gabrielgambini

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Horas vagas de poeta

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Da minha janela

Da minha janela

Vejo três velhas, tagarelas

Bebericando coisa amarela

E um cachorro também velho

Mais velho do que a mais velha pedra

Mais velho que as três outras velhas

Tão velho quanto quem fez as velhas

Tomando nota de toda a conversa

Bebericando o que caia

Do resto da coisa amarela

E uma esperança voava, inquieta

Deixando seu néctar-de-nome naquela terra
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Poemas

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Da minha janela

Da minha janela

Vejo três velhas, tagarelas

Bebericando coisa amarela

E um cachorro também velho

Mais velho do que a mais velha pedra

Mais velho que as três outras velhas

Tão velho quanto quem fez as velhas

Tomando nota de toda a conversa

Bebericando o que caia

Do resto da coisa amarela

E uma esperança voava, inquieta

Deixando seu néctar-de-nome naquela terra
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O que sou

Eu sou

Mas não sou foto atual

Nem antiga

Não sou o que faço

Nem o que fazem de mim

E nem o que faço com o feito dito

Não sou meu perfil

Nem o reflexo da água

Nem o estranho do espelho

Não sou o que acham de mim

Nem o que sei sobre mim mesmo

Nem o que só desconfio

Nem a certeza da dúvida

Nem o que suponho supor

Nem espiral em dedução

Nem infinito aforismo

Não sou poeta

Nem escritor

Nem lírica ou métrica

Talvez exclamação

Não poetizo nada

As coisas poetizam a mim

Não sou

Não só isso

Sou tudo?

Misturado ou separado?

Grelhado ou assado?

Um caldeirão de ensopado

 

 

Eu sou

Mero transcritor

Do que acho que sei que não sou

Um leitor-de-imitação
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