guia das tuas marés. Quem atravessa tuas águas, mesmo que somente com o olhar, sente a difícil liberdade de retornar ao porto.
VELOSO, Gabriela Lages. Poema O Mar. Coletânea Poetas Maranhenses, Vol III. São Luís: Viegas Editora, 2022.
498
Macabéa
Com quantas Macabéas se faz o mundo? Mulheres pacatas, desajeitadas, silenciadas, que quase não deixam marcadas suas imagens no espelho.
Macabéa, até quando aceitarás o destino que te impuseram? Até quando permanecerás invisível?
VELOSO, Gabriela Lages. Poema Macabéa. Revista Sucuru - 13 ed., p. 26, 31 mar. 2022.